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SÃO PAULO – Apesar dos mercados emergentes representarem elevados ganhos para as empresas norte-americanas, eles não deveriam significar tamanha visão otimista como tem sido difundido, inclusive entre os investidores de Wall Street, aponta um relatório do Citigroup.
“Nós duvidamos que os mercados emergentes tenham atingindo uma bolha semelhante à vista nas ações do setor tecnológico no final dos anos 90, ou uma associada com o crédito imobiliário em 2006-2007, mas, em nossa visão, o crescimento das regiões em desenvolvimento está longe de uma nova e excitante perspectiva”, escreveu Tobias Levkovich.
Oportunidades de crescimento
Apesar disso, o relatório cita um estudo realizado pela equipe de pesquisa do Citi, no qual é observado que as 18 empresas com maior exposição às vendas nos mercados emergentes são acompanhadas de um evidente desempenho melhor que o de seus pares, sendo a maior representatividade relativa àquelas voltadas à indústria e às commodities, devido às necessidades de crescimento dos emergentes.
Deste modo, o foco nos emergentes tem se tornado uma moda entre os investidores norte-americanos, aponta Levkovich, à medida em que os investidores procuram por oportunidades de crescimento em um mundo no qual o potencial é limitado pelas preocupações acerca da dívida soberana europeia e o persistente desemprego nos mercados desenvolvidos.
“Tal fluxo de dinheiro não é surpreendente dado que o crescimento econômico dos mercados emergentes tem sido mais forte que a tendência do PIB (Produto Interno Bruto) para os países desenvolvidos“, apontou o analista, destacando também que esta tendência deverá ser mantida por uma variedade de razões, desde iniciativas políticas dos governos à realidade demográfica.
Mundo não-descolado
No entanto, Levkovich relata que os investidores têm se tornado um pouco mais cautelosos em comprar ações deste tipo após a ideia de um descolamento dos emergentes em relação aos desenvolvidos ser refutada. “É importante reconhecer que o prêmio não é mais tão alto quanto era em meados de 2008, quando muitos gestores de fundo estavam focados em um alegado mundo descolado”, ressalta Levkovich.