Destaques da Bolsa

Em dia instável, Vale fecha em queda de olho em sucessor; ações vão de alta de 6% à queda de 8% reagindo a balanços

Confira os principais destaques corporativos da sessão desta sexta-feira (24)

SÃO PAULO – Em meio ao cenário de cautela do mercado com o cenário político e de olho nas políticas anunciadas por Donald Trump, o Ibovespa fechou a sessão desta sexta em queda, mas o mês foi de alta de 3% para o índice.

Entre os destaques positivos de fevereiro, as ações que mais subiram em fevereiro foram a Smiles (SMLE3, R$ 61,72, +18,69%), com alta de quase 19% no mês, impulsionados pelo resultado do quarto trimestre divulgados na semana passada. Cemig (CMIG4, R$ 10,69, +16,96%) também registrou um forte desempenho positivo, assim como a CCR (CCRO3, R$ 18,09, +16,63%), esta última se beneficiando do cenário de queda dos juros e expectativa por novas concessões.

Já entre os destaques de queda, a Fibria (FIBR3, R$ 26,58, -9,50%) registrou baixa em meio à desvalorização de 1,20% do dólar no mês, enquanto a expectativa de um cenário desafiador para 2017 fizeram as ações da Raia Drogasil (RADL3, R$ 59,40, -9,31) registrarem a segunda maior queda do Ibovespa mesmo após a divulgação em fevereiro de um balanço bastante resiliente. 

Como foram as ações nesta sexta:
Na véspera do feriado prolongado de carnaval, que manterá a Bolsa fechada até 13h de quarta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 1,18%, com os investidores de olho no agitado noticiário corporativo envolvendo a Vale com a saída de Murilo Ferreira da presidência e diversas ações reagindo aos resultados do quarto trimestre. Confira os destaques do pregão desta sexta-feira (24):

Vale (VALE3, R$ 32,72, -1,36%; VALE5, R$ 31,51, -0,44%)
A Vale informou nesta manhã que Murilo Ferreira não renovará seu contrato como diretor-presidente da companhia, com seu contrato encerrando no próximo dia 26 de maio. Ele está no cargo desde maio de 2011. Na mínima do dia, os papéis chegaram a cair 3,5%, mas passaram a se recuperar no início da tarde após a conferência do CEO, mas fecharam em queda. O movimento também afetar a holding Bradespar (BRAP4, R$ 23,45, +0,64%), que fechou com leves ganhos após chegar a cair 5,5%.

Em comunicado, a mineradora destacou que Ferreira “liderou a Vale durante um período de muita turbulência na indústria da mineração mundial e enfrentou alguns dos momentos mais difíceis da história da empresa”. “Em sua gestão, a Vale se tornou uma empresa mais enxuta e mais ágil, aumentando significativamente sua competitividade operacional e mantendo um nível de endividamento saudável”, diz a nota.

A saída rende interpretações distintas entre analistas, que ainda aguardam o nome do substituto. Os analistas do Bank of America questionam o motivo da saída e lembram que ele foi parte importante no processo para encerrar a estrutura dupla acionária. Já para Pedro Galdi, analista da Upside Investor, “a decisão de trocar Murilo é claramente política”. “Temer
vai ter a palavra final na indicação do novo presidente. Vamos ver se ele escolhe alguém técnico que agrade o mercado”, afirma.

Vale destacar ainda o desempenho do minério de ferro, com os contratos futuros da commodity negociados na bolsa chinesa de Dailian caindo pelo terceiro dia seguido, com perdas de 2,37%, a 699 iuanes. Já o minério de ferro negociado com 62% de pureza no porto chinês de Qingdao recuou 0,92%, para US$ 90,50.

BRF (BRFS3, R$ 40,62, +0,05%)
A BRF teve prejuízo no quarto trimestre, refletindo cenário de custos ainda elevados, combinado com prática de preços menores para defender participação de mercado em regiões chave. A companhia anunciou que teve prejuízo líquido de R$ 460 milhões no período, ante lucro líquido de R$ 1,415 bilhão no mesmo período de 2015.

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A companhia afirmou que o resultado refletiu principalmente o impacto do desempenho operacional mais fraco. A receita líquida da BRF no período caiu 4,1% ano a ano, para R$ 8,59 bilhões. O resultado operacional da companhia medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) teve uma queda de 70,4%, para R$ 559 milhões.

Para os analistas Luciana Carvalho e Victor Penna, do BB Investimentos, a queda contínua dos preços médios e a menor competitividade da exportação impactaram os resultados, levando a receita líquida a uma queda de 4,1%, para R $ 8,6 bilhões. Mas um dos principais problemas foi a estratégia de manter os preços baixos em algumas regiões, o que pressionou as margens da companhia.

