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SÃO PAULO – A redução da taxa básica de juros na Zona do Euro para a mínima histórica de 0,75% ao ano, definida em reunião do BCE (Banco Central Europeu) nesta manhã, elevou o humor dos investidores, mas não foi suficiente para minimizar o sentimento de aversão ao risco no bloco. O rendimento demandado pelos títulos de dívida da região no mercado secundário registra alta nesta quinta-feira (5), pressionado por uma série de novas emissões realizadas no dia.
A Irlanda voltou a emitir títulos de dívida pela primeira vez desde o resgate financeiro, em setembro de 2010. Na sua reestreia, o Tesouro do país conseguiu captar € 500 milhões por meio de papéis com vencimento em 3 anos. A venda foi efetuada com juros de 1,8%. A demanda superou a oferta em 2,8 vezes.
O desempenho da Irlanda foi melhor que o da Espanha, que teve de operar com juros de 2,4% por papéis semelhantes na última emissão, semana passada. O resultado pressionou os yields demandados pelos papéis irlandeses de 10 anos, que chegaram a 6,1% na sessão desta quinta – contra a marca de 13% registada em julho de 2011.
Espanha e França
O Tesouro espanhol também emitiu dívida nesta quinta, totalizando € 3 bilhões em papéis com vencimento em três, quatro, cinco e dez anos. Os títulos de vencimento no longo prazo, contudo, registraram juros de 6,50%, o maior desde novembro do ano passado (7,09%).
Por fim, a França foi a mercado negociar suas dívidas. Nesta manhã, o Tesouro do país vendeu € 7,83 bilhões em títulos com vencimento em 7 e 10 anos. Os juros para os papéis de longo prazo, contudo, subiram em relação à ultima emissão, passando de 2,46% para 2,53%.
| País | Rendimento | Variação | Yield/Bund* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 25,66% | -1,48% | +24,22 |
| Portugal | 10,11% | +0,39% | +8,67 |
| Itália | 5,85% | +1,25% | +4,41 |
| Espanha | 6,60% | +2,84% | +5,16 |
| França | 2,51% | -1,22% |
+1,07 |
| Alemanha | 1,44% | -0,55% | – |
* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg
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Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário. Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário.
Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.