Destaques da Bolsa

Eletrobras cai mais de 5% com revés no Senado; Forjas Taurus salta mais de 40% em meio a euforia com Bolsonaro

Confira os destaques da Bolsa na sessão desta terça-feira (17)

(Divulgação/Eletrobras)

SÃO PAULO – Após a forte alta da véspera, a sessão foi de leve queda para a Bolsa brasileira com o mercado entre a ata do Fomc (Federal Open Market Committee) e as pesquisas eleitorais. 

De um lado, o documento do Federal Reserve aponta que as taxas de juros norte-americanas devem seguir aumentando gradativamente até alcançar um patamar que consiga desacelerar o crescimento econômico, o que dá um sinal negativo para os mercados emergentes. Do outro, nova pesquisa eleitoral, do Paraná Pesquisas apontou vantagem de quase 22 pontos de Jair Bolsonaro (PSL) sobre Fernando Haddad (PT), informação que é lida com otimismo pelo mercado doméstico. 

Mais cedo, o mercado ficou de olho nas notícias negativas para privatizações – no caso, da distribuidora Amazonas Energia da Eletrobras e com o leve recuo do candidato do Novo ao governo de Minas Gerais, Romeu Zema, sobre as privatizações das mineiras Copasa e Cemig. Enquanto Cemig e Copasa amenizaram as baixas, a Eletrobras teve uma queda menor do que a registrada na abertura, mas ainda fechou em expressiva baixa.  Enquanto isso, a Vale (VALE3) subiu com a alta de 3,5% do minério de ferro em Qingdao.

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Mas o grande destaque ficou com a Forjas Taurus, com os papéis ON subindo mais de 40% em meio à expectativa de flexibilização do porte de arma, com o mercado de olho cada vez mais na expectativa de vitória de Bolsonaro para a presidência. 

Confira os destaques desta quarta-feira nos mercados: 

Eletrobras (ELET6)

As ações da Eletrobras despencaram no início desta sessão, mas amenizaram as perdas durante a sessão. Isso aconteceu após o Senado rejeitar por 34 votos a 18 e uma abstenção, o projeto de lei que alteraria regras do setor elétrico e buscava viabilizar a privatização de distribuidoras da Petrobras. Desta forma, vai ao arquivo e não terá validade. Além disso, após a decisão, as distribuidoras do Amazonas e de Alagoas devem ser liquidadas.

Com isso, a privatização da Amazonas Energia fica inviável, sendo uma das opções para a Eletrobras liquidar a companhia (juntamente com a Ceal) e assumindo todas as suas dívidas (R$14 bilhões), a salvo que o governo obrigue o adiamento da privatização.

“A notícia é negativa para a Eletrobras e para o setor elétrico, pois não haverá a aprovação de outras medidas como a solução para o déficit hidrológico, que paralisa o mercado de energia de curto prazo”., aponta a XP Research. 

Forjas Taurus (FJTA3;FJTA4)

A Forjas Taurus tem nova alta em meio à expectativa de que, se Bolsonaro for eleito, ele deve encaminhar um projeto para reformular o estatuto do desarmamento, o que deve ganhar força para passar no Congresso ainda mais com o fortalecimento da bancada conservadora. 

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Por outro lado, vale destacar a análise de que o candidato do PSL já repetiu diversas vezes que, se eleito, vai “quebrar o monopólio da Taurus” no mercado de armas brasileiro. Ou seja, na verdade, a empresa sairia perdendo em caso de vitória de Bolsonaro. Confira a matéria completa sobre o assunto clicando aqui. 

Leia mais em: Ação da fabricante de armas Taurus dobra de valor com Bolsonaro – mas movimento não faz sentido

Cyrela (CYRE3)

A Cyrela divulgou ontem após o fechamento do mercado a prévia dos resultados operacionais do terceiro trimestre. O volume de lançamentos foi de R$ 918 milhões, um aumento de 72,7% em relação ao realizado no mesmo período do ano anterior, as vendas líquidas totalizaram R$ 943 milhões e as Vendas sobre Oferta (VSO) de 12 meses ficou em 39,4% – 32,7% acima do apresentado no mesmo trimestre de 2017. No período foram lançados 12 empreendimentos.

Em relatório intitulado “céus mais claros adiante”, o Bradesco BBI afirmou que espera que a companhia continue entregando uma  sólida geração de caixa.

“Continuamos otimistas com os dados operacionais de Cyrela para os próximos trimestres, e vemos a companhia bem posicionada no atual mercado, com cerca de metade do seu volume advindo do segmento de baixa renda, enquanto os projetos de média e alta renda podem se beneficiar com uma retomada da economia”, escrevem os analistas.

BRF (BRFS3)

De acordo com o Valor Econômico, BRF está negociando um acordo de leniência com o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU). O pedido da empresa foi apresentado ao órgão há algumas semanas e as equipes de negociação estão sendo montadas, apurou o Valor.

A iniciativa faz parte das determinações do próprio presidente da BRF, Pedro Parente, para que a empresa “vire uma página” e forneça todas as informações que venham a ser solicitadas por órgãos de controle no sentido de passar a limpo o passado suspeito da empresa.

