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SÃO PAULO – A elevada taxa de juros no Brasil sempre foi um grande chamariz para os investidores do mercado de renda fixa. O ano de 2011 não foi diferente, mesmo com a queda na taxa básica de juros, que fechou o ano em 11%. Para 2012, o investidor deve se acostumar a conviver com juros mais baixos, uma vez que os analistas de mercado esperam que a Selic alcance 9,5% ao final do próximo ano.
O mercado de renda fixa, entretanto, deve viver mais um ano de alta performance e os investidores devem acompanhar de perto o comportamento da inflação e o mercado externo. Vale destacar que são muitas as alternativas para o investidor de renda fixa. É possível investir comprando debêntures, CDBs, LTNs (Letras do Tesouro Nacional), NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – série B) ou mesmo aplicar neste mercado indiretamente por meio dos vários tipos de fundos de investimento em renda fixa.
O superintendente de Investimentos da Besaf – BES Ativos Financeiros, a gestora de recursos do Grupo Banco Espírito Santo no Brasil, Luis Roberto Zaratin, alerta que, com a queda na taxa de juros, as aplicações indexadas ao CDI podem perder a atratividade ao longo deste e dos próximos anos, podendo levar os investidores a correrem um pouco mais de risco e até enxergarem um horizonte um pouco além dos investimentos em renda fixa.
Cenário econômico será balizador para renda fixa
Segundo Zaratin, diante da situação do mercado externo, principalmente com a crise na Zona do Euro, o ativo brasileiro segue como prioridade. Ademais, o governou retirou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de um competidor natural para o investidor estrangeiro – as debêntures de longo prazo. Atualmente, os investidores não residentes pagam 6% de IOF sobre o rendimento das aplicações em renda fixa.
Por sua vez, em março de 2011, tendo em vista a elevada atratividade dos títulos brasileiros, o governo anunciou a extensão de 90 dias para 360 dias no prazo de incidência do IOF, com alíquota de 6%, sobre empréstimos captados no exterior, em uma manobra para evitar a entrada de investimentos de curto prazo, evitando, segundo Zaratin, que o investidor ganhasse a “primeira perna de investimento” (quando vem com prêmio) e saísse retirando capital do País. A medida também ajudou a segurar a cotação do câmbio.
“A perspectiva de entrada de capital era gigantesca. Somente os investidores japoneses acumulam em derivativos no Brasil cerca de US$ 50 bilhões em reais”, reforça o superintendente de investimentos do BES, lembrando que este dinheiro poderia entrar ou ter entrado por aqui, um capital que poderia ter jogado a taxa de câmbio abaixo de R$ 1,50.
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Para o gerente de renda fixa da UM Investimentos, André Mallet, este ano promete muitas emissões de dívidas de empresas no Brasil. “Com o crédito secando no exterior e as dificuldades de captação lá fora por causa da crise, os investidores tendem a direcionar as captações aqui no Brasil”. Segundo ele, neste ano poderemos ter muitas empresas emitindo debêntures, principalmente na área de construção civil.
Cenário bom para o Brasil
Em meio às apostas de queda na taxa básica de juro, Zaratin acredita que não vai ser um ano fácil para o investidor, embora o cenário brasileiro seja muito bom em relação ao países europeus. De acordo com o superintendente do BES, para quem investir no Brasil no médio prazo – de três a sete anos -, o retorno deve ser extremamente atrativo. “Não dá para ser preciso que isso acontecerá neste ano, mas o que vai efetivamente fazer o investidor tirar o CDI do horizonte de benchmark dele será a queda da taxa de juros, que quanto menor for, menor atratividade terá para os contratos bancários”.
Neste panorama, o superintendente aposta em um cenário muito atraente e complementa que é difícil encontrar no mundo títulos, tanto públicos quanto privados, que paguem prêmios como os valores vistos no Brasil.
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“O cenário ainda está muito nebuloso, principalmente na Europa e nos Estados Unidos”, diz Mallet. Ele destaca que segundo analistas de mercado a crise já chegou ao Brasil, uma vez que a projeção do PIB (Produto Interno Bruto) em 2010 poderá ficar abaixo de 3% e neste ano está entre 3% e 3,5%. “Se comparado a outros países emergentes, é um PIB ruim e mostra que a economia começou a sentir a crise lá de fora”.
Mallet acredita que em 2012 haverá maior dependência da recuperação definitiva da economia norte-americana. E, se isso acontecer, ajudará o Brasil e a Europa, “e com isso os players começam a andar”. No mais, ele aponta que a crise na Europa é muito mais grave do que poderíamos imaginar, “é sistêmica – envolvendo regulação o que deve levar mais tempo até que os países voltem a crescer”.
Sugestões para investir em 2012
Na avaliação do superintendente do BES, as carteiras com títulos indexados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ainda terão bastante rentabilidade, assim como as carteiras com perfil de crédito privado, que devem pagar juros maiores que o Tesouro. “Temos títulos públicos oscilando entre 4% e 5% e carteiras de crédito privado pagando entre 6% e 8%”. Por outro lado, esse tipo de investimento demanda do investidor mais paciência quanto ao retorno esperado.
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Para o gerente de renda fxa da UM Investimentos, os títulos públicos e os CDBs são uma boa opção, uma vez que a Selic deve continuar em baixa, pelo menos até o final do primeiro semestre. Por sua vez, outra boa opção são os títulos pré-fixados, “sempre observando o pagamento de prêmios”.
Mallet ressalta que é preciso levar em consideração a análise feita pelo Banco Central, de recuo da inflação em função da desaceleração internacional. Em sua análise, se esse cenário se configurar, “uma boa pedida é ficar de olho nos pré-fixados, que podem descolar um pouco da curva do mercado, tendo um prêmio adicional ao que a Selic estará pagando”.
No caso de mudança nas estimativas do Banco Central e dos analistas de mercado, Mallet alerta que o quadro mudará. “E, para o investidor mais conservador é melhor migrar para o papel indexado ao CDI e a Selic, com mais segurança e menos chance de perder dinheiro em relação ao juro primário da economia”, completa.
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Por fim, Zaratin diz que os títulos públicos, indexados ao IPCA, e os pré-fixados, tendem a ganhar espaço nos próximos anos. O superintendente acredita que surgirão novos títulos e carteiras que podem ter riscos privados, e que este investimento também pode crescer no longo prazo, “até porque a liquidez do mercado secundário é muito baixa e com isso poderemos começar a assistir a criação do benchmark de títulos corporativos, como já acontece em todo o mundo”.