Marfrig na lista

Emissões de títulos “junk” da América Latina ganham ritmo

Empresas preparam emissões de títulos com grau especulativo para aproveitar demanda de investidores por uma das poucas regiões que ainda oferecem rendimento

(Bloomberg) — Empresas latino-americanas preparam um grande volume de emissões de títulos com grau especulativo para aproveitar a demanda de investidores por uma das poucas regiões que ainda oferecem rendimento.

Pelo menos três emissores de títulos de alto rendimento preparam vendas, com potenciais emissões de empresas como a Marfrig Global Foods e a operadora de telefonia móvel chilena WOM.

Empresas buscam refinanciamento depois que os rendimentos dos títulos de dívida da América Latina caíram para 4,35% em relação à máxima de 13% em maio passado, enquanto investidores buscam retornos maiores do que os oferecidos em outros mercados emergentes e US$ 16,4 trilhões em dívida global com rendimento negativo.

“A América Latina é onde o rendimento está sendo oferecido, e é por isso que investidores estão basicamente migrando para lá”, disse Soummo Mukherjee, analista de crédito sênior da Lucror Analytics.

O Itaú Unibanco vendeu US$ 500 milhões em títulos na terça-feira com rendimento de 3,95%, enquanto a FS Bioenergia aproveitou títulos com vencimento em 2025 para vender mais US$ 50 milhões com rendimento de 8,352% na segunda-feira, de acordo com a Lucror.

A Fitch atribuiu nota BB para uma possível emissão de US$ 1 bilhão da Marfrig, enquanto a S&P Global Ratings classificou os títulos da esperada venda de até US$ 450 milhões da WOM com nota B+. A empresa de logística Simpar iniciou reuniões com investidores, que provavelmente serão seguidas por um título denominado em dólares já na quinta-feira.

Empresas com títulos de alto rendimento e financeiras podem vender até US$ 45 bilhões do total de US$ 75 bilhões em emissões de títulos corporativos latino-americanos esperados neste ano, de acordo com dados compilados pelo JPMorgan Chase. Seria o maior volume para emissores junk, ou de alto risco, desde pelo menos 2017, de acordo com o banco.

O setor está pronto para um forte ano em 2021, e pode se sair melhor do que o títulos com grau de investimento, disse Natalia Corfield, responsável por pesquisa de crédito corporativo para a América Latina no JPMorgan.

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O banco recomenda alguns créditos com nota mais baixa, como os bônus perpétuos do Banco do Brasil, títulos com vencimento em 2027 da Cemex e papéis com vencimento em 2079 da concessionária chilena AES Gener. Todos oferecem retorno de 5% ou mais, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Segundo Corfield, os títulos de alto rendimento da América Latina tiveram desempenho inferior em 2020 e têm mais espaço para valorização em 2021. “Mas estamos sendo muito seletivos”, disse. “Não estamos recomendando tudo que tem maior rendimento.”

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