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SÃO PAULO – Em um dia de agravamento da aversão ao risco nos mercados do mundo inteiro, as mineradoras voltaram a figurar no fundo da ponta compradora do Ibovespa (-2,76%, 65.113 pontos) nesta terça-feira (6). O pessimismo foi ainda maior para as empresas do setor por conta da menor perspectiva de crescimento na China, divulgada na véspera.
A MMX (MMXM3) apresentou a maior queda do benchmark na sessão, de 5,86%, com as ações sendo negociadas a R$ 9. Uma característica mais volátil e a alta de 43,33% no acumulado do ano influenciaram a correção dos papéis da empresa de mineração de Eike Batista, explicou Rafael Weber, da Geração Futuro.
Primeiramente, o analista avalia que as produtoras de commodities em geral naturalmente são afetadas quando se instaura um clima negativo como o observado neste pregão. Isso é evidenciado pelo desempenho da ação da Gerdau (GGBR4, R$ 17,16, -4,88%), por exemplo. Mas não só essas características foram responsáveis pela baixa performance do setor no dia.
Desempenho de Vale
A Vale (VALE3, R$ 41,06, -4,84%; VALE5, R$ 40,17, -4,45%) ficou entre as seis desvalorizações mais relevantes, influenciando o desempenho do Ibovespa por causa de seu peso na carteira teórica. A baixa de VALE3 foi a mais intensa desde 22 de setembro de 2011 e o recuo de VALE5, o mais intenso desde 18 de agosto do ano anterior.
Antes, o preço de ambos ativos só havia caído tanto em 8 de agosto, data pós-corte do rating dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, quando as perdas atingiram 9,52% e 9,17%, respectivamente. Weber acredita que a gigante da mineração ainda foi afetada pela notícia da noite anterior sobre um impasse judicial que ela protagoniza.
O Ministério da Fazenda quer que a companhia pague IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) incidente sobre os resultados no exterior. Após perder duas vezes a batalha, a Vale está recorrendo novamente da decisão. Para conseguir isso, o analista da Geração Futuro lembra que ela teve de depositar R$ 1,6 bilhão como garantia.
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PIB da China e realização
Mas o cenário foi deteriorado, principalmente, pelos temores quanto à reestruturação da dívida grega. Os investidores se mostram preocupados quanto à possibilidade de o PSI (Private Sector Involvement) não sair no prazo determinado anteriormente, que era até a quinta-feira (8), por causa da aparente baixa adesão dos credores privados.
Além disso, as mineradoras também foram penalizadas com a estimativa de que o PIB (Produto Interno Bruto) chinês deve registrar um crescimento menor do que o esperado em 2012. Wen Jiabao, primeiro-ministro da China, disse na véspera que a expectativa agora é de expansão em 7,5%, a menor desde 1990.
Esse clima fez o mercado se desfazer de ativos com prêmios maiores de risco, forçando uma realização de lucros de quem detinha as ações que mais se valorizaram durante o ano. Até a segunda-feira (5), por exemplo, o principal índice da bolsa brasileira havia avançado 18%.