Carrefour Brasil (CRFB3)

O Carrefour divulgou o desempenho de vendas do terceiro trimestre. De acordo com a empresa, as iniciativas do “Plano de Transformação Carrefour 2022”, combinadas com os avanços adicionais da estratégia omnicanal, ajudaram a impulsionar o desempenho de vendas em todos os formatos no trimestre”.

No período, as vendas brutas totais, ex-gasolina, cresceram 8,3%, enquanto as Vendas Mesmas Lojas (LfL, ou like-for-like) aceleraram para 5,1%, mostrando um crescimento em todos os formatos. Os resultados do 3º trimestre devem ser anunciados no próximo dia 7.

Para os analistas do Bradesco BBI, a aceleração no crescimento do SSS (Vendas nas Mesmas Lojas, na sigla em inglês), é positivo. “Esperamos ver uma maior aceleração no quarto trimestre com o aumento da inflação dos alimentos”, escrevem.

A equipe de análise destaca que os resultados do Carrefour vieram abaixo dos apresentados pelo Pão de Açúcar (na segunda-feira). “Se excluirmos o e-commerce dos 3% de aumento no SSS do Carrefour, o crescimento do SSS nos hipermercados ficou próximo de 0%, o que é consideravelmente abaixo dos 7,4% reportados pelo GPA em seus hipermercados”, escrevem.

Com relação aos desempenhos de vendas, os analistas do BTG Pactual escrevem: “Seguimos com uma visão estrutural cautelosa para os grandes players do setor de varejo de alimentos, preferindo inclusive ficar fora de ambos (CRFB e PCAR). No relativo, a preferência é por PCAR”.

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Tenda (TEND3)

A Construtora Tenda divulgou a prévia dos resultados operacionais do 3º trimestre. No período, a companhia registrou R$ 577 milhões em lançamentos – aumento de 18% na comparação com o mesmo período do ano anterior -, desempenho recorde de Vendas Líquidas de R$ 489,9 milhões (27% superior ao terceiro trimestre de 2017) e 32% de Vendas sobre Oferta (VSO), um incremento de 6,8 p.p. frente ao 3º trimestre de 2017.

Na opinião do Bradesco BBI, o motivo por trás dessa performance é a grande absorção de unidades lançadas no programa Minha Casa Minha Vida. “Além do fato de que Tenda deva continuar entregando dados operacionais sólido nos próximos trimestres, o que deve impactar positivamente o lucro, também devemos continuar vendo um sólido fluxo de caixa livre”, escrevem os analistas.

Eztec (EZTC3)

A Eztec divulgou ontem após o fechamento do mercado a prévia dos resultados operacionais do terceiro trimestre de 2018. A companhia registrou vendas líquidas no valor de R$ 121,4 milhões, superiores ao do mesmo período do ano anterior.

As vendas brutas vieram em R$ 167,2 milhões, com avanço de 24% em relação ao trimestre anterior, com boa velocidade de vendas e leve aceleração na venda de estoques. Os distratos, por sua vez,  ficaram em R$ 45,8 milhões.

Em relatório, o BTG Pactual comenta os resultados da construtora e reforça que os números vieram fracos. “Apesar de reconhecermos a lucratividade e um forte histórico de Eztec, acreditamos que os resultados devem permanecer fracos por um tempo (uma vez que as vendas e os lançamentos estão levando mais tempo para se recuperarem), enquanto o valuation não é particularmente atrativo”, escrevem.

Cemig (CMIG4); Copasa (CSMG3)

Em entrevista ao G1, o candidato ao governo de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), recuou das propostas de privatizações da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais).

“Eu havia mencionado que nós tínhamos como plano privatizar a Cemig, Copasa etc. Mas hoje essas empresas estão mal gerenciadas, com valor de mercado muito pequeno e nós não vamos vender nada barato”, disse. E completo: “Bem lá na frente pode até privatizar, mas talvez nem seja necessário”.

Vale destacar que, em entrevista concedida ao InfoMoney na segunda-feira passada (8), Zema apontou interesse em privatizar a Cemig e a Copasa caso eleito, mas disse que as medidas não seriam imediatas, e que, primeiro, gostaria que as companhias atingissem um valor de mercado justo. Vale destacar que os papéis das duas empresas dispararam desde que ganhou força a chance de Zema ir para o segundo turno e, depois, com o candidato do Novo aparecendo surpreendentemente em primeiro lugar no resultado do primeiro turno, o que levou a um grande otimismo de diversas casas de análise

“Vemos a notícia como neutra. Continuamos a ver valor na Cemig, bem como oportunidades na forma de maiores eficiências operacionais e execução do programa de venda de ativos”, destaca a XP Research. 

Vale (VALE3)

De acordo com a Vale, o fluxo de caixa livre da companhia este ano será de US$ 10 bilhões, sem contar os desinvestimentos, que já superaram a meta estipulada para 2018. Neste cenário, a questão da dívida da companhia saiu do horizonte. Desta forma, o maior uso do caixa será na política de dividendos e de recompra e ações.

Ainda de acordo com a estatal, há a expectativa de que a Samarco retome suas operações no início de 2020, com capacidade reduzida, devendo incrementar sua produção lentamente ao longo dos anos. “Cabe ressaltar, porém, que essa estimativa continua totalmente condicionada à obtenção das licenças necessárias para a operação, cujo processo ainda está em discussão e sujeito à aprovação pelas autoridades competentes, o que pode impactar essa estimativa”, escreve a Vale.

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