No azul

Em nova sessão volátil, Ibovespa fecha em alta de 0,20%

Índice registrou queda com abertura dos mercados norte-americanos, mas reagiu positivamente com discurso de Obama

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SÃO PAULO – Em outro dia de volatilidade para o mercado acionário brasileiro, o Ibovespa ganhou forças durante a tarde e fechou a sessão desta quarta-feira (5) no positivo. Isso depois de registrar queda durante o final da manhã e o início da tarde, após a abertura das bolsas norte-americanas. Com isso, o benchmark da bolsa fechou em alta de 0,20%, aos 57.678 pontos, perdendo um pouco de forças no final da sessão. O giro financeiro foi de R$ 6,67 bilhões. 

Esta virada ocorreu em meio aos comentários otimistas sobre o abismo fiscal feitos pelo presidente norte-americano, Barack Obama, que foram bem recebidos pelos mercados acionários no pregão, levando o índice a registrar ganhos de cerca de 0,5%. As declarações foram dados pelo presidente durante evento com importantes líderes empresariais dos EUA. 

Acordo fiscal deve sair essa semana, diz Obama
O chefe da Casa Branca garantiu que um acordo sobre o abismo fiscal poderá ser alcançado em uma semana, caso os republicanos aceitem a proposta de impostos mais elevados para pessoas mais ricas. “Nós não estamos insistindo em impostos por vingança, mas porque precisamos levantar certa quantia de receita”, afirmou Obama à Business Roundtable, uma associação que representa executivos de grandes empresas dos EUA.

Pouco antes do discurso do presidente norte-americano, no entanto, os republicanos disseram que os conversas estavam num impasse e que exigiram uma reunião com Obama para avançar com as negociações.

Mais cedo, entretanto, o mercado estava mais pessimista devido ao comunicado do novo líder chinês, Xi Jinping, afirmando que o país continuará a ajustar as políticas econômicas em 2013 para garantir crescimento estáveis.

Altas e baixas 
Dentre os destaques da sessão, destacam-se negativamente o desempenho dos papéis do JBS (JBSS3), com queda de 6,74%, aos R$ 5,26, seguido pelos papéis PN classe A da Usiminas (USIM5, R$ 12,27, -5,54%). Já as ações da Eletrobras (ELET3, -5,48%, R$ 6,90; ELET6, -3,81%, R$ 9,09) tiveram fortes perdas no índice, no dia em que as empresas que concordaram com a proposta do governo assinaram os novos contratos, em Brasília.

Os ativos do Marfrig (MRFG3) viram suas ações caírem 2,76%, após chegarem a cair 10,50%, sendo cotadas a R$ 8,80, após a precificação da oferta de ações vir abaixo do valor de mercado. Chama a atenção também a movimentação das ações da MMX Mineração (MMXM3), que recuaram 4,58%, para R$ 3,75. Essa queda foi contraposta com o movimento dos papéis da OGX Petróleo (OGXP3), que subiram 3,03%, e atingem os R$ 4,42.

Na ponta oposta, estiveram os papéis da Fibria (FIBR3), com ganhos de 4,89% (R$ 23,60), em meio aos rumores de que a Suzano (SUZB5) irá aumentar os preços do papel e celulose. Como uma acompanha o movimento da outra, a Fibria também acabou registrando ganhos. 

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 FIBR3 FIBRIA ON23,60+4,89+70,1599,20M
 GFSA3 GAFISA ON4,44+3,98+7,7743,38M
 LAME4 LOJAS AMERIC PN18,68+3,03+68,0828,21M
 OGXP3 OGX PETROLEO ON4,42+3,03-67,55175,29M
 GGBR4 GERDAU PN18,01+2,27+26,2887,38M

