Em maior operação da história, PF deflagra “Carne Fraca” com 38 mandados de prisão; BRF e JBS na mira

A operação investiga envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos

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SÃO PAULO – A Polícia Federal deflagrou nesta manhã a operação “Carne Fraca”, cumprindo mais de 300 mandados judiciais  em 7 estados federativos: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. São 27 mandados de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão. 

A operação investiga envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos.  Segundo a PF, essa é a maior operação já realizada na história da instituição. Estão sendo mobilizados 1.100 policiais e a Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das investigadas . A investigação revelou até o uso de carnes podres, maquiadas com ácido ascórbico, e a re-embalagem de produtos vencidos por alguns frigoríficos.

De acordo com a PF, a operação detectou em quase dois anos de investigação que as Superintendências Regionais do Ministério da Pesca e Agricultura do Estado do Paraná, Minas Gerais e Goiás ‘atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público’. 

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Entre os presos preventivamente estão o gerente de relações institucionais e governamentais da BRF (que detém as marcas Sadia e Perdigão), Roney Nogueira dos Santos, e o executivo do grupo JBS  (que detém as marcas Seara, Swift, Friboi e Vigor). Flavio Cassou. O vice-presidente da BRF, José Roberto Pernomian Rodrigues, foi conduzido coercitivamente para depor. Em nota, a JBS confirmou que três unidades produtivas da empresa — duas no Paraná e outra em Goiás — foram alvo da Operação. “A Companhia repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos – seja na produção e ou comercialização — e se mantém à disposição das autoridades com o melhor interesse em contribuir com o esclarecimento dos fatos”, acrescentou a JBS, em nota. 

Já a BRF afirmou que reitera que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas. “A BRF assegura a qualidade e a segurança de seus produtos e garante que não há nenhum risco para seus consumidores, seja no Brasil ou nos mais de 150 países em que atua”, informou.

Segundo a Folha, também estão na lista funcionários da Seara e do frigorífico Peccin –um dos que tinha irregularidades gravíssimas, como uso de carnes podres, segundo a PF–, além de fiscais do Ministério da Agricultura.

“Os agentes públicos, utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva. Dentre as ilegalidades praticadas no âmbito do setor público, denota-se a remoção de agentes públicos com desvio de finalidade para atender interesses dos grupos empresariais. Tal conduta permitia a continuidade delitiva de frigoríficos e empresas do ramo alimentício que operavam em total desrespeito à legislação vigente”, diz a nota da PF. Segundo a PF, as investigações atingem algumas das maiores empresas do país. Os fiscais, afirma, atuavam pedindo propina para empresários, que cediam e chegavam a receber até o poder de indicar quem exerceria a fiscalização nas empresas.

Conforme a PF, o nome da operação faz alusão a uma expressão popular que está em sintonia com a má qualidade dos alimentos vendidos pelas empresas. . A expressão popular demonstra uma fragilidade moral de agentes públicos federais que deveriam zelar e fiscalizar a qualidade dos alimentos fornecidos a sociedade.

 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.