Elétricas: eliminar indexação à inflação é improvável, segundo BofA Merrill Lynch

Contudo, analistas esperam reação negativa caso medida seja implementada; Cesp e Eletrobrás seriam as maiores prejudicadas

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SÃO PAULO – Gerando certa comoção no setor de energia e saneamento, o diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Nelson Hubner, afirmou que o MME (Ministério de Minas e Energia) está considerando a possibilidade de eliminar a indexação do preço da energia a índices de preço, como IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Apesar de apresentarem riscos para algumas companhias, as palavras do diretor foram recebidas com descrença pelos analistas do Bank of America Merrill Lynch. “Nós vemos essa notícias como potencialmente negativa se implementada, porém improvável”, afirmam Felipe Leal e Diego Moreno.

Em relatório, os dois lembram que atualmente a energia vendida no mercado regulado é reajustada anualmente pela inflação. Conforme o plano expresso por Hubner, essa situação poderia ser alterada na época da renovação das concessões que vencem entre 2015 e 2017, já que elas não mais incorrem em custos de financiamento.

“Ao invés disso, as plantas teriam uma revisão periódica a cada quatro ou cinco anos para determinar se os preços garantem equilíbrio financeiro”, explica a equipe da Merrill Lynch.

Improvável por quê?

Leal e Moreno citam cinco motivos que levam à percepção de que a eliminação da indexação à inflação é improvável. Primeiro, a correção a cada quatro ou cinco anos poderia resultar em acúmulo do reajuste tarifário a ser repassado para os consumidores finais em um único ano, o que iria contra o propósito do modelo.

Além disso, a eliminação da indexação nessas plantas teria impacto limitado nas tarifas, já que a energia dessas usinas representa apenas uma porção da capacidade instalada total, cerca de 20% atualmente e expectativa de ser ainda menor após 2016.

O terceiro motivo listado é que, embora não tenham custos de financiamento, os custos operacionais das plantas registram aumentos anuais e a alternativa proposta poderia resultar em deterioração da margem. Ademais, “o mesmo impacto poderia ser alcançado utilizando um preço inicial mais baixo”.

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Por fim, os analistas afirmam que “revisões periódicas para diversas plantas de geração levariam ao risco de sobrecarregar a Aneel, que já é incapaz de concluir as revisões tarifárias periódicas das distribuidoras no tempo correto”.

Sensibilidade

Ainda que julgue improvável uma alteração do tipo, o BofA Merrill Lynch calculou os impactos de alterações na indexação à inflação no valor do DCF (Fluxo de Caixa Descontado, na sigla em inglês). O cenário base considerado pela instituição é a renovação das concessões com um teto de R$ 60 MWh, sendo que Eletrobrás e Cesp correriam os maiores riscos.

Sensibilidade do valor do DCF*
Empresa Repasse da Inflação
0% 25% 50% 75% 100%
Eletrobrás ON 28,39 29,47 30,66 31,96 33,38
Eletrobrás PNB 22,39 23,47 24,66 25,96 27,38
Cesp PNB 24,85 26,04 27,34 28,73 30,12
Cemig PN 38,47 38,66 38,86 39,08 39,32
Copel PNB 31,23 31,29 31,36 31,44 31,52

*Assumindo o cenário base com renovação das concessões a um preço de R$ 60 por MWh