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As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 JBSS3 JBS ON5,26-6,74-13,4939,84M
 USIM5 USIMINAS PNA12,27-5,54+21,66134,48M
 ELET3 ELETROBRAS ON6,90-5,48-57,8827,63M
 USIM3 USIMINAS ON13,16-4,98-22,955,55M
 DASA3 DASA ON12,15-4,71-21,4225,10M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Neg 
 VALE5 VALE PNA36,69+1,75614,43M27.461 
 PETR4 PETROBRAS PN18,94+0,64312,39M21.071 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED32,81+0,52267,82M18.500 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ35,85+1,59227,44M16.153 
 VALE3 VALE ON37,30+1,63184,96M11.797 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON4,42+3,03175,29M27.694 
 MRFG3 MARFRIG ON8,80-2,76166,19M18.304 
 CMIG4 CEMIG PN23,90-3,63155,39M14.227 
 CIEL3 CIELO ON54,00-1,04152,99M5.349 
 PETR3 PETROBRAS ON19,29+0,68150,58M9.829 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Indicadores econômicos não animam
Quem não animou muito foram os indicadores econômicos externos, que ainda sinalizam uma economia enfraquecida: o índice que mede o setor de serviços da zona do euro subiu em novembro, mas ainda aponta contração, pelo décimo mês consecutivo. Enquanto isso, na China o PMI (Índice Gerente de Compras) de serviços desacelerou por conta do fraco avanço em novas encomendas, levando-o a cair para 52,1 em novembro, ante 53,5 em outubro.

Na mesma linha, os Estados Unidos mostraram a criação de 118 mil empregos no setor privado em novembro, segundo o último relatório da ADP, mas ainda ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, de 125 mil novas vagas. O documento é divulgado dois dias antes do governo anunciar o Relatório de Emprego, que engloba o setor público e privado. 

A exceção ficou com o indicador de produtividade do trabalhor norte-americano no terceiro trimestre – excluindo o setor agrícola -, que mostrou avanço de 2,9%, um pouco acima do esperado pelos analistas.  

Na agenda doméstica, destaque para o fluxo cambial, com a entrada de dólares no País superando a saída em US$ 4,8 bilhões em novembro. Já o IC-Br (Índice de Commodities Brasil) calculado mensalmente pelo Banco Central, apresentou alta de 0,68% no último mês. 

Bolsas Internacionais
O índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas , fechou em alta de 0,64% e atingiu 13.034 pontos, seguindo esta tendência, o índice S&P 500 valorizou-se 0,10% a 1.408 pontos. Por outro lado, a Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em baixa de 0,77% atingindo 2.974 pontos.

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Na Europa, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres registrou leve alta de 0,39% e atingiu 5.892 pontos; no mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris valorizou-se 0,28% chegando a 3.591 pontos e o DAX 30, da bolsa de Frankfurt, subiu 0,26% a 7.455 pontos.

Dólar
O dólar comercial fechou em nova baixa, com queda de 0,90% terminando a R$ 2,0970 na venda. Essa foi a maior queda diária desde 2 de julho, em meio às medidas do governo para conter a valorização da moeda norte-americana. 

Renda Fixa
As taxas dos principais contratos de juros futuros fecharam em leve queda na sessão. O contrato de juros de maior liquidez nesta segunda-feira, com vencimento em janeiro de 2014, por sua vez, ficou estável aos 7,09%.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em queda de 0,36%, a 126,79% do valor de face. Já o indicador de risco-País fechou em alta de cinco pontos-base, aos 157 ante 152 pontos do dia anterior, com alta de 3,29%.

Agenda da próxima sessão
A agenda da próxima quinta-feira (6) também estará com diversos eventos econômicos. A FGV (Fundação Getulio Vargas) publica o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) de novembro, importante medida de inflação nacional. O instituto ainda revela o Levantamento da Produção Agrícola referente ao mês de novembro. Por fim, o Dieese revela o ICV (Índice de Custo de Vida) referente ao mês de novembro. O relatório contém informações a respeito do custo de vida dos moradores do município de São Paulo.

Nos EUA, será revelado o número de pedidos de auxílio-desemprego (Initial Claims), em base semanal. Na Europa, o dia também estará movimentado, sendo marcado pela reunião de política monetária do Banco Central Europeu e pela reunião do BoE (Bank of England), quando será definido o rumo da taxa básica de juro da região.