Por outro lado, eles ressaltam que os preços do milho apresentaram alguns sinais de queda diante de uma previsão positiva para a safra no Brasil, o que pode levar a um alívio da pressão sobre as margens nos próximos trimestres. “No entanto, a fraca competitividade das exportações e do mercado interno, que é provável que continue, permanecem como os principais pontos de preocupação”, alertam.

Marfrig (MRFG3, R$ 6,25, +2,29%)
A Marfrig teve prejuízo líquido de R$ 270,7 milhões no quarto trimestre de 2016, maior do que o resultado negativo de R$ 194,9 milhões apurado nos mesmos meses do ano anterior. A empresa disse que, excluindo o ganho auferido em vendas de ativos e participações, bem como seus resultados operacionais, houve prejuízo de R$ 241 milhões contra perda de R$ 72,1 milhões um ano antes. O Ebitda somou R$ 355,5 milhões de reais ante R$ 464,3 milhões no último trimestre de 2015.

Com boa parte de sua dívida atrelada ao dólar, a Marfrig reduziu o endividamento bruto para US$ 3,4 bilhões ao fim de 2016 graças à depreciação da moeda norte-americana, com prazo médio de 3,9 anos. Os investimentos atingiram R$ 181,6 milhões de outubro a dezembro, elevando o valor total desembolsado no último ano pela companhia para R$ 526,1 milhões. O montante fica dentro do guidance de R$ 450 milhões a R$ 550 milhões traçado para 2016.

No acumulado do ano, a Marfrig registrou prejuízo líquido ao acionista controlador de R$ 726 milhões, quase metade da perda de R$ 1,424 bilhão apurada em 2015. A receita líquida anual caiu 1,1%, para R$ 19,335 bilhões, em linha com a previsão de R$ 19 bilhões a R$ 20 bilhões divulgada pela empresa.

Para a equipe do BTG Pactual, ainda falta uma melhora maior para a companhia, o que justifica uma recomendação ainda neutra dos analistas. Segundo eles, embora a recente conversão das debêntures do BNDES seja um passo importante para a estabilização da geração de fluxo de caixa, a Marfrig ainda não gera lucro superior a R$ 135 milhões, o que implica um valuation de 25x P/2017E ou um yield fraco de 3%. Com isso, o upside para a ação ainda é baixo para eles.

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 57,45, -1,12%)
O Grupo Pão de Açúcar fechou o quarto trimestre de 2016 com prejuízo líquido consolidado de R$ 29 milhões, uma melhora ante o prejuízo líquido de R$ 384 milhões do mesmo período do ano anterior. O Assaí foi o único segmento do grupo que registrou resultado positivo nesta base de comparação, com alta de 56,9% no lucro líquido, para R$ 146 milhões.

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A receita líquida consolidada do Grupo subiu 12,1% no quarto trimestre, para R$ 11,7 bilhões, ante os R$ 10,4 bilhões do mesmo período do ano anterior. O custo de vendas da companhia cresceu 15,5%, para R$ 9,0 bilhões no quarto trimestre de 2016, ante R$ 7,8 bilhões no mesmo trimestre de 2015. Já o Ebitda entre outubro e dezembro ficou em R$ 467 milhões, queda de 40,2% ante os R$ 781 milhões de um ano antes.

Para a XP Investimentos, o GPA reportou números sólidos no quarto trimestre, mostrando que as estratégias comerciais permitiram ganhos de market share no período. “Embora tanto a margem bruta como a margem EBITDA tenham caído no trimestre, ainda vieram em linha com o consenso”, avaliam. Eles lembram, porém, que o mercado esperava um lucro, enquanto a empresa reportou prejuízo líquido, parcialmente em função do aumento das despesas financeiras.

Raia Drogasil (RADL3, R$ 59,40, -2,30%)

As ações da Raia Drogasil registraram forte baixa, chegando  cair 3,52% na variação mais negativa do dia, para R$ 58,66, o menor patamar desde 27 de dezembro.

Os analistas do Santander apontaram em relatório os desafios da companhia, ressaltando a análise da empresa sobre o cenário complexo para 2017 dada a base de comparação difícil em termos de margem bruta e um menor aumento de preços para medicamentos na comparação anual. Os analistas do Santander João Mamede e Jessica Bessa fizeram o relatório depois de encontro com os executivos da Raia Drogasil, que ressaltaram que o reajuste esperado dos preços será muito menor este ano, pressionando as margens, especialmente no segundo e terceiro trimestres. 
Oi (OIBR3, R$ 4,24, +4,43%; OIBR4, R$ 3,42, +3,01%)

As ações da Oi chegaram a subir até 14% (ON) na máxima do dia, mas diminuíram os ganhos em meio à notícia de que o empresário Nelson Tanure virou sócio do grupo português Pharol. A Pharol é a maior acionista da Oi com 22% de participação, enquanto a Societe Mondiale de Tanure detém 6,3% da cia.

