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As ações da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3) fecharam com forte valorização e renovando máximas nesta terça-feira (1º), após a companhia brasileira fechar acordo para venda de até 55 aeronaves para companhia aérea SAS. Às 10h59 (horário de Brasília), ação da empresa subiu 4,42%, a R$ 80,41.
A Scandinavian Airlines (SAS) assinou um acordo com a Embraer para comprar 45 jatos E195-E2 da companhia brasileira, com direitos de compra para 10 aeronaves adicionais.
Segundo o JPMorgan, a parte firme do pedido está avaliada em aproximadamente US$ 3,8 bilhões (considerando um preço de tabela de US$ 84,1 milhões por aeronave), representando um aumento de 12% no backlog (carteira de pedidos) consolidado, que chega a US$ 34,5 bilhões após o Salão Aéreo de Paris de 2025 (PAS), já excluindo as entregas previstas para o 2T25. Incluindo as opções, estima-se que o pedido totalize US$ 4,6 bilhões, levando o backlog para US$ 36,6 bilhões (+14% em relação ao pós-PAS com opções).
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As entregas devem começar em 2028, mas ainda se aguarda o comunicado oficial da Embraer para confirmação. Com esse anúncio, o book-to-bill (relação entre pedidos recebidos e entregas) da Embraer em 2025 na aviação comercial fica entre 1,41 vez e 1,56 vez, considerando os 120 pedidos firmes no ano até agora e a projeção de entregas para 2025.
O JPMorgan considera o anúncio positivo, pois confirma o forte momento das campanhas de vendas da Embraer e a expansão do backlog, fatores importantes para a recomendação de compra e preço-alvo de R$ 93. A Embraer está sendo negociada a um múltiplo de 9,1 vezes Valor da Firma (EV)/Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, estimado para 2026, contra 22,8 vezes da Boeing, 11,1 vezes da Airbus e 8,2 vezes da Bombardier.
O Bradesco BBI avaliou como positiva a notícia do novo pedido recebido pela Embraer, mantendo recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) para o papel e preço-alvo de US$ 60,00 para o ADR ERJ (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York). Segundo o banco, pelo preço de tabela, o pedido firme de 45 aeronaves representa aproximadamente US$ 4 bilhões, o equivalente a 15% do backlog reportado no 1T25. Considerando também as opções, o valor total do contrato pode chegar a US$ 4,8 bilhões, ou 18% do backlog. Em termos de valor presente líquido (VPL), o BBI estima um impacto de US$ 1,60 por ação ERJ, o que representa cerca de 3% sobre o preço de fechamento anterior.
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O pedido é considerado relevante, uma vez que havia preocupações no mercado quanto ao fato de os contratos recentes da Embraer, no segmento de aviação comercial, estarem concentrados na família E1, como o acordo de 60 unidades com a SkyWest. Agora, a demanda volta a incluir os modelos da nova geração E2.
O banco também destaca que o novo contrato eleva o book-to-bill da companhia para 1,5 vez, patamar considerado sólido e próximo ao registrado no ano passado (1,6x). Além da aviação comercial, o BBI observa que os segmentos de defesa e jatos executivos seguem com desempenho robusto, impulsionados pela crescente demanda por aeronaves como o KC-390, o A-29 Super Tucano e pelos jatos da aviação executiva.
O Itaú BBA também avalia as notícias como positivas. O pedido da SAS, anunciado logo após o acordo com a SkyWest, reforça o fluxo de notícias construtivas em torno do programa de jatos comerciais da Embraer, impulsionando especialmente o programa E2.
O BBA destaca que o pedido aumenta em cerca de US$ 2 bilhões a carteira atual de pedidos da Embraer, que soma US$ 26,4 bilhões (sem incluir entregas e novos pedidos após o 1T25). Além disso, o fato de as entregas estarem previstas para começar em 2027 destaca o prazo significativamente menor da Embraer em comparação com seus concorrentes comerciais.
Desde o início de junho, a Embraer permanece como a principal escolha do BBA, sustentada por catalisadores futuros, como potenciais novos pedidos e o início da campanha de testes de voo do EVE no segundo semestre de 2025. O banco manteve recomendação de compra e preço-alvo de US$ 62.
Já o BTG comenta que dado o forte acúmulo de pedidos, o foco do mercado deve migrar gradualmente para a capacidade da Embraer de executar e entregar esse pipeline elevado. Especialmente considerando que ainda há gargalos na cadeia de suprimentos, sobretudo na p rodução de motores.
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Dados preliminares sugerem que as entregas do segundo trimestre foram ligeiramente inferiores às do mesmo período do ano passado (esperamos que a empresa divulgue os números em breve), o que reflete dificuldades operacionais e entraves logísticos. “Por isso, continuamos projetando que a performance da aviação comercial da Embraer será significativamente concentrada no segundo semestre de 2025”, diz BTG. “A normalização da produção deve se tornar mais visível a partir de 2026, ao menos na divisão comercial.”
O BTG reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 94 para EMBR3.
