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SÃO PAULO – Dia instável para os investidores na BM&FBovespa, que novamente viram o Ibovespa alternar entre perdas e ganhos antes de fechar em queda de 0,37% aos 56.242 pontos nesta quarta-feira (21). Na volta do feriado que manteve a bolsa brasileira fechada, o índice viu a Marfrig (MRFG3) liderar os ganhos com alta de 4,78%, para R$ 12,05. No sentido oposto, aparecem mais uma vez as ações preferenciais da Eletrobras (ELET6), que despencarem 20,08%, indo a R$ 7,84, ampliando as perdas acumuladas em 2012 para 68,21%.
Os papéis ordinários, listados sob o código ELET3, também sofreram: queda de 15,73%, para R$ 6,75. Esses ativos continuam o forte movimento de queda dos últimos dias, após a equipe de análise do Barclays cortar o preço-alvo das ações da estatal, tanto ordinária quanto preferencial, para R$ 1 e recomendar a venda. Os papéis já atingem os patamares de 2004.
O banco estima que as novas regras para as concessões podem diminuir em 30% a receita líquida da Eletrobras no próximo ano, o que reduz sua capacidade de distribuir dividendos e pode levar a uma substancial oferta de ações.
Na ocasião, a companhia também realizou uma teleconferência com analistas. Na ocasião, o diretor de relações com investidores, Armando Casado de Araújo, afirmou que em consequência do processo de renovação das concessões de energia elétrica com vencimento previsto a partir de 2015, o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) deve zerar no ano de 2013.
Petrobras cai forte com impasse
Outra estatal que chamou a atenção do mercado foi a Petrobras (PETR3, PETR4), que viu seus papéis ordinários recuarem 2,78% e os preferenciais cairem 2,67%, para R$ 19,20 e R$ 18,62, respectivamente. Com isso, a empresa perdeu o posto de empresa mais valiosa do Brasil para Ambev (AMBV4), que subiu nesta sessão.
Os papéis da petrolífera chegaram a subir no início da sessão, amparados pela possibilidade de um aumento de 15% dos combustíveis, que de acordo com o jornal Folha de S. Paulo, é especulado por executivos da companhia. A política de preços é atualmente a grande dor de cabeça para a companhia.
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Contudo, Guido Mantega, ministro da Fazenda e presidente do conselho de administração da companhia, negou que a empresa teria pedido um aumento – fazendo com que os papéis virassem para o negativo.
Empresas X também caem forte
Outras empresas que não tiveram uma boa sessão foram as de Eike Batista – que voltaram a cair após a chinesa Wuhan desistir de sua parceria com a LLX Logística (LLXL3). Os papéis da empresa de logística do Grupo EBX despencaram 5,63%, para R$ 2,01, enquanto a OSX Brasil (OSXB3) viu suas ações recuarem 5,20%, atingindo os R$ 9,67.
Já a OGX Petróleo (OGXP3) – ação com 3ª maior participação na composição do Ibovespa – perdeu 4,91% de valor de mercado, valendo R$ 4,65 por ação, contribuindo para que o índice terminasse o dia em queda. Outra empresa do setor a apresentar volumosa queda foi a HRT Petróleo (HRTP3), que caiu 12,30% e fechou aos R$ 4,85.
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Voltando a falar das empresas de Eike, a CCX Carvão (CCXC3) recuou 3,90%, para R$ 1,97. Menos bruscas foram as quedas das ações de MMX Mineração (MMXM3), que recuou 1,59% e atingiu R$ 3,72, e MPX Energia (MPXE3) ficou estável, em R$ 11,00.
Com isso, o acumulado das empresas de Eike perdeu 4,28% de valor de mercado – passando de R$ 24,72 bilhões para R$ 23,66 bilhões. Esse movimento é muito superior a queda do próprio Ibovespa e representa a fuga de investidores de projetos tidos como mais arriscados – mas que podem dar retornos maiores no longo prazo.
Brasil Foods na máxima histórica
Contrastando ao movimento negativo de boa parte do mercado, as ações da Brasil Foods (BRFS3) seguem respondendo positivamente ao bom momento gerado após a divulgação dos resultados do 3º trimestre, tendo alcançado sua máxima história no pregão desta quarta-feira, aos R$ 39,28, antes de perder um pouco de forças e fechar com alta de 2,32% aos R$ 38,88.
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Na visão do analista Cauê Pinheiro, da SLW Corretora, a apreciação dos papéis reflete ainda a estimativa de que a empresa continue com tendência de melhora, já puxada pelo reajuste de preços. Na semana passada, a empresa informou que o reajuste dos preços no País ficou de 4,0% a 4,5% no terceiro trimestre.
“A Brasil Foods vem tentando reposicionar o preço e retomar a margem, resultado que já deve ser visto no próximo balanço”, disse. Ele recomenda manutenção dos ativos, com preço-alvo em R$ 40,37, e ressalta que a companhia é a mais atraente do setor, devido às suas marcas fortes e estrutura financeira.
Sandra Peres, da corretora Coinvalores, acrescenta que a Brasil Foods está mais focada na melhora dos números, e que, como está com grande nível de estoque, não deverá ser afetada em breve pelo preço mais elevado dos grãos. O preço mais elevado dos grãos prejudicou o resultado da companhia no período de julho a setembro. A analista adiciona que a companhia vende produtos com maior valor agregado, o que deve turbinar as receitas delas.