Emprego: perda de postos de trabalho é efeito imediato da crise financeira global

Corretora Ativa acredita que número de empregos retraindo é consequência do cenário econômico desfavorável

Publicidade

SÃO PAULO – Enquanto a economia brasileira se beneficiava da expansão mundial, o número de empregos aumentava consideravelmente, movimento observado até setembro do ano passado. A data não é mera coincidência, de acordo com a corretora Ativa.

Com o aprofundamento da crise financeira internacional, que se deu, principalmente, após a falência do banco norte-americano Lehman Brothers, a perda de postos de trabalho no Brasil voltou a ocorrer.

“Esta crise também surpreendeu no que se refere ao emprego, ao afetá-lo imediatamente quando, normalmente, seria impactado com uma defasagem de três a seis meses”, explicaram os analistas.

Segundo os dados do CAGED que foram observados, a rápida deterioração trazida pela crise fez com que houvesse uma queda de mais de 600.000 postos de trabalho em dezembro, a maior contração mensal desde que a pesquisa começou a ser feita.

Efeito generalizado

A Ativa destacou que o resultado apurado no último mês mostra uma queda generalizada no número de empregos. “Os primeiros efeitos foram sentidos nos setores que são afetados muito fortemente pela crise, com a maior aversão ao risco e também pela restrição creditícia. Mas os efeitos negativos já são sentidos em todos os setores”, afirmou.

A desaceleração no emprego doméstico veio em resposta à dinâmica mundial desfavorável, que surpreendeu negativamente a expectativa de demanda de diversas empresas. Com a perspectiva invertida, planos de expansão foram adiados e turnos extras também.

Continua depois da publicidade

Uma maior deterioração do número de empregos em curto prazo é esperada pela equipe, uma vez que os resultados corporativos trimestrais podem trazer mais pessimismo.

Resposta do governo

Os analistas ressaltaram que o governo brasileiro já está se movimentando para criar um novo pacote de estímulo econômico, uma vez que o PAC (Plano de Aceleração Econômica) não vem avançando como o prometido. Entre as medidas imediatas, houve a redução do imposto de renda para pessoa física.

Ainda assim, a equipe acredita que os números apresentados em janeiro até o momento não trazem uma perspectiva de retomada de demanda aos níveis anteriores e consequente melhora nos níveis de emprego.