Em movimento de ajuste, dólar comercial fecha em alta nesta terça-feira

Mercado esteve atento ao possível retorno do BC ao mercado de câmbio; declarações de membro do FMI pesaram

Publicidade

SÃO PAULO – O dólar comercial fechou em alta nesta terça-feira, com os investidores promovendo um movimento de ajuste na cotação da moeda. Na última segunda-feira, a divisa atingira o menor patamar desde maio de 2002, pressionada pelo bom desempenho da balança comercial brasileira, referente à quarta semana de abril.

Nesta terça-feira, investidores estiveram atentos a um possível retorno do Banco Central às negociações no mercado de câmbio, que não aconteceu. Analistas acreditam que quanto menor a cotação do dólar, maior é a probabilidade da autoridade monetária voltar a atuar no mercado de câmbio.

Banco Central se mantém ausente

Desde o último dia 17 de março, o BC não atua comprando dólares e há seis semanas não realiza leilão de swap cambial. O mercado aguarda a decisão da entidade sobre a realização ou não do leilão na próxima quarta-feira.

Este tipo de operação vinha sendo utilizado pela entidade como um mecanismo para a diminuição da exposição cambial do governo e, como efeito prático, promovia uma compra da moeda norte-americana no mercado futuro, o que impedia uma valorização mais expressiva do real.

Declarações pesaram sobre a moeda

Na última segunda-feira, Teresa Ter-Minassian, diretora do Departamento de Relações Fiscais do FMI (Fundo Monetário Internacional), afirmou que a dívida pública brasileira ainda é alta e tem uma composição frágil, o que deixa o país vulnerável. A declaração contribuiu para a alta do dólar nesta terça-feira.

No entanto, analistas acreditam que a tendência da moeda norte-americana ainda é de queda. O ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior, José Roberto Mendonça de Barros, afirmou que “sem a ação do BC, o dólar deve cair abaixo de R$ 2,50 e depois vai testar os R$ 2,45”, de acordo com reportagem publicada nesta manhã no jornal “Valor Econômico”.
Dólar fecha em alta

Continua depois da publicidade

O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,5330 na compra e R$ 2,5360
na venda, alta de 0,52% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$
2,7990, representando um ágio de 10,50%
em relação ao dólar comercial.
Apesar desta alta, o
dólar acumula desvalorização de 4,95% em abril, frente
à baixa de 1,65% registrada no mês passado.

No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 4,41%.

Dólar futuro na BM&F
também fechou em alta

Continua depois da publicidade

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em maio
encerrou o dia cotado a R$ 2.540,
alta de 0,45% em relação ao fechamento
de R$ 2.529
da última segunda-feira. O contrato com vencimento em junho, por sua vez, fechou em alta de 0,40%,
atingindo R$ 2.572 frente
à R$ 2.562 do fechamento anterior.

Curva de FRA de cupom cambial

O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 2,78% para junho de 2005, com alta de 0,03 ponto percentual em relação à cotação de ajuste da sessão anterior. Já o contrato referente a janeiro de 2006, encerrou a 3,62%, com queda de 0,04 ponto percentual em relação ao valor de ajuste da sessão anterior.