Em situação cada vez mais crítica, OGX despenca 17%; OSX também cai forte

Eike deverá entrar em uma câmara de arbitragem contra a sua própria empresa por conta desse exercício

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SÃO PAULO – Mais um dia complicado para a OGX Petróleo (OGXP3), que teve queda de 17,31%, aos R$ 0,43. Assim, a petrolífera de Eike Batista, que representa 7% do Ibovespa, conseguiu limitar os ganhos do índice em 1,20%, fazendo com que os ganhos fossem de apenas 0,93%, aos 54.251 pontos.

O exercício da put de US$ 1 bilhão continua controverso no mercado e corre o risco de ser um “truque”. É assim que Rafael Ferri, um dos acusados de fraude durante o episódio da “Bolha do Alicate”, em que as ações da Mundial (MNDL3) dispararam mais de 2.000% na Bovespa, acredita. Ele acredita que o exercício, na sexta-feira, foi uma manobra para livrar Eike dessa obrigação e explicitou essa visão em carta aberta à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). 

O problema é que o mercado corre o risco de que Ferri esteja certo: Eike deverá entrar em uma câmara de arbitragem contra a sua própria empresa por conta desse exercício, que, para ele, é “irregular”. Na visão de Eike, a diretoria não teria poderes o suficiente para optar pelo exercício. Não obter essa fonte de capital é perigoso, já que há o risco de que a empresa fique sem caixa até o final do trimestre. Se a esperança do mercado era a put, a impossibilidade de que ela venha para a OGX mostra o quão crítica é a situação da empresa. 

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A salvação da empresa não dependeria da put. De acordo com a Bloomberg, a última cartada de Eike é solicitar pelo menos US$ 250 milhões de capital a um grupo de investidores para evitar a falência da petrolífera, de acordo com duas fontes ouvidas pela agência. 

A injeção de capital para a OGX faria parte de um programa de reestruturação da companhia. O empresário Eike Batista solicitará aos detentores de títulos que convertam US$ 3,6 bilhões de dívida em ações da companhia, diluindo assim a participação do empresário.

O Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi e a Petronas, da Malásia, e empresas de aquisição serão convidados para participar do aumento de capital, que pode totalizar até US$ 500 milhões, de acordo com a Bloomberg. De acordo com as fontes, Eike planeja fazer uma apresentação formal sobre a reestruturação da dívida aos credores nesta semana e as negociações estão em andamento. 

OSX: contratação de consultoria por credores
Outra empresa de Eike que passou por um pregão complicado foi a OSX Brasil (OSXB3), que teve queda de 7,95%, aos R$ 0,81. Os credores da empresa contrataram o escritório de advocacia Bingham McCutchen LLP como consultor para possível reestruturação da dívida da empresa, informaram duas pessoas a par do acordo à Bloomberg. 

O escritório, com sede em Boston, representa cerca de 60% dos detentores do título, que vence em 2015, disseram as fontes que pediram anonimato. A reestruturação envolve US$ 500 milhões em títulos. Procurada, a assessoria da OSX não foi localizada por e-mail e telefonema. Timothy DeSieno, da Bingham, não quis comentar.  Os títulos da OSX caíram para US$ 0,83, um recorde de baixa, levando o yield para 24,8%. O preço era de US$ 103,53 no fim do ano passado.