Com queda de juros e aumento dos gastos fiscais

Emissão de dívida de emergentes pode atingir novos recordes

Vendas de dívida soberana devem somar cerca de US$ 30 bilhões em setembro, US$ 7 bilhões a mais do que a tendência histórica, estima Citigroup

(Getty Images)
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(Bloomberg) — Governos e empresas de mercados emergentes venderam um volume recorde de títulos em moeda estrangeira neste ano, incentivados pela queda das taxas de juros e aumento dos gastos fiscais na pandemia. Este mês pode trazer outro tsunami de vendas.

“Setembro é sempre um mês forte para a emissão de dívida externa de emergentes conforme os mercados retornam das férias de verão”, de acordo com estrategistas do Citigroup Global Markets, como Eric Ollom, Donato Guarino e Ayoti Mittra. “Em 2020, esperamos que isso continue e até acelere.”

As vendas de dívida soberana devem somar cerca de US$ 30 bilhões em setembro, US$ 7 bilhões a mais do que a tendência histórica, estima o Citigroup. Empresas podem vender outros US$ 61 bilhões em dívidas, lideradas pela Ásia, principalmente para acelerar pagamentos enquanto os juros estão baixos, escreveram os estrategistas.

Neste ano, governos e empresas de países em desenvolvimento já venderam cerca de US$ 530 bilhões em títulos denominados em dólar e euro, o maior volume já registrado no período, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Só os governos venderam quase US$ 197 bilhões em dívida para financiar as economias. Com partes do mundo em desenvolvimento ainda bloqueadas pelo coronavírus, as autoridades precisam manter o estímulo fiscal, mesmo com a perspectiva de aumento do ônus da dívida.

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Depois que o Federal Reserve e bancos centrais globais injetaram liquidez nos mercados e implementaram medidas de estímulo, países com grau de investimento foram os primeiros a retornar aos mercados internacionais.

Embora o apetite por dívidas de risco de emissores de alto rendimento tenha demorado mais para se recuperar, a maior parte de valor pode ser encontrada na dívida soberana de emergentes desse grupo, especialmente no segmento de “classificação B”, de acordo com Sara Grut, estrategista sênior do Goldman Sachs, em Londres.

Na Ásia, Coreia, Malásia e China estão atrasadas em seus planos de emissão, com apenas 55% a 60% da meta anual concluída no fim de agosto, segundo André de Silva, responsável por pesquisa global de juros de mercados emergentes do HSBC, em Hong Kong.

A Rússia é a “lanterninha” na Europa Central e Oriental, com apenas cerca de 57% das emissões concluídas. Na América Latina, Brasil e México também têm sido lentos na emissão de títulos, com apenas 44% e 56%, respectivamente, das metas anuais concluídas, escreveu o HSBC.

Mais de 25% das ofertas denominadas em dólar e euro vieram da China, que emergiu das paralisações antes de outro países. Os Emirados Árabes Unidos são o segundo maior emissor deste ano, com uma série de ofertas ainda em curso.

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