Entrevista

Em ritmo acelerado de aquisições, Ambipar aponta que maior preocupação do mercado com ESG deve impulsionar crescimento

Executivo da companhia diz querer dobrar de faturamento em menos de dois anos diante de um mundo mais ambientalmente consciente

Fabio da Costa Castro, diretor de RI da Ambipar (crédito: Divulgação)

SÃO PAULO – A Ambipar (AMBP3) foi descrita por analistas do Bradesco BBI como “uma empresa para o futuro”, e considerando a importância que a pauta ESG (governança ambiental, social e corporativa, na sigla em inglês) assumiu no mercado financeiro, faz sentido que seja considerada assim.

Em entrevista ao InfoMoney, o diretor de Relações com Investidores da empresa, Fábio Castro, disse que a maior visibilidade do tema está ajudando sua companhia, que atua em dois segmentos, Enviroment (que lida com gestão de resíduos) e Response (prevenção a acidentes ambientais e resposta a emergências) a crescer ainda mais do que se esperava antes.

“Grande parte do nosso crescimento se deve dessa demanda de novos clientes. Existe no mercado financeiro mais cobrança para as empresas se tornarem mais sustentáveis”, argumenta, ressaltando que a emissão de títulos de dívida atrelados a metas de sustentabilidade é mais barata e que há uma pressão dos clientes porque as gerações mais novas estão cada vez mais preocupadas com o meio ambiente.

“A companhia dobrava de receita a cada dois anos, já aceleramos isso e a ideia é acelerar ainda mais e dobrar de faturamento em menos de dois anos. E isso se refletirá em [Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações] Ebitda e lucro. Estamos bem confortáveis com as revisões recentes dos analistas para nossos números nos próximos trimestres”, admite.

Uma dessas revisões veio do Bradesco BBI, no qual os analistas Francisco Navarrete e Ricardo França, avaliaram que a Ambipar está apenas começando a mostrar seu alto potencial de crescimento no Brasil, América Latina e Estados Unidos.

De acordo com eles, a Ambipar executou brilhantemente desde a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) em 10 de julho de 2020 – as ações começaram a ser negociadas no dia 13 – seu plano de financiar a expansão da unidade de Resposta a Emergências (ER).

Já foram realizadas: a compra de sete unidades ER em 10 locais estratégicos com receita estimada de US$ 72 milhões para o final de 2022 (14% da receita total consolidada); preparação para lançar um call center próprio para emergências de materiais perigosos; vitória no contrato de 10 anos para operar o maior centro de treinamento ER do mundo (o TTC no Colorado).

“Esperamos que o negócio de ER da Ambipar (Brasil + internacional) registre Ebitda de R$ 175 milhões no ano de 2021, saltando para R$ 240 milhões no ano de 2022 ou 40% do Ebitda consolidado total (fusões & aquisições totalmente refletidos)”, escreve o Bradesco.

Para o Bradesco, o alto potencial de crescimento da Ambipar reflete um mundo em mudança, no qual as
indústrias em todos os segmentos estão se concentrando mais em boas práticas de produção e a companhia oferece soluções críticas para as indústrias em geral atingirem padrões elevados de ESG.

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Fábio Castro lembra que a Ambipar fez 17 aquisições ou fusões desde seu IPO, sendo que a mais recente foi a compra da Disal, que atua em gestão ambiental no Chile, no Paraguai e no Peru. “M&A está no sangue da companhia e 70% do recurso do IPO foi usado para comprar novas empresas. Gastamos R$ 770 milhões de uma oferta de quase R$ 1,1 bilhão. E a companhia conseguiu entregar e crescer mais rápido do que os analistas projetavam”, comemora, apontando ainda que a empresa pretende adquirir mais negócios no futuro. “Temos apetite para mais, e já há alguns no radar”.

O maior desafio da companhia, na opinião do executivo, é justamente fazer a integração de tantas empresas diferentes sob um único guarda-chuva. Uma das medidas tomadas para garantir essa convergência de culturas foi a manutenção dos antigos donos ou administradores ao mesmo tempo em que se trabalhava com um centro de serviços compartilhado e um back office estruturado.

“Esse processo de integração leva de dois a seis meses, porém é muito proveitoso. Quando olhamos para as empresas pré e pós aquisição dá para ver que elas mudam para melhor por ganhar o nosso portfolio de serviços.”

Segundo Castro, outro ponto importante é que o ESG da Ambipar não é só devido ao seu ramo de atuação, mas é efetivamente uma preocupação de seus gestores.

“Na parte de meio ambiente neutralizamos nossas emissões de gases do efeito estufa no ano passado, estamos implantando painéis solares para a energia e abastecemos caminhões com água de chuva. Já nossa parte social é de muito respeito à diversidade. Temos uma CEO mulher, nossa diretoria tem mais de 40% de mulheres, e isso foi algo que ocorreu naturalmente. Por fim, em governança corporativa é importante notar que entramos na B3 no segmento Novo Mercado, o mais rígido nesse sentido”, conta.

Desde a estreia das ações, precificada a R$ 24,75, a ação da Ambipar já subiu 73% (em relação à cotação de fechamento da última terça-feira, 20), a R$ 42,80. A recomendação do Bradesco BBI para o papel é de compra com preço-alvo de R$ 63,00, o que representa uma valorização de 47,20% sobre o fechamento do ativo na terça-feira.

Veja abaixo o compilado das recomendações de diversos bancos, corretoras e casas de análise para as AMBP3. 

Recomendação de compraRecomendação neutraRecomendação de vendaPreço-alvo médioPotencial de valorização até o preço-alvo
410R$ 51,6520,68%

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