Embraer recebe pedido bilionário da Finnair e ação salta 7% após turbulência recente

Anúncio representa a retomada de pedidos em um momento desafiador para companhias aéreas devido à alta do petróleo

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Logo da Embraer 3/7/2024 REUTERS/Amanda Perobelli/Arquivo
Logo da Embraer 3/7/2024 REUTERS/Amanda Perobelli/Arquivo

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A Embraer (EMBJ3) anunciou no último sábado (23) que a Finnair firmou um pedido para até 46 aeronaves E195 E2, sendo 18 encomendas firmes, 16 opções e 12 direitos de compra. Com isso, nesta segunda-feira (23), a alta foi de 6,95%, a R$ 77,36.

O modelo substituirá aviões mais antigos da frota, alinhado à estratégia de expansão da companhia aérea por meio de aeronaves com maior eficiência e flexibilidade operacional.

A Bloomberg apontou que as entregas começam no terceiro trimestre de 2027 (3T27) e seguem até 2029. A Reuters acrescenta que a Finnair utilizará esses pedidos para renovar sua atual frota Airbus, podendo adquirir até 12 A320 ou A321 no mercado de usados. A companhia também firmou acordos com a Pratt & Whitney (RTX) para aquisição de motores sobressalentes e serviços de manutenção.

Na visão do Bradesco BBI, a notícia é positiva para a Embraer, pois representa a retomada de pedidos em um momento desafiador para companhias aéreas devido à alta do petróleo.

Considerando valores de lista, o pedido firme adicionaria cerca de US$ 1,6 bilhão ao backlog (carteira de pedidos) de aviação comercial da empresa (+11%) e 5% ao backlog consolidado. Com um desconto estimado de 45%, o incremento seria de aproximadamente US$ 870 milhões (+6% em comercial, +3% no consolidado).

“O anúncio reforça nossa visão de que decisões de frota têm horizonte de longo prazo, mitigando receios de desaceleração de pedidos diante de tensões geopolíticas e preços mais elevados de combustível”, avaliam os analistas do banco.

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O JPMorgan ressaltou esperar reação positiva dos ativos, principalmente após a queda de 15% acumulada do ano. “Além disso, o sentimento dos investidores deteriorou-se desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, devido a preocupações com a carteira de pedidos e o atraso em potenciais novas encomendas”, aponta o banco americano.

O Itaú BBA aponta que a notícia positiva e que reforça ainda mais o ramp-up (escalonamento da operação) da campanha do E195-E2 e adiciona mais um endosso relevante ao programa E2.

“Mais importante, avaliamos que pedidos incrementais como este devem ajudar a melhorar o momento da ação no curto prazo, especialmente em meio às preocupações dos investidores em relação a potenciais riscos de receita e de pedidos, diante de um cenário geopolítico mais incerto”, aponta o banco.

Com as entregas previstas para começar em 2027, o anúncio também sustenta a confiança no pipeline comercial da Embraer e ajuda a manter um fluxo de notícias construtivo para o programa E2. O BBA ainda estima que esse pedido possa contribuir para a carteira de encomendas da Embraer em cerca de US$ 625 milhões, considerando um desconto de 50% sobre o preço de lista, o que se compara ao backlog (carteira de pedidos) de US$ 31,6 bilhões no quarto trimestre de 2025.

O BTG Pactual também vê o pedido de forma positiva, como mais uma validação da plataforma E2, algo particularmente relevante no último ano. A Embraer ainda possui um backlog robusto que garante entregas para os próximos anos, e, portanto, reitera recomendação de compra.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.