Em “nova fase”, diretor da BrasilAgro vê desconto de 50% no preço das ações

Com negócio maduro, empresa trabalha para melhorar liquidez das ações, que estão negociadas pela metade do valor de liquidação da companhia

Paula Barra

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SÃO PAULO – Passados sete anos de muito trabalho e promessas, a BrasilAgro (AGRO3) inicia um ciclo novo na bolsa: a hora de colher o resultado.

A empresa começou a ser negociada na BM&FBovespa em 2006, quando captou R$ 580 milhões em seu IPO (Inicial Public Offering) tendo em mãos um plano e praticamente nenhum negócio para gerar receitas. Agora, no entanto, chegou o momento de mostrar ao mercado o resultado do seu trabalho. 

“Atingimos nesse ano safra 2012/2013 nossa maturação. Temos agora 20% do nosso portfólio pronto para ser vendido”, disse o diretor de relações com investidores da BrasilAgro, Júlio Piza, em entevista ao Portal InfoMoney. 

Entre julho do ano passado até maio, a empresa vendeu praticamente 15% do seu portfólio em reais, que foi avaliado em 2012 a R$ 885 milhões. No total, foram três vendas: Fazenda Horizontina, no Maranhão, por R$ 75 milhões, Fazenda Cremaq, no Piauí, por R$ 42,1 milhões, e Fazenda Araucária, em Goiás, por R$ 11,7 milhões, perfazendo um montante de R$ 128,8 milhões.

O executivo explica como o negócio da BrasilAgro funciona na prática: “compramos a terra, colocamos infraestrutura, internet, casa. Não compramos apenas um monte de terra e esperamos valorizar. A partir do momento que enxergamos que não tem mais nada a ser feito na propriedade ativamente, é o momento de vender. E isso demora, em média, cerca de cinco a seis anos, mas pode variar de três a doze anos”, diz Piza.

É hora do motor começar a girar
Essa fase de desinvestimentos chegou agora para a empresa. “Agora o negócio vai começar a rodar, as vendas de fazendas serão mais recorrentes e devemos realizar novas compras”, disse.

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Aproveitando esse momento, a empresa começa a fazer um trabalho mais intenso para expor seu trabalho com os investidores. Nesse sentido, nos últimos meses, a empresa intensificou seus encontros com gestores de recursos, visitas monitoradas a fazendas e presenças em eventos.  

Essa estratégia visa melhorar a liquidez do papel, que no início de sua negociação na bolsa era concentrada praticamente a investidores qualificados. Há um ano e meio, comenta o executivo, esses investidores qualificados começaram a desmontar suas posições, e esses blocos começaram a ser pulverizados, o que vem ajudando a melhorar a liquidez da ação. Antes, as ações da empresa registravam um volume financeiro médio de cerca de R$ 20 mil a R$ 30 mil, em abril, o giro médio diário foi de R$ 500 mil. 

Isso coincide com essa fase de maturação da empresa, que só foi atingida agora. “Se voltarmos dois anos, a empresa tinha prejuízo, um monte de terras, investimentos e uma despesa administrativa enorme comparada com a receita. Isso mudou, temos corpo no balanço agora. E isso atrai mais investidores”, comenta. 

Em 2007, a empresa plantou 20 mil hectares, no ano safra 2012/2013, foram 72 mil hectares. “Esse aumento gerou um fluxo de caixa que já paga as despesas da empresa. É uma outra etapa da companhia”, disse.

Ação: 50% abaixo do valor de liquidação
Ainda assim, a ação da BrasilAgro é cotada bem abaixo do seu valor estimado de liquidação, de R$ 20,00, sem considerar fatores como desconto de liquidez e bônus de subscrição. Segundo fechamento da última terça-feira, o papel valia R$ 9,95. Isso significa que se a empresa fosse liquidada, o papel estaria defasado em 100%. “Ainda tem muito espaço para valorização”, comenta.

“Se olharmos de um ano para cá, a foto do nosso portfólio é outra. Muita coisa se valorizou. O que antes era cerrado, por exemplo, hoje é fazenda produtiva, além de muita terra que estava no meio do caminho e atualmente está pronta para ser vendida”, destacou.

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Hoje, 39,6% das ações da empresa estão nas mãos do seu controlador – a argentina Cresud, que administra quase 1 milhão de hectares agricultáveis na América do Sul. As demais ações estão livremente negociadas na bolsa. O fundo JPMorgan Whitefriars, o empresário Elie Horn e o Banco Fator detêm 10,5%, 5,6% e 5,3% dos papéis, respectivamente.

“Grande valor é a terra”
A diferença da BrasilAgro para os outros players do setor listados na bolsa é o foco: “nosso maior valor é a terra. Tratamos a terra como um produto, não como um ativo”, disse o executivo. 

Desde o início das operações, a companhia construiu mais de 1,3 mil quilômetros de estradas internas, 75 quilômetros de ramais de energia e quase 19 mil metros quadrados de armazéns, alojamentos, refeitórios, casas e escolas.

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Segundo Piza, o avanço da infraestrutura permitirá uma maior desconcentração do propriedade rural em áreas remotas como o cerrado piuiense, hoje ocupadas basicamente por grandes grupos empresariais. 

O foco da empresa são regiões de fronteiras e que não estejam tão desenvolvidas. O sul e sudesta já está muito saturado e não daria uma boa taxa interna de retorno para a empresa, que gira em torno de 20% a 27%, explica. A empresa está “equipada para lidar com os desafios de infraestrutura no Brasil e vemos isso como uma oportunidade para novas aquisições”.