Fechamento

Em segundo pregão do ano, Ibovespa tem mais uma queda e recua 0,39%; dólar avança

Bolsa brasileira é impactada por perspectivas de altas de juros nos EUA e por ruídos fiscais locais

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa voltou a fechar em queda no pregão desta terça-feira (4), recuando 0,39%, aos 103.513 pontos. Desta vez, porém, a bolsa brasileira não ficou totalmente descolada do exterior, uma vez que dois dos três principais índices dos Estados Unidos também tiveram baixas – o S&P 500 caiu 0,06% e a Nasdaq, 1,33%.

Nos EUA, segundo comentários de operadores, investidores começam a se movimentar para antecipar o corte de estímulos do Federal Reserve. Hoje, mesmo com dados econômicos relativos ao setor industrial e ao mercado de trabalho no país frustrando os consensos, os yields dos títulos do tesouro do país registram alta considerável. O com vencimento em dez anos, por exemplo, avançou 24 pontos-base, para 1,654%.

“A criação de empregos, apesar de frustrar, veio dentro de uma faixa aceitável pelo FED. O caminho, então, está dado, para que de fato se inicie a elevação de juros. Precisaria vir muito abaixo do consenso para que algo mudasse”, comentou Rodrigo Franchini, head de relações institucionais da Monte Bravo Investimentos.

O Dow Jones conseguiu escapar das baixas e fechou em alta de 0,59%, aos 36.799 pontos, mais uma vez em sua máxima histórica. Esse índice é menos suscetível ao avanço dos yields por listar apenas blue chips, companhias já consolidadas que não são tão impactadas pela alta das taxas de juros.

Treasuries americanos pesam sobre performance do Ibovespa

A alta das taxas pagas pelos treasuries acaba, ainda, pesando na performance de todos os emergentes, incluindo o Brasil. “O programa de redução de liquidez do Fed vai afetar o volume exagerado de fluxo de capital que nós vimos no ano passado. Naturalmente, a tendência de investimentos em emergentes cai e esses países precisam se esforçara para se tornarem mais atrativos”, comenta Franchini.

No caso do Brasil, as notícias provindas da política não ajudam muito nesta questão. Investidores acompanham a situação fiscal do país, que continua sob riscos.

Em primeiro lugar, o mercado repercute ainda as falas do líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR), que mencionou, em entrevista ao Valor Econômico, uma possível revisão do teto de gastos nessa segunda-feira. Segundo ele, há um “excesso de arrecadação”, explicado em grande parte pelo avanço do comércio eletrônico, que o governo precisa gastar.

Entre outros pontos, Barros defendeu maiores gastos para a tragédia na Bahia e uma boa remuneração para o funcionalismo público, classe que vem ameaçando greves nas últimas semanas, buscando reajustes salariais.

Além disso, pesa também a sinalização de que Lula, em primeiro lugar atualmente nas pesquisas para a presidência, pode incluir o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega em sua equipe. O ex-presidente indicou o ex-ministro para escrever por ele um artigo sobre economia no jornal Folha de São Paulo.

Mantega ficou conhecido pela implementação da chamada “Nova Matriz Econômica”, que baixou o juros (impactando posteriormente a inflação) e que fez uso intensivo do BNDES para estimular empresas nacionais.

“Não agrada a ideia de Mantega na Economia. Ele foi ruim em seu outro mandato. Persistiu em erros e, por conta de suas decisões, nós ficamos em um ciclo econômico de recessão”, comentou o especialista da Monte Bravo.

Por isso, a forma que os investidores precificam, até então, um possível aumento de atratividade do Brasil é através da alta da curva de juros, com o país pagando mais para aqueles que fizerem aportes em sua economia. Os contratos DI para janeiro de 2023 subiram 0,16 ponto porcentual, para 12,04%. Os DIs para janeiro de 2025, 0,27 ponto percentual, para 11,16%. Os DIs para janeiro de 2027, 0,21 ponto percentual, para 11,10%.

O Real, com esse cenário, também sofreu. O dólar comercial se valorizou 0,48% frente à moeda brasileira, negociado a R$ 5,6897. Lá fora, a divisa americana teve alta de 0,08% frente a uma cesta de outras moeda, segundo o índice DXY.

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