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SÃO PAULO – O mês de outubro certamente trouxe muitas surpresas aos investidores, com o mercado financeiro mostrando forte volatilidade. O cenário externo acabou concentrando as atenções e determinando o desempenho dos mercados brasileiros, com a bolsa fechando em queda e o dólar em alta em função do menor fluxo de investimento estrangeiro.
Dentro deste cenário conturbado, porém, ganhou mais quem investiu de forma mais tradicional. Mesmo com o corte de 0,50 ponto percentual na Selic, a taxa básica de juro da economia, quem investiu em renda fixa continuou obtendo boa rentabilidade, principalmente considerando também o baixo perfil de risco desta categoria de investimento.
Embora com um perfil de maior risco, o investimento em dólar também mostrou bom desempenho no mês. Contrariando a tendência dos últimos meses, o dólar oficial, medido pela Ptax, registrou alta de 1,44% em outubro. As preocupações em torno da trajetória da taxa dos Fed Funds, a redução do diferencial dos juros internos e externos, aliada às sistemáticas compras de divisas por parte do Banco Central ao longo do mês, motivaram a valorização do dólar.
Mês marcado pelo nervosismo dos investidores
Talvez o grande fato do mês de outubro tenha sido a elevação do grau de aversão ao risco por parte dos investidores estrangeiros. Com o mercado temendo que o ciclo do aperto monetário nos EUA possa ser intensificado ou ao menos estendido por um período de tempo maior do que o anteriormente esperado, diante de um quadro de aumento das pressões inflacionárias, muitos investidores reduziram sua exposição nos mercados de países emergentes.
Exemplo disto aparece nos dados da Bolsa de Valores de São Paulo, que ilustram uma saída líquida de investimentos estrangeiros no valor de aproximadamente R$ 228 milhões, entre os dias 3 e 26 de outubro. Isso acabou afetando de forma significativa o mercado de ações, que, com uma queda de 4,40% do Ibovespa, não repetiu o bom desempenho dos meses anteriores.
CDB, melhor investimento
Diante deste cenário conturbado, quem investiu em CDBs pré-fixados, com rentabilidade de 1,49% no mês, cravou a melhor alternativa de investimento no período. Como o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), referente a outubro, apurou inflação de 0,60%, depois de uma seqüência de cinco deflações consecutivas, a valorização, em termos reais, foi de 0,88%.
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Refletindo o ainda elevado patamar do juro básico brasileiro, mesmo com a adoção de uma política monetária menos restritiva por parte do Copom, o CDI voltou a mostrar boa rentabilidade. Em outubro, a aplicação ofereceu um retorno de 1,41%, em termos nominais, e de 0,80%, em termos reais.
Dentre os destaques positivos de rentabilidade, o dólar, medido pela PTAX calculada pelo Banco Central, também merece atenção. A moeda norte-americana, que encerrou o mês cotada a R$ 2,2543, registrou valorização de 1,44% em termos nominais frente ao real, correspondendo a uma rentabilidade líquida de 0,83% quando descontada a inflação medida pelo IGP-M.
Ibovespa teve forte queda
Depois de acumular ganhos de quase 30% no terceiro trimestre, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, recuou 4,40% em outubro, apontando para uma queda de 4,97% em termos reais.
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Além de um movimento de realização de lucros, as perdas foram reflexo, em especial, da deterioração do cenário externo. Mesmo com um corte mais robusto na taxa básica de juro da economia brasileira e a nomeação de Ben Bernanke para a sucessão de Alan Greenspan na presidência do Fed, a qual foi bem recebida pelo mercado, a bolsa paulista registrou perdas significativas no mês de outubro.
Em uma análise do panorama corporativo, destaque para a queda das ações da Sadia (-17,46%), diante da descoberta de um foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e do temor de que um foco de gripe aviária atinja o Brasil, e para o recuo dos papéis ordinários da Brasil Telecom Participações (-18,82%), com investidores diminuindo suas apostas na proximidade de uma troca de controle na companhia que estendesse aos minoritários os direitos de tag along.
Confira na tabela abaixo a rentabilidade dos principais investimentos:
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| Investimento | Outubro | Real* | Setembro | Real** | Ibovespa | -4,40% | -4,97% | +12,62% | +13,22% |
| CDI*** | +1,41% | +0,80% | +1,50% | +2,04% | CDB **** | +1,49% | +0,88% | +1,51% | +2,05% |
| Poupança | +0,75% | +0,15% | +0,76% | +1,29% |
| Dólar Paralelo | -0,12% | -0,72% | -4,34% | -3,83% |
| Dólar Ptax | +1,44% | +0,83% | -6,33% | -5,83% |
| Ouro | -0,44% | -1,03% | +2,27% | +2,81% |
| IGP-M | +0,60% | -0,53% |
* Deduzida a inflação pelo IGP-M que ficou em 0,60% em outubro
** Deduzida a deflação pelo IGP-M que ficou em 0,53% em setembro
*** Taxa Efetiva Andima
**** Taxa pré 30 dias