Empresa perde US$ 440 mi com falha de algoritmo; veja se sistema é seguro

A empresa norte-americana Knight Capital Group registrou perdas de US$ 440 milhões na semana passada, após uma falha no sistema de algoritmos de alta frequência

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SÃO PAULO – A Knight Capital Group, empresa norte-americana que opera na formação de liquidez (comprando e vendendo ativos para movimentar o mercado) registrou perdas de US$ 440 milhões na semana passada, após uma falha no sistema de algoritmos de alta frequência – sistema que pode ser programado para emitir ordens de compra e vendas de ações em frações de segundo.

Estes sistemas também são disponibilizados por diversas corretoras no Brasil, para aqueles investidores que pretendem ganhar com pequenas oscilações de um ou vários ativos. Entretanto, eles são recomendados para os investidores que possuem uma estratégia muito bem definida. “O algoritmo serve para você aplicar uma estratégia no mercado. O computador apenas a executa de uma maneira automatizada, muito mais rápido do que uma pessoa faria”, afirma o sócio da Intrader DTVM, Leandro Silvestrini.

Por muito mais rápido, entenda milhares de vezes mais veloz. Segundo Silvestrini, enquanto um operador demora cerca de um minuto para emitir uma ordem de compra ou venda, a máquina não gasta mais do que alguns milésimos de segundos. “No mesmo período, o sistema pode enviar milhares de ordens”, diz.

Viva do lucro de grandes empresas

Mas é preciso saber programar a ferramenta, caso contrário, o investidor não conseguirá aproveitar os recursos de um sistema tão sofisticado. “Ter somente sistema de alta frequência não é suficiente, é necessário programar a ferramenta com algoritmos adequados para que haja um resultado interessante”, afirma o diretor da Valore Investimentos Personalizados, Sérgio Quintella.

Às vezes, a solução pode ser procurar por ajuda especializada. “Nada impede de um cliente programar e utilizar sozinho, mas normalmente não é recomendável, a não ser que ele entenda e opere grandes volumes”, diz.

Risco para o investidor
Para Silvestrini, o problema com o sistema utilizado pela Knigth foi pontual, agravado pela falta de contingência da empresa para solucionar a tempo de evitar uma perda tão expressiva. “Existem regras básicas na hora de construir um algoritmo e a principal é a segurança. Você precisa ter um plano de contingência, caso tenha alguma falha sistêmica como esta. Entretanto, eles demoraram muito para colocar esta contingência em prática, o que agravou os prejuízos”, afirma.

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Na opinião do sócio da Intrader, o investidor que opera com este tipo de sistema não tem motivos para se preocupar. “O algoritmo não é um sistema que veio para atrapalhar o mercado, muito pelo contrário. Ele serve para auxiliar o investidor na execução das ordens de maneira mais veloz, otimizando seu tempo e colocando em prática a sua estratégia”, ressalta.

Qualquer dado relevante para o mercado pode ser transformado em algoritmo e resultar em uma ordem por meio destes sistemas automatizados. O programa pode interagir com os sistemas de análise técnica, ou seja, dependendo do que acontecer no gráfico de determinada ação, ele dispara as ordens de compra e venda do ativo.

Existem sistemas que chegam a ler as notícias e interpreta-las de acordo com o mercado. “Se o presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) faz um discurso, por exemplo, já existem sistemas que lêem a notícia e operam de acordo com a importância daquilo para o mercado”, afirma Silvestrini.

O diretor da Valore concorda que existem programações bastante complexas, que fazem com que os sistemas realizem operações mais sofisticadas – o que pode causar perdas em casos de falhas como a que ocorreu nos EUA. “Mas normalmente estas operações não são realizadas por pessoas físicas, portanto este risco pode é minimizado para este tipo de investidor”, afirma Quintella.

Para ele, também é importante que as corretoras criem limites operacionais para os clientes, não permitindo que pequenos investidores se exponham a riscos muito elevados. “Isso também elimina as chances de erros”, diz.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip