Em ata, Copom não deve se comprometer com queda da Selic em setembro

Risco político tem efeitos cada vez mais significativos sobre percepção de risco, afirma Brascan; petróleo preocupa

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SÃO PAULO – Paralelamente aos desdobramentos da crise política, a divulgação da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) na próxima quinta-feira certamente será o aspecto de maior destaque durante esta semana.

Segundo análise do Banco Brascan, é possível esperar um cenário mais otimista do ponto de vista da convergência das expectativas para o centro das metas estabelecidas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), do comportamento da inflação corrente e seus núcleos.

Petróleo incomoda

Em contrapartida, a alta expressiva do petróleo e seus impactos sobre o cenário de referência, que não contempla um reajuste para os derivados da commodity, representa o principal risco, afirma o Brascan. É interessante observar que, recentemente, a Petrobras admitiu reajustar o preço de seus produtos domésticos para adequar-se à escalada do petróleo no mercado internacional, mas no momento propício, tendo inclusive já anunciado os percentuais para as elevações do preço do gás natural.

Além disso, o banco ressaltou que o cenário atual convive com uma variável de difícil mensuração: o risco político. “Cada dia é uma surpresa, com impactos cada vez mais significativos sobre a percepção de risco dos agentes” – afirmaram os analistas do banco.

Dentro deste contexto, a expectativa do Brascan é de que o colegiado do Banco Central poderá sinalizar uma visão gradualmente mais otimista se comparada às atas anteriores, porém é pouco provável que a entidade se comprometa com uma indicação mais clara de que o início do ciclo de queda da Selic se dará em setembro.