Em 2012, ETFs podem ganhar impulso com listagem de índices estrangeiros

Setor caminha para mais um ano com forte potencial de crescimento; ao menos três novos fundos devem ser lançados

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SÃO PAULO – O mercado brasileiro de ETFs (Exchange Traded Funds) ganhou atratividade em 2011. O volume financeiro e o número de negócios nos últimos doze meses – até novembro – mais do que dobraram em relação ao ano anterior, mesmo em um contexto de aversão ao risco. Mais popular, o segmento contou com a estreia de três novos fundos e já caminha para outro ano de novos recordes de negociação e giro financeiro.

As perspectivas positivas para este mercado transbordam, muito por conta do forte potencial de crescimento que ele oferece, explica Julio Ziegelmann, diretor de renda variável da BM&F Bovespa. “O mercado brasileiro ainda é muito insipiente. Atualmente, os ETFs estão perto de 1% do volume negociado no mercado doméstico. Se olharmos para outros países, a conta começa em 5%”, diz.

Os ETFs estão entre as opções mais líquidas nos mercados estrangeiros, com uma tradição de mais de duas décadas. No Brasil, entretanto, o primeiro fundo de índice foi lançado somente em 2004, o PIBB11 (Papéis Índice Brasil Bovespa), em uma iniciativa do BNDES para incentivar a entrada de pessoas físicas na bolsa. O fundo de índice permaneceu sozinho nesta categoria até 2008, quando o Barclays trouxe ao País também o BOVA11, MILA11 e SMAL11.

Os ETFs representam uma fração ideal da carteira de ações na qual se espelham, ou seja, duplicam todas as ações que compõem a carteira teórica do índice usado como referência. Portanto, possibilitam ao investidor o acesso a um portfólio diversificado sem que ele tenha que aplicar individualmente em todos os papéis que compõem esta carteira. 

Os dez índices atuais
Entre as atuais opções, o BOVA11, fundo de índice que acompanha a carteira teórica do Ibovespa, é o que possui a maior liquidez dentre os fundos de índices nacionais. 

Já o fundo de índice mais antigo, o PIBB11, representa mais uma alternativa de diversificação, uma vez que tem como referência o IBrX-50, um índice que simula uma carteira com 50 empresas altamente líquidas e ponderadas pelo seu valor de mercado. O IBrX-100 é referência para o fundo BRAX11.

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O MILA11, por sua vez, espelha o índice MidLarge Caps da bolsa paulista, que é composto por empresas de médio a grande porte, enquanto que o SMAL11 é voltado para o índice composto por empresas de menor tamanho listadas na BM&F Bovespa. Além destas opções, existem também os fundos de índices setoriais. O MOBI11 é espelhado no índice que engloba as principais empresas do setor imobiliário na bolsa paulista, enquanto que o CSMO11 tem como referência o índice de empresas do setor de consumo.

Os ETFs FIND11, GOVE11 e ISUS11 foram lançados neste ano e espelham as carteiras compostas por papéis do setor financeiro, de empresas com elevada governança corporativa e com práticas de sustentabilidade, respectivamente.

Ao menos três fundos serão lançados em 2012
O mercado de fundos de índice deve quintuplicar nos próximos anos, diz o diretor da BM&F Bovespa, levando em conta a pouca popularidade e a falta de tradição dos ETFs entre os brasileiros. 

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Ao menos três novos índices serão lançados no próximo ano. O Itaú Unibanco venceu a concorrência para gerir dois novos fundos, o Índice Dividendos (IDIV) e o Índice Materiais Básicos (IMAT). Já a BlackRock Brasil obteve a licença exclusiva de uso do Índice Utilidade Pública (UTIL), que reúne as empresas pretadoras de serviços públicos.

A bolsa ainda aguarda a autorização da CVM (Comissão de valores Mobiliários) para uma mudança na Instrução 359, que regulamenta os ETFs, para oferecer fundos de índices estrangeiros. “Ao ser permitida a negociação de ETFs internacionais, o segmento deve crescer muito. Esta já é uma tendência em outros países”, diz Ziegelmann.

Diversificação com pouco dinheiro
O que torna o ETF um tipo de investimento prático é o fato de que o investidor não precisa administrar todas as ações individualmente nem arcar com o custo para comprá-las e vendê-las para manter a composição do índice de referência.

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“Desde 2008, a modalidade cresceu 38% ao ano, o que obviamente é uma taxa bem atrativa. O investidor pessoa física é capaz de obter uma carteira diversificada de ações com pouco investimento, com pouco mais de R$ 600. Com o mesmo valor, obteria um volume insuficiente para replicar a carteira de um índice ou compraria cotas por valores mais altos no mercado fracionário”, explica Ziegelmann. 

Uma alternativa cada vez mais interessante
O ETF aparece como uma alternativa interessante para quem quer investir no mercado de ações e não tem tempo ou disposição para escolher ações individuais. 

O diretor da bolsa explica ainda que há um trabalho sendo feito no intuito de instruir os investidores sobre os ETFs. “Ainda falta conhecimento sobre o produto e as vantagens que ele oferece. A bolsa possui um programa de popularização voltado exatamente para trazer mais pessoas físicas para o mercado”, diz.

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Embora muitos ainda tenham dúvidas sobre como investir em ETF, o processo é simples e segue a forma tradicional de aplicar em ações. O investidor deve procurar uma corretora de valores, criar uma conta e fazer as ordens como se estivesse lidando com papéis individuais.

As opções para investir:

Código Índice Base Ações participantes Gestora Aplicação Mínima* Movimentação em 2011 (R$ mil)**
BOVA11 Ibovespa 67 ações mais negociadas BlackRock R$ 545,00

9.842.460,9

BRAX11 Índice Brasil 100 maiores empresas listadas BlackRock R$ 381,80 61.498,3
CSMO11 Consumo Empresas de bens de consumo BlackRock R$ 334,80 26.237,7
FIND11 Financeiro Bancos e seguradoras Itaú R$ 330,80 18.022,0
MILA11 Mid Large Cap Empresas de maior valor de mercado BlackRock R$ 418,30 28.779,9
MOBI11 Imobiliário Imobiliárias e construtoras BlackRock R$ 150,70 116.139,7
PIBB11 IbrX-50 50 ações mais líquidas Itaú R$ 801,60 651.613,6
SMALL11 Small Cap Empresas de menor valor de mercado BlackRock R$ 583,90 154.969,5
GOVE11 Governança Corporativa Empresas com elevada governança corporativa Itaú R$ 188,00 835,4
ISUS11 Sustentabilidade Empresas com práticas de sustentabilidade Itaú R$ 198,90 2,0

*de acordo com o fechamento de 23 de dezembro
*entre janeiro e novembro de 2011