Aviação

Embraer (EMBR3) aponta dificuldades em conseguir peças para produção

A fabricante reafirmou suas projeções operacionais deste ano, apesar das dificuldades enfrentadas para conseguir equipamentos e peças

Por  Augusto Diniz

Apesar de reafirmar as projeções (guidances) anunciadas no início do ano, a Embraer (EMBR3) enfrenta problemas estruturais que vão da falta de semicondutores a mão de obra em suas linhas de produção.

“A gente confirma as guidances, apesar das dificuldades que temos enfrentando esse ano, não por causa da guerra (Rússia-Ucrânia) em si, que não está trazendo nenhum impacto negativo para nós. As dificuldades são para conseguir equipamentos e peças para nossa produção”, disse Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer (EMBR3).

As declarações ocorreram durante apresentação dos resultados do 1º trimestre de 2022, quando a Embraer reportou uma queda de 18,1% no prejuízo na comparação com o mesmo período do ano passado.

Às 14h15, as ações da Embraer estavam entre as maiores altas do pregão, com alta de 5,93%, cotadas a R$ 14,28.

“Vários fornecedores estão enfrentado dificuldades seja por falta de semicondutores, seja por falta de mão de obra especializada. Isso está provocando atrasos. Nada comprometa nosso futuro. Esperamos que esses atrasos diminuam ao longo do ano”, disse o executivo.

Antônio Carlos Garcia, vice-presidente e CFO da Embraer, informou ainda que a companhia tem colocado como prioridade a mão de obra qualificada em alguns países, principalmente Estados Unidos.

Segundo ele, muita gente havia deixado o emprego na pandemia e como a indústria está voltando, está atingindo em cheio os programas de produção.

Guidances da Embraer

“Na parte de semicondutores está tendo falta (de componentes) que ainda não nos impactou. Mas devemos ter visão melhor desses impactos no segundo trimestre”, comentou Garcia. “Mas a gente já imaginava certa descontinuidade pelas nossas guidances”, disse.

As duas principais projeções de 2022 anunciadas pela Embraer no início do ano é a entrega de pelo menos 160 aeronaves e fluxo de caixa livre com geração de US$ 50 milhões ou mais no ano. No primeiro trimestre desse ano, pelo balanço da empresa, foram entreguem 14 aeronaves.

Alavancagem

A empresa informou ainda que pretende chegar a alavancagem abaixo de 3 até o final do ano. O endividamento deve diminuir em função da geração de caixa, informou a empresa.

No 1T22, a companhia encerrou o trimestre com dívida total de R$ 16,8 bilhões, ou R$ 5,6 bilhões menor quando comparado ao 4T21.

A relação dívida líquida-Ebidta, que havia fechado em 3,7 vezes em 2021, foi para 3,4 vezes no primeiro trimestre desse ano.

Paralisação em janeiro

Francisco Gomes Neto disse ainda que “mesmo com a paralisação de nossas operações no mês de janeiro (cerca de 30 dias), para reintegrar os sistemas à aviação comercial, conseguimos entregar resultados importantes no 1T22”.

O objetivo do processo de reintegração é que unidades não conversavam entre si, com sistemas diferentes, gerando ineficiência de operação, de acordo com a Embraer. A expectativa é de melhora da performance operacional.

O processo de reintegração dos principais sistemas de tecnologia da informação do negócio da aviação comercial foi iniciada em maio de 2020, e fazia parte da revisão do plano estratégico e da execução de iniciativas para o aproveitamento das competências e recuperação de sinergias.

Eve na Bolsa de Nova York

A Eve Urban Air Mobility (Eve), empresa criada pela Embraer dedicada à criação de soluções para o mercado de mobilidade aérea urbana, está confirmada para abertura de capital em maio na Bolsa de Nova York.

“A listagem da Eve na Bolsa de Nova York trará mais inovação para o desenvolvimento do ecossistema de mobilidade aérea urbana”, disse o CEO da companhia.

Com investimentos total de US$ 500 milhões, a divisão da Embraer fez uma fusão com uma empresa focada em levantar fundos, chamada Zanite – que é uma spac (special-purpose acquisition company da sigla em inglês; companhia com propósito específico de aquisição) – e é focada no setor de aviação.

Repercussões do balanço

Segundo o UBS, os resultados da Embraer vieram em linha com as expectativas. As vendas caíram 25% no comparativo anual, principalmente devido a menos entregas de aeronaves, enquanto a defesa veio mais leve do que o esperado, o que levou a maior parte da queda das estimativas.

O Ebitda ajustado foi de US$ 13,2 milhões, em linha com estimativas do banco, enquanto o consenso foi de US$ 25 milhões. Conforme o relatório, o desempenho da margem bruta é animador e parece que as vendas de jato executivo continuam muito fortes, o que deve fornecer uma base sólida para o crescimento.

Assim, o banco mantém recomendação de compra para Embraer, com preço-alvo de US$ 24.

Atingimento de metas

O Itaú BBA destacou, em relatório após a divulgação dos resultados, que segue com a visão de que o guidance de 2022 será atingido, apesar dos resultados do 1º trimestre. Os números foram neutros, segundo análise do BBA.

“As entregas fracas anunciadas anteriormente deram o tom para os resultados do 1T22 da Embraer, que foram afetados pela baixa alavancagem operacional em geral, levando a uma margem EBIT negativa de 6%”, destacou.

“As despesas de reintegração e arbitragem relacionadas à tentativa de fusão com a Boeing continuaram sendo ventos contrários significativos no período”, segue, sobre pontos negativos.

“Apesar do início de ano fraco, acreditamos que a Embraer conseguirá atingir seu guidance para 2022, que foi reafirmado hoje”.

A classificação da ação é outperform (performance acima da média de mercado), com preço-alvo de R$ 21,00.

Oportunidade de compra? Estrategista da XP revela 6 ações baratas para comprar hoje. Assista aqui.

Compartilhe