Em semana mais curta e de baixo volume, bolsa pode ter movimento lateral

Longe do rali de fim de ano, mercado deve acompanhar nos quatro dias de operação os dados dos EUA e da China

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SÃO PAULO – Em um período de baixo volume de negociações, típico para esta época do ano, o Ibovespa encerrou a semana com alta de 2,86%. O índice ganhou força nos dois últimos pregões da semana, impulsionado por notícias mais favoráveis vindas da Zona do Euro e indicadores econômicos positivos na agenda norte-americana.

Contudo, no ano a bolsa brasileira acumula perdas de 16,74%, sinalizando que o tradicional rali de dezembro deve ficar para 2012, ao menos na opinião do economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira. “Apesar das altas dos últimos dias, elas não sustentam uma recuperação do índice no ano. Com isso, acredito que a expectativa pelo tradicional rali deve ficar para o ano que vem”, afirma. 

Na semana, apesar dos investidores demonstraram cautela com o crescimento trimestral dos EUA, o mercado sinalizou otimismo com os demais dados econômicos divulgados no país, que vieram acima das expectativas do mercado. Além disso, a queda na remuneração dos títulos da dívida pública de Espanha, Portugal e Itália também foi vista com bons olhos pelo mercado.

Por outro lado, o mercado ainda manteve a cautela, principalmente nos primeiros dias da semana, por conta de notícias como o fornecimento de recursos adicionais ao FMI (Fundo Monetário Internacional) pelos ministros das finanças dos países europeus, a morte do ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-I e, principalmente, o empréstimo de € 489 bilhões concedido pelo BCE (Banco Central Europeu)  aos bancos da Zona do Euro, que despertou dúvidas sobre a intensidade da crise da dívida soberana na região. 

Sem rali, índice fica lateralizado
Longe do esperado rali de fim de ano, os investidores devem acompanhar na semana entre os dias 26 e 30 de dezembro, um volume ainda mais baixo de negociações. Além disso, o mercado fechado no front externo na segunda-feira (26) e todas as bolsas fora de operação no último dia da semana reduzem para três a quantidade de pregões em que as bolsas estarão em operação conjunta. 

“São poucos dias de negociação tanto aqui como nos Estados Unidos. Com isso, o volume deve cair muito e isso até pode abrir espaço para uma melhora do mercado. Mas, se isso acontecer, deve ser mais por conta do momento típico do ano do que por referências macroecômicas. Por isso, no geral, vejo que o mercado deve ficar mais de lado nesses dias e com volume muito baixo”, diz Vieira.

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Inflação: relatório Focus pode trazer novas projeções
No primeiro dia da semana, o único destaque na agenda econômica será o Relatório Focus, já que o mercado permanecerá fechado nos Estados Unidos e na Europa. Para Rafael Dornaus, operador de bolsa da Hencorp Commcor, o boletim pode trazer uma mudança de projeções para a taxa Selic após a taxa de desemprego no Brasil ter atingido um recorde negativo. “Pode haver mudanças em termos de expectativa para a taxa de juros e, principalmente, para a inflação”, sinaliza.

No restante da semana, os destaques na agenda econômica serão, nos Estados Unidos, os preços residenciais e a confiança do consumidor.  Além disso, serão acompanhados o Initial Claims – que revela o volume semanal de pedidos de auxílio desemprego, as vendas pendentes de moradia e os indicadores antecedentes. 

A sondagem industrial, na China, e os leilões de títulos da Itália também devem ser acompanhados com atenção.