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SÃO PAULO – Um setor que passou a ser evitado pelos investidores no fim de 2010 foi o de siderurgia. Preços em queda e rentabilidade contraída levaram o mercado a diminuir compras dos papéis das companhias do segmento. Mas será que o sentimento está mudando, pergunta o BTG Pactual?
Embora a instituição acredite em resultados fracos no primeiro trimestre, ao menos, a perspectiva do banco é de que a confiança dos investidores em relação às siderúrgicas irá mudar, e para melhor, por causa do declínio nas importações, do aumento da demanda doméstica à medida que os estoques diminuam, e preços em alta no mercado externo.
“Essa visão apresenta riscos, pois ainda há excesso de capacidade em termos globais e as siderúrgicas brasileiras não apresentam valuation barato”, alerta o time de análise do BTG. Ainda assim, a instituição projeta uma grande melhora do cenário no final deste ano e início de 2012.
Usiminas elevada para compra
Para os analistas, a Usiminas (USIM3, USIM5) e a Gerdau (GGBR4) são os melhores veículos para aproveitar esse panorama, pois preferem jogar com a alavancagem operacional das duas companhias, que pode resultar em potencial aumento de preços, do que com o fluxo de caixa estável da CSN (CSNA3), que por outro lado pode trazer um volume de produção de minério de ferro decepcionante.
Desse modo, a Usiminas teve recomendação elevada para compra, com preço-alvo passando de R$ 20 para R$ 26, potencial de valorização de 26,9% em relação ao fechamento de segunda-feira (10). Já a Gerdau, que também recebe recomendação de compra, teve o preço-alvo para os papéis elevado de R$ 27 para R$ 30 (um upside potencial de 26,3%). Para os papéis da CSN, foram mantidos o preço-alvo de R$ 35 (potencia de valorização de 19,4%) e a recomendação neutra.
Vale ressaltar que, no médio prazo, o BTG Pactual dá preferência à Gerdau, por causa dos fundamentos fortes da companhias e o maior potencial para crescimento, já que a empresa tem ainda capacidade ociosa.
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Riscos ainda persistem
Como foi mencionado anteriormente, essa visão não é isenta de riscos. Os analistas do BTG Pactual permanecem preocupados com o excesso de capacidade global, embora acreditem que a ociosidade esteja concentrada num grupo de países. “Estamos confortáveis em afirmar que os altos preços das matérias-primas, com pouca disponibilidade, devem conter um aumento expressivo de produção”, segundo apontou o BTG.
O banco ainda estima que a geração operacional de caixa trimestral deve dobrar, para as siderúrgicas brasileiras, no último trimestre deste ano em relação ao ano passado, apesar de considerar os múltiplos para avaliação das companhias ainda não muito atrativos.