Multiplus (MPLU3, R$ 35,75, -8,36%)
A Multiplus reportou um lucro líquido de R$ 116,2 milhões no quarto trimestre do ano passado, uma queda de 7,6% em relação ao mesmo período de 2015. Enquanto isso, a receita líquida da companhia recuou 5,7% no mesmo período, passando de R$ 580,6 milhões para R$ 547,4 milhões. Já a receita com venda de pontos ficou em R$ 523,6 milhões nos três últimos meses de 2016.

Os pontos emitidos pela companhia entre outubro e novembro caíram 5,9%, para 20,1 bilhões, refletindo uma redução de 11,3% no número de pontos emitidos para os bancos, impactado pelos menores gastos em geral no cartão de crédito. Já os resgates somaram 17,9 bilhões de pontos, uma queda de 3,2% por conta do cenário econômico ruim.

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Para o BTG Pactual, o resultado foi pior que o esperado. Apesar disso, os analistas afirmam que esta é uma ação sólida para ter em carteira, com um dividend yield de 8% para este ano, com um robusto potencial de crescimento no longo prazo. Mesmo assim, a preferência no setor ainda é da Smiles.

Hering (HGTX3, R$ 17,49, +6,06%)
A Hering fechou o quarto trimestre de 2016 com queda de 38,7% em seu lucro líquido, que ficou em R$ 50,9 milhões. O resultado, segundo a companhia, foi afetado pelo desempenho de vendas em redes multimarcas e lojas de franquias. A empresa também ressaltou que registrou um ganho não recorrente em 2015 de R$ 53,5 milhões, relativo à liquidação de subsidiária e dívida intercompanhia, o que tornou a base de comparação mais alta.

No mesmo período, a receita líquida recuou 14,8%, para R$ 432,1 milhões. As vendas brutas da Hering Store tiveram queda de 19%, para R$ 384,9 milhões, enquanto a Hering Kids avnaçou 10,3%, a R$ 64,4 milhões, sendo o único segmento que registrou crescimento.

Marisa (AMAR3, R$ 6,91, -6,11%)
A varejista de roupas Marisa registrou prejuízo líquido de R$ 6 milhões entre outubro e dezembro do ano passado, revertendo o lucro líquido de R$ 16,7 milhões do mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, o desempenho foi afetado pela queda nas vendas no período. A receita líquida caiu 14,8%, para R$ 673,8 milhões, enquanto as vendas em mesmas lojas (lojas abertas há mais de um ano) recuaram 14,8%.

No período, houve uma queda de 22,6% nos custos de produtos vendidos, para R$ 338,6 milhões, enquanto as despesas gerais e administrativas aumentaram 7,6%, para R$ 335,2 milhões. A Marisa associou esse aumento a gastos com reoneração da folha de pagamentos e com provisões para pagamento de remuneração sobre resultados, totalizando R$ 8,8 milhões.

PDG Realty (PDGR3, R$ 1,98, -1%)
Após ficar em leilão boa parte da quarta-feira por conta do anúncio de pedido de recuperação judicial, as ações da PDG afundaram 30% na véspera reagindo à notícia e ameaçaram seguir com este movimento nesta sexta, caindo 15,5% na mínima do dia, acumulando queda de quase 50% em três dias. As ações, porém, conseguiram virar para alta nesta tarde.

A companhia, que chegou a ser a maior incorporadora do País em 2010, desbancando a Cyrela, protocolou ontem pedido de recuperação judicial na 1.ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, com dívidas de cerca de R$ 7,7 bilhões. Trata-se do maior pedido de proteção da Justiça do setor imobiliário.

A empresa, cujo valor de mercado chegou a bater R$ 14,4 bilhões no fim de 2010 e agora vale pouco menos de R$ 142 milhões, sucumbiu à crise do setor – que tem enfrentado um alto volume de distratos (rescisões de contratos) – e deverá levar outras companhias para o mesmo caminho, segundo fontes de mercado ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Eletropaulo (ELPL4, R$ 12,53, +3,04%)
A Eletropaulo anunciou que submeteu aos seus acionistas a proposta de migração da companhia para o Novo Mercado da BM&FBovespa. Com isso, a companhia deve deixar de ter ações preferenciais, já que esta é uma das obrigações para fazer a mudança de segmento da Bolsa. 

Neste sentido, a Eletropaulo informou que irá convocar seus acionistas para aprovar a conversão dos papéis PN em ON, sendo que quem tiver papéis preferenciais da empresa e votar contra a conversão, se abstiver de votar ou não comparecer à assembleia especial, poderá pedir o reembolso do que tem investido.

Prumo (PRML3, R$ 8,90, +7,10%)

Os acionistas da Prumo rejeitaram pedido de novo laudo de avaliação OPA (Oferta Pública de Aquisição). Em 25 de janeiro, a Ernst & Young Assessoria Empresarial foi recomendada pelos acionistas representando mais de 10% das ações da companhia; os acionistas poderiam recomendar outra instituição avaliadora