Em alerta: Cosan e São Martinho vêem ano nebuloso para o setor sucroalcooleiro

Empresas admitem, em relatório de resultados, as perspectivas desfavoráveis para os preços do álcool e do açúcar na nova safra

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Depois de um ano fiscal favorecido pela alta do preço do açúcar no início da safra 2006/07, duas das maiores empresas do setor sucroalcooleiro nacional, Cosan (CSAN3)
e São Martinho (SMTO3), visualizam um futuro nebuloso para a nova safra.

Ambas empresas divulgaram recentemente os resultados do ano fiscal de 2007 e, junto aos números, publicaram também perspectivas desfavoráveis para o ano fiscal que se inicia. Uma frase do guidance da Cosan sintetiza a expectativa do setor para este ano: “Ano pobre em resultado, mas muito rico em oportunidades estratégicas”.

Investimentos

De fato, a Cosan anunciou nos últimos dias um importante passo estratégico. A companhia irá lançar ações no mercado norte-americano, onde pretende captar até US$ 2 bilhões, montante que será usado para sustentar um plano de crescimento orgânico e de redução de custos anunciados em abril deste ano.

É certo que a oferta causou muita controvérsia, já que veio anexada a um plano de reestruturação que gerou incerteza no mercado. As ações da Cosan encerraram a sessão desta segunda-feira com uma desvalorização de 26,8% no ano, e as da São Martinho, listadas desde fevereiro, acumulam valorização de 4,3%.

A São Martinho, em linha com a Cosan, que divulgou projetos destinados exclusivamente à produção do álcool, antecipou investimentos
na Usina Boa Vista, prevendo moer, na safra 2010/11, aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Açúcar: preço cai até quando?

Segundo a consultoria Tendências, os preços do açúcar em 2007 devem recuar 32,7% no mercado interno e 35,5% no mercado internacional. Estimativa recente do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostra que o preço do açúcar cristal, na última semana de junho, caiu para o menor o menor nível nos últimos três anos.

“Houve agravamento da pressão baixista por conta do superávit mundial entre oferta e demanda”, avalia relatório mensal da consultoria Dylan, focada em agronegócios, publicado nesta segunda-feira.

A perspectiva de queda nos preços também é assumida pelos próprios produtores. “Espera-se, ainda, aproximadamente 30% de incremento de produção de açúcar na Índia, aumentando conseqüentemente a oferta no mercado global, pressionando os preços do açúcar no mercado internacional”, mostra relatório da São Martinho.

Apesar disso, no longo prazo, a companhia espera uma recuperação nos preços da commodity puxada pelo aumento dos custos em países como Índia, União Européia e Tailândia, redução das cotas de exportação de açúcar subsidiado pela União Européia e o aumento da demanda de álcool no mundo, diminuindo o excesso de produção no Brasil.

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A Cosan, maior empresa do setor, segue a mesma linha e acredita que a queda nos preços do açúcar e do álcool deve afetar em aproximadamente 15% a receita líquida da empresa no ano fiscal de 2008 em relação aos R$ 3,6 bilhões do exercício anterior.

Álcool: horizonte nebuloso

Além da perspectiva de manutenção da pressão sobre os preços do açúcar, as perspectivas para o álcool também não são animadoras. As usinas, fugindo dos preços baixos do açúcar, começaram a destinar a moagem ao álcool, o que também pode gerar excesso de oferta.

Segundo balanço publicado pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) em junho, a safra atual apresenta um perfil mais alcooleiro que a anterior. Até o momento, a produção de açúcar é menor em 425,5 mil toneladas e a de álcool é maior em 253,7 milhões de litros em relação ao registrado no mesmo período da safra anterior.

Em relatório, a São Martinho admite uma queda nos preços do álcool no início da nova safra. Essa realidade, segundo a consultoria Tendências, “reflete a realidade de uma safra de cana-de-açúcar em bom andamento, com expectativa de aumento de 14,5% sobre a anterior”.

De acordo com a análise, a elevação da oferta doméstica de álcool e a expectativa de crescimento da safra são a melhor explicação para este movimento baixista nos preços do álcool. De acordo com o Cepea, até o dia 28 de junho, o preço do litro do álcool anidro, recuou 20,2% e o hidratado 16,04%.

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