Embraer (EMBJ3): o que esperar dos resultados do 4º trimestre após prévia?

Embraer entregou 91 aviões no 4º trimestre

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Um avião adorna o telhado da sede e fábrica de aeronaves da Embraer em São José dos Campos, Brasil, 16 de julho de 2025. REUTERS/Roosevelt Cassio/Foto de arquivo
Um avião adorna o telhado da sede e fábrica de aeronaves da Embraer em São José dos Campos, Brasil, 16 de julho de 2025. REUTERS/Roosevelt Cassio/Foto de arquivo

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A Embraer reportou entregas de 32 aeronaves comerciais e 53 jatos executivos no 4º trimestre, atendendo às suas projeções de entrega para 2025. A Embraer ainda não divulgou sua carteira de pedidos do 4º trimestre, nem a distribuição de entregas ou pedidos por clientes.

O Bradesco BBI considera os números positivos, uma vez que a fabricante de aeronaves atingiu o limite superior da previsão de entregas para 2025 no segmento de jatos executivos, com 155 aeronaves e entregou 78 unidades na divisão comercial.

As entregas do trimestre foram de 85 aeronaves, acima do consenso de 82 unidades e das estimativas do Bradesco BBI de 84 unidades, com 5 jatos executivos acima tanto da da projeção do banco quanto do consenso, enquanto a divisão de aviação comercial entregou 32 aeronaves no trimestre, ligeiramente abaixo da expectativa do BBI e do consenso.

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Após atingir sua projeção para entregas, o BBI acredita que a indicação de que a Embraer pode atender aos aspectos financeiros da orientação também é positiva. Os números reportados trazem um fator que pode ser construtivo para margens que ficarão mais claras com a composição de clientes assim que a Embraer divulgar as entregas detalhadas: uma composição de aviação comercial com maior participação de aeronaves E1 em base anual. Assim, o banco manteve recomendação de Compra e o preço-alvo de R$ 99,00.

Com as entregas concentradas no 4º trimestre de 2025, a XP Investimentos destaca a sazonalidade habitual ocorrendo novamente, com as iniciativas contínuas de nivelamento da produção (que devem ter um impacto mais significativo na produção a partir de 2026) compensadas por outros efeitos. Quanto ao mix de produtos, a instituição financeira vê uma maior representatividade dos E1s em 2025 versus 2024, com possíveis implicações na margem.

“Em meio a um desempenho disciplinado de custos e com as guidances de entrega atingidos em todas as divisões, vemos a Embraer no caminho para fechar o ano fiscal de 2025 acima do limite superior do seu guidance de rentabilidade”, comenta XP.

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O BTG destaca que a Embraer entregou um quarto trimestre acima do esperado, impulsionada pelo desempenho mais forte da aviação executiva e do segmento de defesa, que compensaram números apenas em linha na aviação comercial.

Segundo o BTG, esse número marginalmente acima do esperado reforça a sazonalidade positiva do 4T, tradicionalmente o trimestre mais forte da companhia. Com isso, o banco espera uma geração robusta de fluxo de caixa. Como referência, no 4T24 a Embraer gerou cerca de US$1 bilhão em fluxo de caixa, com 75 aeronaves entregues contra 85 aeronaves comerciais e executivas neste trimestre.

No geral, o noticiário mais construtivo do lado da demanda em praticamente todos os negócios da Embraer, aliado a um trimestre sólido em termos de resultados e geração de fluxo de caixa, e ao fato de a ação ainda negociar com desconto frente a pares globais, levou o BTG a reiterar Embraer como uma de suas principais escolhas. O banco manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 107.

Segundo estimativas do JPMorgan, o mix de entregas do 4T25 implica receita de aproximadamente US$ 2,42 bilhões, 2% abaixo da estimativa do banco, de US$ 2,46 bilhões, e 5% abaixo do consenso, de US$ 2,54 bilhões. “A diferença negativa decorre de um mix mais fraco, com menos E195-E2, o que compensou o desempenho acima do esperado no volume agregado de entregas em relação às estimativas do JPMorgan e da Cirium”, explica.

Ainda assim, na avaliação do JPMorgan, os dados de entregas são positivos para as margens, dado o peso maior do que o esperado de jatos executivos. O banco vê a EMBJ3 negociando a 11,1 vezes EV/EBITDA (Valor da Frima sobre EBITDA) para 2026, ante Airbus a 14,0 vezes, Bombardier a 13,3 vezes e Boeing a 31,9 vezes. Com isso, reiterou recomendação equivalente à compra e preço-alvo de R$ 108.