Publicidade
SÃO PAULO – Mesmo diante de um maior grau de incerteza, “o ambiente econômico será favorável em 2008 e 2009”. A projeção vem do Departamento de Pesquisa do Credit Suisse no Brasil.
Nesta terça-feira (4), o banco de investimentos revelou suas estimativas para a economia internacional e brasileira durante os próximos anos. Mesmo com algumas ressalvas, o otimismo predomina.
Desenvolvidos trazem risco
As grandes fontes de risco são os países desenvolvidos, sobretudo EUA, Europa e Japão. Uma desaceleração do nível de atividade nessas regiões não seria surpresa, afirma a equipe do banco suíço. Sobretudo mediante o prolongamento da crise imobiliária e o contingenciamento do crédito bancário.
Diante desse cenário, algumas das principais autoridades monetárias reforçarão o afrouxamento monetário, com destaque para o Federal Reserve. Manobra suficiente para restabelecer a confiança econômica, a liquidez e o apetite por risco.
A despeito de eventuais contratempos, os membros do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) estão relativamente blindados. Assim, argumenta o Credit Suisse, “o impacto sobre os países emergentes não será expressivo”. O fluxo financeiro para esses mercados permanecerá elevado, embora um pouco menor do que em 2007.
Ciclo doméstico inabalável
A resiliência da economia brasileira garantirá seqüência ao bom momento atual. Segundo a equipe do Credit, “o crescimento do PIB permanecerá elevado, caracterizando o ciclo mais longo desde a década de 1970”. As famílias tomarão mais crédito e acelerarão o consumo nos próximos anos.
Continua depois da publicidade
Os investimentos também devem aumentar, sustentando uma expansão sem grande risco de gargalos. A novidade é que eles serão financiados por poupança externa pela primeira vez em seis anos.
Na visão do banco, “o saldo comercial se reduzirá, gerando déficit em conta corrente”. Tal déficit será compensado por abundantes fluxos financeiros internacionais, estimulados pelo provável anúncio do grau de investimento, ainda no primeiro semestre de 2008.
Ponderada a aversão ao risco dada pelo cenário externo e o provável investment grade, as contas externas não serão abaladas. As reservas internacionais continuarão crescendo, prevê o Credit Suisse. E o dólar “não deve fugir do patamar de R$ 1,70 em 2008 e 2009”.
Continua depois da publicidade
Política fiscal e monetária
A despeito dos gastos abusivos do setor público, “o aumento das receitas evitará deterioração expressiva do resultado fiscal”, avalia o banco. Nesse cenário, o crescimento do PIB e o superávit primário tendem a assegurar a queda da dívida pública como porcentagem do produto.
Também vale citar o auxílio trazido pela redução da Selic. O Credit projeta juro básico de 10,25% ao final de 2008 e de 9,50% em dezembro de 2009. Níveis coerentes com uma inflação abaixo da meta de 4,5% ao ano.
Veja as principais projeções
| Projeções | 2008 | 2009 |
| Avanço do PIB | 4,5% | 5,0% |
| Reservas internacionais | US$ 240 bilhões | US$ 270 bilhões |
| Câmbio | R$ 1,70 | R$ 1,70 |
| Dívida pública/PIB | 41,5% | 38,4% |
| Selic | 10,25% | 9,50% |
| IPCA | 3,7% | 4,0% |