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SÃO PAULO – O mercado brasileiro de ETFs (Exchange Traded Funds) ganhou atratividade em 2011. O volume financeiro e o número de negócios nos últimos doze meses – até novembro – mais do que dobraram em relação ao ano anterior, mesmo em um contexto de aversão ao risco. Mais popular, o segmento contou com a estreia de três novos fundos e já caminha para outro ano de novos recordes de negociação e giro financeiro.
As perspectivas positivas para este mercado transbordam, muito por conta do forte potencial de crescimento que ele oferece, explica Julio Ziegelmann, diretor de renda variável da BM&F Bovespa. “O mercado brasileiro ainda é muito insipiente. Atualmente, os ETFs estão perto de 1% do volume negociado no mercado doméstico. Se olharmos para outros países, a conta começa em 5%”, diz.
Os ETFs estão entre as opções mais líquidas nos mercados estrangeiros, com uma tradição de mais de duas décadas. No Brasil, entretanto, o primeiro fundo de índice foi lançado somente em 2004, o PIBB11 (Papéis Índice Brasil Bovespa), em uma iniciativa do BNDES para incentivar a entrada de pessoas físicas na bolsa. O fundo de índice permaneceu sozinho nesta categoria até 2008, quando o Barclays trouxe ao País também o BOVA11, MILA11 e SMAL11.
Os ETFs representam uma fração ideal da carteira de ações na qual se espelham, ou seja, duplicam todas as ações que compõem a carteira teórica do índice usado como referência. Portanto, possibilitam ao investidor o acesso a um portfólio diversificado sem que ele tenha que aplicar individualmente em todos os papéis que compõem esta carteira.
Os dez índices atuais
Entre as atuais opções, o BOVA11, fundo de índice que acompanha a carteira teórica do Ibovespa, é o que possui a maior liquidez dentre os fundos de índices nacionais.
Já o fundo de índice mais antigo, o PIBB11, representa mais uma alternativa de diversificação, uma vez que tem como referência o IBrX-50, um índice que simula uma carteira com 50 empresas altamente líquidas e ponderadas pelo seu valor de mercado. O IBrX-100 é referência para o fundo BRAX11.
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O MILA11, por sua vez, espelha o índice MidLarge Caps da bolsa paulista, que é composto por empresas de médio a grande porte, enquanto que o SMAL11 é voltado para o índice composto por empresas de menor tamanho listadas na BM&F Bovespa. Além destas opções, existem também os fundos de índices setoriais. O MOBI11 é espelhado no índice que engloba as principais empresas do setor imobiliário na bolsa paulista, enquanto que o CSMO11 tem como referência o índice de empresas do setor de consumo.
Os ETFs FIND11, GOVE11 e ISUS11 foram lançados neste ano e espelham as carteiras compostas por papéis do setor financeiro, de empresas com elevada governança corporativa e com práticas de sustentabilidade, respectivamente.
Ao menos três fundos serão lançados em 2012
O mercado de fundos de índice deve quintuplicar nos próximos anos, diz o diretor da BM&F Bovespa, levando em conta a pouca popularidade e a falta de tradição dos ETFs entre os brasileiros.
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Ao menos três novos índices serão lançados no próximo ano. O Itaú Unibanco venceu a concorrência para gerir dois novos fundos, o Índice Dividendos (IDIV) e o Índice Materiais Básicos (IMAT). Já a BlackRock Brasil obteve a licença exclusiva de uso do Índice Utilidade Pública (UTIL), que reúne as empresas pretadoras de serviços públicos.
A bolsa ainda aguarda a autorização da CVM (Comissão de valores Mobiliários) para uma mudança na Instrução 359, que regulamenta os ETFs, para oferecer fundos de índices estrangeiros. “Ao ser permitida a negociação de ETFs internacionais, o segmento deve crescer muito. Esta já é uma tendência em outros países”, diz Ziegelmann.
Diversificação com pouco dinheiro
O que torna o ETF um tipo de investimento prático é o fato de que o investidor não precisa administrar todas as ações individualmente nem arcar com o custo para comprá-las e vendê-las para manter a composição do índice de referência.
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“Desde 2008, a modalidade cresceu 38% ao ano, o que obviamente é uma taxa bem atrativa. O investidor pessoa física é capaz de obter uma carteira diversificada de ações com pouco investimento, com pouco mais de R$ 600. Com o mesmo valor, obteria um volume insuficiente para replicar a carteira de um índice ou compraria cotas por valores mais altos no mercado fracionário”, explica Ziegelmann.
Uma alternativa cada vez mais interessante
O ETF aparece como uma alternativa interessante para quem quer investir no mercado de ações e não tem tempo ou disposição para escolher ações individuais.
O diretor da bolsa explica ainda que há um trabalho sendo feito no intuito de instruir os investidores sobre os ETFs. “Ainda falta conhecimento sobre o produto e as vantagens que ele oferece. A bolsa possui um programa de popularização voltado exatamente para trazer mais pessoas físicas para o mercado”, diz.
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Embora muitos ainda tenham dúvidas sobre como investir em ETF, o processo é simples e segue a forma tradicional de aplicar em ações. O investidor deve procurar uma corretora de valores, criar uma conta e fazer as ordens como se estivesse lidando com papéis individuais.
As opções para investir:
| Código | Índice Base | Ações participantes | Gestora | Aplicação Mínima* | Movimentação em 2011 (R$ mil)** |
| BOVA11 | Ibovespa | 67 ações mais negociadas | BlackRock | R$ 545,00 |
9.842.460,9 |
| BRAX11 | Índice Brasil | 100 maiores empresas listadas | BlackRock | R$ 381,80 | 61.498,3 |
| CSMO11 | Consumo | Empresas de bens de consumo | BlackRock | R$ 334,80 | 26.237,7 |
| FIND11 | Financeiro | Bancos e seguradoras | Itaú | R$ 330,80 | 18.022,0 |
| MILA11 | Mid Large Cap | Empresas de maior valor de mercado | BlackRock | R$ 418,30 | 28.779,9 |
| MOBI11 | Imobiliário | Imobiliárias e construtoras | BlackRock | R$ 150,70 | 116.139,7 |
| PIBB11 | IbrX-50 | 50 ações mais líquidas | Itaú | R$ 801,60 | 651.613,6 |
| SMALL11 | Small Cap | Empresas de menor valor de mercado | BlackRock | R$ 583,90 | 154.969,5 |
| GOVE11 | Governança Corporativa | Empresas com elevada governança corporativa | Itaú | R$ 188,00 | 835,4 |
| ISUS11 | Sustentabilidade | Empresas com práticas de sustentabilidade | Itaú | R$ 198,90 | 2,0 |
*de acordo com o fechamento de 23 de dezembro
*entre janeiro e novembro de 2011