Eletrobras (ELET3) tem números “surpreendentemente fracos” e ações caem 3% após 1T

Além dos resultados operacionais mais fracos do que o esperado, o lucro líquido também foi impactado por despesas líquidas de juros mais altas

Lara Rizério Agências de notícias

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Resultados surpreendentemente fracos. Isso faz com que as ações da Eletrobras (ELET3;ELET6) caíssem cerca de 3% após a divulgação dos números do primeiro trimestre de 2025 (1T25) na sessão desta quinta-feira (15). ELET3 fechou em baixa de 3,22% (R$ 41,79) e ELET6 teve perdas de 3,13% (R$ 46,14).

Conforme aponta o Bradesco BBI, que classificou o resultado como ruim, os números podem ser resumidos da seguinte forma: (i) o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) ajustado de R$ 5,0 bilhões, 8% abaixo do esperado pelo banco, de R$ 5,4 bilhões, e do consenso da Bloomberg – o principal culpado foi, provavelmente, uma exposição ao submercado spot (à vista) de energia maior do que o esperado; e (ii) um fraco lucro líquido regulatório de R$ 136 milhões, em comparação com o lucro líquido esperado pelo Bradesco BBI de R$ 1,4 bilhão.

Além dos resultados operacionais mais fracos do que o esperado, o lucro líquido também foi impactado por despesas líquidas de juros mais altas. O banco avalia precisar investigar mais a fundo (mas está menos preocupado com isso).

Viva do lucro de grandes empresas

A companhia divulgou um prejuízo líquido de R$ 354 milhões no primeiro trimestre, revertendo o lucro de R$331 milhões apurado no mesmo período em 2024, conforme balanço da companhia de energia.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) regulatório da empresa totalizou R$5,49 bilhões no período, declínio de 3,7% ano a ano, enquanto, em termos ajustados, o recuo foi de 4,1%, para R$ 5,38 bilhões.

O desempenho operacional, segundo a Eletrobras, foi impactado por menor receita de transmissão e pelos maiores custos com energia comprada para revenda. Tais efeitos compensaram uma maior receita de geração no período, redução dos custos e despesas, menores provisões reconhecidas no trimestre e um aumento da contribuição dos resultados das participações societárias, disse a companhia.

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O Bradesco BBI aponta que o debate sobre a tese de Eletrobras daqui para frente concentrará menos no risco exposição ao submercado spot (à vista) de energia e mais nas tendências de preços de eletricidade de médio/longo prazo (estamos otimistas) e como a companhia capturará efetivamente esse potencial de alta, dada a dinâmica dos preços regionais, os limites das linhas de transmissão NE↔SE até2028/2029 e a gestão do portfólio de geração regional neste contexto. O banco segue com a recomendação de compra para os ativos.

A XP ressaltou que o Ebitda ajustado ficou abaixo de suas expectativas, impulsionado principalmente por margens brutas mais baixas.

Por outro lado, a redução nas exposições do balanço de energia foi um desenvolvimento significativo durante o trimestre, concentrando-se especialmente em 2025 e 2026.

“Também observamos uma diminuição favorável no empréstimo compulsório durante este período. Além disso, a empresa anunciou que concluiu a venda de várias usinas termelétricas para o grupo J&F por um preço de R$ 2,9 bilhões, e ainda está pendente de aprovação regulatória a venda da usina termelétrica de Santa Cruz”, avaliou a XP. Os analistas ressaltaram, antes da abertura, que os mercados poderiam não reagir bem a mais um resultado operacional fraco da Eletrobras, apesar de algumas notícias positivas sobre contratação de energia e Opex.

A Genial Investimentos segue com recomendação de compra para ELET3 mesmo com o balanço abaixo do projetado.

Para os analistas da casa de research, o grande motivo para tal desvio aconteceu devido a estratégia mais agressiva da empresa em vender energia acima da sua capacidade de geração (posição short do portfólio) em meio a um cenário com diferenciação de preços de submercado, fazendo com que a empresa acabasse por ter que comprar energia a um preço mais alto para honrar contratos e vendas assumidas no período (para fins de comparação, a energia no subsistema do sudeste está em R$ 318/MWh vs c. R$60/MWh no norte e nordeste).

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A Genial ainda ressalta que, pós-assinatura do acordo relacionado a Ação Direta de Inconstitucionalidade, com a União encerrando a disputa por poder de voto com a empresa, tem uma grande expectativa para entender os próximos passos da empresa.

Aos atuais níveis de preço, vê a empresa negociando a uma Taxa Interna Implícita de Retorno de 12% em termos reais (versus 7,4% em termos reais nas NTN-Bs 2060).

(com Reuters)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.