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SÃO PAULO – “Venda emergentes e compre países desenvolvidos”. Esta tem sido a chamada de ordem dos grandes bancos desde que o Federal Reserve sinalizou para a redução do seu programa de títulos. Mas será que realmente estes dois lados estão realmente opostos?
Conforme ressalta o chefe-executivo do DBS Group, Piyush Gupta, em uma apresentação privada a clientes e divulgada pela CNBC, não necessariamente. Ele ressalta que a tese geral de que haverá uma recuperação nos desenvolvidos e os mercados emergentes irão estancar, não está completamente correta.
“Eu concordo com metade da tese. A que tende a acreditar que a recuperação nos mercados desenvolvidos ainda neste ano. Mas eu tenho que dizer que não estou no campo que diz que este é um jogo de soma zero”, afirma. Esta última teoria indica que, se os desenvolvidos estiverem com uma boa performance, os emergentes estarão em queda.
Durante boa parte de 2013, Gupta ressalta que foi exatamente isso que aconteceu. Enquanto os mercados norte-americanos, europeus e japonês tiveram uma escalada para cima, o dos emergentes “convulsionaram”. Contudo, ressalta ele, essa tendência não deve se prolongar.
E avalia que, quando há um grau de confiança maior nos EUA, ela se traduz favoravelmente para o resto do mundo. Por outro lado, a Ásia pode ter um pouco de problema com o aperto de crédito, mas acrescentou que o continente vem registrando crescimento apesar da “demanda com crescimento zero” no Ocidente. A resposta para isso está no consumo interno e na demanda doméstica. Ele espera que a população asiática mais jovem, a urbanização e a infraestrutura continuará impulsionando a demanda na região.
Gupta também tem algumas dúvidas sobre se a redução de estímulos nos EUA levará a uma saída tão grande de recursos na região. “De todo o dinheiro do QE3 [Quantitative Easing 3] que foi injetado na economia, 85% voltou para o Fed. As empresas e os bancos dos EUA estão sentados numa pilha de dinheiro, porque eles não a colocam para trabalhar”, afirma.
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“Quando eles começam a se sentir mais confiantes e querem começar a usar uma parte do dinheiro, onde é que eles irão alocá-lo?”, questionou. “Você acha que um monte de empresas de investimento global vão investir maciçamente nos EUA e na Europa e não alocar capital na Ásia? Parece uma teoria absurda para mim”.
E ressalta que, embora os mercados emergentes tenham sido um investimento decepcionante nos últimos dois anos, ignora-se o fato de que o mundo emergente está crescendo mais rápido do que o mundo desenvolvido, conforme ressaltou o diretor para mercados emergentes do JPMorgan Asset Management, Richard Titherington, no mesmo evento. “As pessoas estão muito animadas com o fato do Japão crescer 1% e muito pessimistas com o crescimento anual de 7% do PIB da China”, avaliou.
Ele avalia ainda que as políticas monetárias extremas nos EUA, Europa e Japão, mais recentemente, tem sido um vento desfavorável para os emergentes, uma vez que eles não precisariam deste tipo de política. Contudo, Titherington não está certo se o desempenho nos emergentes irá superar os dos países desenvolvidos. Porém, isso não significa que eles não terão uma boa performance.