Elevação dos preços de alimentos acirra debates e dificulta Rodada Doha

Posições conflitantes apontam liberalização do comércio como causa e solução para a disparada dos preços de alimentos

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SÃO PAULO – Os debates suscitados pela recente alta dos alimentos aumentam os choques entre os países nas negociações da Rodada Doha, dificultando a liberalização do comércio internacional.

Parte dos países em desenvolvimento, que tradicionalmente reclamam de subsídios e outras barreiras não-tarifárias impostas por países ricos, entendem que o nível atual de preços reflete em grande parte a falta de incentivo que têm para expandir a produção, em razão da dificuldade de acesso aos mercados externos.

A esta relativa rigidez da oferta, soma-se a forte elevação da demanda em países como a China, o que redunda na interpretação de que a elevação dos preços tem caráter estrutural.

Segurança alimentar

O que para alguns poderia forçar os países a diminuir subsídios e chegar mais rapidamente a um acordo para liberalização do comércio mundial, para outros torna mais difícil um acordo em razão da política de segurança alimentar.

Sob este ponto de vista, os estados devem garantir que as necessidades alimentícias de suas populações sejam atendidas pela produção interna, reduzindo a dependência de outros países em casos de crises. Alguns analistas entendem que a abertura comercial teria reduzido o incentivo à produção de alimentos em países asiáticos.