Embraer: mercado aprova venda de aeronaves nos Emirados e vê entrada em mais mercados

Primeiro pedido no Oriente Médio reforça fase de colheita de investimentos concluídos em 2019

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Logo da Embraer (Foto: REUTERS/Benoit Tessier/File Photo)
Logo da Embraer (Foto: REUTERS/Benoit Tessier/File Photo)

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A Embraer (EMBJ3) anunciou a venda de 10 aeronaves C-390 para o Tawazun Council for Defense Enablement, dos Emirados Árabes Unidos, com opção de compra para mais 10 unidades. O pedido é o primeiro da companhia no Oriente Médio, dentro da divisão de Defesa & Segurança.

Os investidores aprovaram o anúncio e a ação entrou em um onda de crescimento desde a abertura dos mercados. A EMBJ3 subia 3,73%, a R$ 79,91, às 14h23 (horário de Brasília).

Para o Itaú BBA, o pedido histórico dá um importante sinal sobre a capacidade da empresa de penetrar novos mercados e aumentar a produção do programa C-390. Assumindo um preço de US$ 100 milhões por aeronave, o banco calcula que o pedido teria valor de US$ 1 bilhão.

Com o pedido, o banco espera que a Embraer consiga acelerar a alavancagem operacional no segmento. Com isso, consiga também reduzir gradualmente o impacto de contratos antigos com margens mais baixas.

De acordo com os analistas, o anúncio reforça a visão de que a Embraer está em fase de colheita do seu último ciclo de investimentos, concluído em 2019.

Para o Bradesco BBI, a estimativa é de que o pedido adicione cerca de US$ 250 milhões em valor presente líquido (NPV), incluindo serviços. Esse valor pode ser traduzido em US$ 1,40 por ação (EMBJ3), equivalente a 2,2% do preço de fechamento da última sexta-feira.

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Conforme os analistas do banco, o desempenho recente das ações da Embraer vinha refletindo uma expectativa de desaceleração do momentum devido ao aumento global dos preços de combustível. Com o novo pedido, os economistas acreditam que o crescimento não virá apenas da aviação comercial.

A companhia é a principal recomendação da cobertura do BBA. De acordo com o banco, essa decisão está apoiada por forte momentum de resultados, alta visibilidade de ganhos e potencial adicional de valorização via re-rating. Em especial, à medida que incertezas geopolíticas — especialmente relacionadas ao Irã — diminuam.