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SÃO PAULO – Ainda sem solução, a privatização da Cesp (CESP6), que deveria ocorrer em março de 2008, se mantém juntamente com a renovação das concessões como assunto pendente e principal catalisador da ação. Os analistas destacam ainda o forte endividamento da empresa e o reaquecimento do setor como drivers para o papel.
Outro fator para se chamar a atenção é o pagamento de dividendos. Embora faça parte de um setor defensivo, a empresa não tem bom histórico nesse quesito, mas os analistas do Bank of America Merrill Lynch veem boas perspectivas para 2010, o que pode garantir suporte para as ações.
Setor elétrico
Apesar de não ter mostrado um desempenho excelente em 2009, e levando em conta que se trata de um setor defensivo, as empresas tiveram um resultado acima da média de outros setores, embora abaixo do Ibovespa. O IEE (Índice de Energia Elétrica) subiu 59%, enquanto o Ibovespa se valorizou 82,6% ao longo do ano.
Para Andrés Kikuchi, analista da Link Investimentos, esse impacto reduzido se deve a diversificação do mix de vendas. “No caso das empresas geradoras, isso se deu através do ACL – Ambiente de Contratação Livre e ACR – Ambiente de Contratação Regulada”.
Trata-se de dois ambientes de contratação de energia, um voltado para o consumidor livre, e o segundo onde as empresas contratam energia por meio de leilões públicos, conduzidos pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
Demanda e consumo
Além da desaceleração da economia, a queda nos preços spot em função dos altos índices pluviométricos e menor demanda de energia afetaram negativamente os resultados das empresas em 2009. A avaliação é de Renato Mauricio Pinto e Vicente Falanga Neto, analistas do Banco Fator Corretora.
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Mas embora a procura tenha mostrado queda em termos industriais, a demanda comercial continuou forte e em termos operacionais o resultado também foi positivo. Em 2010, espera-se recuperação nos volumes dos dois segmentos (industrial e comercial).
Segundo dados da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a expectativa para 2010 é de crescimento de 9,4% no consumo frente ao registrado em 2009, chegando a 455,2 mil gigawatts-hora de consumo. As perspectivas para o longo prazo também são positivas, com projeção de crescimento a taxa média de 5,2% ao ano entre 2010 e 2018.
Questões regulatórias e concesões
O maior risco do setor está ligado a questões regulatórias. “O ano de 2009 foi marcado por indefinições, sobretudo no referente a renovações das concessões de empreendimentos de geração”, afirma o analista do Fator.
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Em março de 2008, o leilão para privatização da Cesp foi suspenso, e permanece sem solução até hoje. “O governo pretende resolver o imbróglio em breve, mas o ano eleitoral deve ser o grande limitador”, afirma.
Kikuchi também cita o problema da concessão como um dos principais temas do setor, e acredita que todos os segmentos do setor serão afetados pela renovação das concessões com vencimento em 2015, mas a Cesp deve ser prejudicada em especial, por ter 67% do parque industrial em processo de renovação.
O analista da Fator explica que “a questão da concessão está mais relacionada com a busca de modicidade tarifária, pois o preço de energia de longo prazo é ascendente, do que na questão de cancelamento e posterior relicitação das concessões atuais”.
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Além disso, ele nota que a questão pode ficar pendente por mais tempo caso as tarifas propostas forem muito baixas. O analista também vê a Cesp, juntamente com Eletrobrás, como as empresas geradoras mais vulneráveis nesse assunto das concessões
Cesp
Os analistas concordam que o tema das concessões é o principal catalisador das ações da Cesp. E para o analista da Fator, ainda haverá dados desencontrados a esse respeito por parte do governo federal.
Kikuchi aposta que, caso as concessões não ocorram no primeiro trimestre, dificilmente acontecerão em 2010, justamente por causa das eleições.
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Os analistas do Bank of America Merrill Lynch veem um cenário positivo para a Cesp, que na visão do banco pode ter processo de privatiazação retomado após as eleições. Considerando uma vitória do PSDB na esfera estadual e federal, os analistas acreditam em maior confiança dos investidores, uma vez que pela legislação a Cesp teria o direito de renovar suas concessões em caso de privatização.
A equipe do banco credita o fracasso da última tentativa à resistência do governo federal, o que não ocorreria no caso de uma possível vitória do PSDB, uma vez que os candidatos do partido seriam mais “pró-privatização”.
Mas além da questão da concessão, há outro assunto que preocupa: as contingências, que somam R$ 1,23 bilhão. Para a equipe do BofA Merrill Lynch, este é um dos principais riscos do papel. A visão é compartilhada pelos analistas da Fator e da Link.
Um dos principais indicadores de alavancagem é a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido. No caso da Cesp, a relação ficou em 28,2% em 2008, e com base nas projeções de resultados da Fator, devem ficar em 26,8% em 2009 e 17,6% em 2010, o que mostra uma perspectiva de diminuição desse perfil endividado nos próximos anos.
Ainda assim, o número ainda é muito maior do que os concorrentes. Para se ter uma ideia, a Eletrobrás possui projeção negativa da mesma relação dívida líquida e patrimônio líquido, de –0,7%, e em 2008 o número ficou em 0,5%. A Copel, que atende o Paraná, tem projeção de 5,2% para 2009 e 1,2% para 2010, também abaixo dos números da Cesp.
Além disso, o analista do Fator acredita que apesar do bom cenário para o setor em geral, as geradoras, como é o caso da Cesp, têm menor potencial de upside, uma vez que possuem contratos fixos e não foram tão afetadas pela redução do consumo de 2009 como ocorreu com as distribuidoras.
Possível consolidação no setor
Tanto o analista da Link como o da Fator acreditam em possibilidade de consolidação do setor. Para Ricardo Pinto, ela pode ser acelerada em função da saída de grupos estrangeiros como Endesa (controladora da Coelce e Ampla) e Duke Energy, que controla a Geração Paranapanema.
Outra possibildade é uma fusão do Grupo Rede com outras empresas do setor.
“A queda da taxa de juros, o baixo endividamento das empresas e o novo ciclo de revisão tarifária criam um ambiente propício para a aceleração da atividade de fusões e aquisições, principalmente no mercado de distribuição”, explica o analista.
Recomendações
| Analista | Recomendação | Preço-alvo (R$) | Upside (%)* |
| Link | Em linha com o mercado | 28,00 | 16,4% |
| Fator | Manutenção | 34,00 | 41,3% |
| BofA Merrill Lynch | Compra | 30,00 | 24,7% |
| Bradesco | Em linha com o mercado | 26,70 | 11,01% |
| *Baseado no fechamento do dia 20/01/2010Especial Ibovespa: em 2010, renovação de concessões é principal tema para Cesp | |||