Employment Report deve mostrar nova melhora do emprego nos EUA

Depois de agenda mista, projeção é de criação de 185 mil vagas em março, mas pressões externas podem atrasar ritmo de retomada

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SÃO PAULO – O mercado de trabalho norte-americano deve dar continuidade ao desempenho positivo de fevereiro e seguir mostrando uma evolução no mês de março. Apesar das incertezas que rondam a economia global, os analistas estão otimistas para a divulgação do Relatório de Emprego na próxima sexta-feira (1), embora destaquem que o ritmo de recuperação ainda é modesto e que há sim pontos de preocupação, tanto domésticos quanto externos.

Essa expectativa positiva é embalada por uma melhora nos pedidos de auxílio-desemprego que, apesar de terem vindo acima das expectativas nesta semana, vêm mostrando quedas nas passagens semanais. Nesse contexto, para o mês de março, é esperado um aumento de 185 mil postos de trabalho nos Estados Unidos, segundo o consenso de mercado divulgado pelo site Briefing.com. 

O Bank of America Merrill Lynch reproduz bem o sentimento do mercado em relação aos dados que serão divulgados. “Enquanto os recentes dados sobre imóveis, confiança do consumidor e gastos com capital foram moderados, a dinâmica do mercado de trabalho está se mostrando mais saudável. Os pedidos de auxílio-desemprego continuam caindo e pesquisas mostram que a intenção de contratações continua em alta”, diz o banco em relatório. 

Projeções
A equipe de análise econômica do BofA ML projeta um aumento na folha de pagamentos do setor privado de 185 mil empregados neste último mês, totalizando, com a inclusão do setor público, a criação de 160 mil postos de emprego no país. Um pouco mais otimista, a equipe do JP Morgan acredita que o setor privado contribuirá com 200 mil novos postos de trabalho no setor privado, e 185 mil considerando também os dados do governo. 

Já o Wells Fargo aposta na criação total de 220 mil postos de trabalho para o terceiro mês do ano, seguindo a tendência de alta dos últimos dois meses. Mantendo a leitura positiva, o Santander calcula um aumento na folha de pagamento do setor privado de 224 mil empregados, totalizando 194 mil postos de trabalho com o setor público.

A expectativa dos analistas é que a taxa de desemprego no país se mantenha em 8,9%, nível alcançado no último mês e que representou uma sensível melhora frente a janeiro.

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Cautela ainda faz sentido
Apesar do momento mais positivo que vive a economia norte-americana – o presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, sugeriu, inclusive, a possibilidade de fazer uma revisão do plano de estímulo econômico baseado numa percepção mais positiva para a economia – o momento ainda é de cautela.

Os analistas do Wells Fargo avaliam que o aumento dos preços de petróleo e gás, decorrentes da crise no Oriente Médio e norte da África, aparece como um dos grandes problemas para a economia americana atualmente, principalmente porque levantou a bandeira da inflação – um perigo que estava latente, mas que pode despertar.

Compartilhando essa visão, o BofA afirma que essa tensão política e seus possíveis desdobramentos econômicos são as justificativas para a expectativa do banco de um avanço mais moderado do mercado de trabalho nos EUA.

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Além disso, há também a questão da ameaça nuclear proveniente do Japão. Para o Wells Fargo, o impacto da situação japonesa na economia americana não pode ser desprezado. As exportações americanas para o Japão devem se reduzir, mas isso deve ser em parte compensado por uma procura japonesa por outras fontes para seus produtos. O grande problema, porém, está na oferta, já que a indústria norte-americana pode sofrer com uma interrupção prolongada da produção no Japão.

Justamente a indústria foi citada pelo banco como um ponto a se analisar. Os índices que vinham mostrando um bom desempenho do setor esbarraram em um número frustrante para o Durable Good Orders. Além disso, o setor imobiliário e de construção civil continua a preocupar o mercado.

ADP Employment Report não agradou
Vale destacar também que algumas análises foram realizadas antes da divulgação do ADP Employment Report. Cristiano Souza, do Santander, deu atenção especial aos números de postos criados pelo setor privado no país – que também funciona como prévia para o Relatório de Emprego – esperando 210 mil novas vagas. Porém, o resultado apresentado no pregão da última quarta-feira não correspondeu às expectativas.

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Foram abertas 201 mil vagas no setor privado do país no mês. O desempenho também ficou abaixo da medição anterior que apontou 208 mil vagas, segundo dados revisados.

Setores
Na divisão por setores, o segmento da indústria manufatureira guarda a expectativa de adição de 30 mil novos postos, enquanto a construção deve ter contribuído com apenas 5 mil vagas, segundo o JPMorgan. O setor de saúde, mantendo a tradição de criar novos postos de trabalho a cada mês, fica com a projeção de 25 mil novos postos.

Ainda segundo o banco, o varejo tem apresentado um desempenho volátil ao longos dos meses. Porém, após ser responsável pela perda de 8 mil postos de trabalho no último mês, a expectativa para março é mais benigna: criação de 10 mil novas vagas.

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Já com relação ao setor público, as expectativas são menos otimistas. O JP Morgan explica que há uma preocupação em relação aos gostos do governo, criando a necessidade de estabilização das contas fiscais, de tal forma que a projeção é de perda de 15 mil postos de trabalho no mês. Já o BofA ML estima que é governo tenha cortado 25 mil vagas em março

O relatório 
O Employment Report ainda é composto por ganho por hora trabalhada – projeção de aumento de 0,2% para março, 0,2 ponto percentual acima da medição do mês anterior; e pela média de horas trabalhadas – estimativa de 34,3 horas, praticamente em linha com o registrado em fevereiro, segundo dados do site Briefing.com.