Elétricas e bancos lideram altas da semana; Vale e Ambev têm as maiores quedas

Na metade de junho, Marfrig lidera os ganhos e busca ser o "bicampeão" mensal; estatais sobem forte na semana após sequência de pesquisas eleitorais

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SÃO PAULO – Em uma semana positiva para o Ibovespa, alguns setores acabaram chamando atenção na Bolsa, com destaque para as companhias elétricas e bancos do lado positivo e para empresas entre mais valiosas como maiores perdas, caso da Vale e da Ambev. No acumulado do mês, destaque para o fato de apenas 7 papéis acumularem perdas, enquanto a Marfrig (MRFG3) busca seu “bicampeonato” após liderar as altas de maio.

O frigorífico engatou um rali pouco antes de divulgar seu resultado em abril e desde então ainda não perdeu força. Em seu balanço do primeiro trimestre, a companhia aumentou seu prejuízo de R$ 59,6 milhões para R$ 96,4 milhões, mas o número foi deixado de lado por analistas e investidores diante de uma boa melhora operacional, o que impulsionou os papéis.

“Lógico que as pessoas sempre olham para o resultado final de uma empresa. Mas o que queremos destacar é que a Marfrig está a cada trimestre no caminho certo para o principal objetivo, que é gerar valor para o acionista via retorno em dividendos”, disse Sergio Rial, presidente da empresa. Nesta semana, as ações da Marfrig não ficaram entre os maiores ganhos, mas acumularam alta de 6,96%. Por outro lado, no mês, os papéis MRFG3 são líderes do Ibovespa, com ganhos de 53,75%.

Elétricas sobem forte
Entre as 5 maiores altas da semana, 3 são companhias elétricas. Eletropaulo (ELPL4), Light (LIGT3) e Energias do Brasil (ENBR3) registraram alta de 10,56%, 8,39% e 8,33%, respectivamente a R$ 10,05, R$ 22,35 e R$ 10,66. Logo no início da semana, ajudou os papéis a subirem a expectativa de quedas no preço de energia, que caiu para R$ 318,60 MWh, contra a máxima de duas semanas atrás de R$ 822 MWh.

No caso das companhias distribuidoras, a queda do preço é positiva, já que no cenário sem chuvas elas precisavam buscar energia “extra” no mercado para suprir o que não conseguiam oferecer. Com o preço da energia em seu máximo como anteriormente, o caixa das distribuidoras ficava bastante pressionado. Situação que deve melhorar com esse ambiente de alívio nos valores da energia.

Outra notícia que ajudou essas companhias foi o início dos debates na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) sobre o quarto ciclo de revisões tarifárias. A Agência propôs um custo médio ponderado de capital (Wacc) inicial de 7,16%, depois de impostos, a ser considerado no quarto ciclo de revisão tarifária das distribuidoras, abaixo da proposta do 3º ciclo (7,5%) e do 2º ciclo (9,9%). A redução a cada ciclo é comum, mas a proposta da Aneel de Wacc para o quarto ciclo representa uma queda menor que a ocorrida nos ciclos anteriores. A proposta segue para audiência pública que fica aberta até 1 de setembro.

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Bancos e estatais
Após o Datafolha na sexta-feira passada, mais duas pesquisas eleitorais ajudaram a impulsionar os papéis das estatais e dos bancos nesta semana. Na terça-feira, o Ibope mostrou 38% das intenções de voto para Dilma, contra 40% registrados na pesquisa anterior, em maio. Já Aécio passou de 20% para 22%, enquanto Eduardo Campos subiu de 11% para atuais 13%. A pesquisa foi encomendada pela Uvesp (União dos Vereadores de São Paulo).

No dia seguinte, a Carta Capital divulgou a pesquisa Vox Populi, mostrando uma alta de 5 pontos percentuais na intenção de voto de Aécio Neves (PSDB), para 21%, enquanto Dilma Rousseff (PT) e Eduardo Campos (PSB) ficaram estáveis em 40% e 8% das intenções de voto, respectivamente.

Com isso, as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) registraram ganhos de 8,03% e 7,41% na semana, fechando a R$ 26,36 e R$ 18,99. Com isso, BB e Petrobras ficaram com a quinta e sexta maiores altas da semana. Apesar de chamar mais atenção para as estatais, o rali eleitoral também tem ajudado bastante os papéis dos bancos. Diante disso, o Itaú Unibanco (ITUB4) fechou a semana como a maior alta do índice, com ganhos de 15,56%, a R$ 34,29.

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Vale e Ambev lideram perdas
Duas das maiores empresas da Bolsa ficaram com os piores desempenhos dentre as ações do Ibovepsa nesta semana. No caso da Ambev (ABEV3), as perdas ocorreram após o Credit Suisse rebaixar a recomendação da empresa de outperform (desempenho acima da média) para neutro e reduzir o preço-alvo de R$ 20 para R$ 18. A equipe do banco acredita que mesmo com o efeito positivo da Copa do Mundo, a estratégia de reajustar preços acima da inflação não é sustentável.

Enquanto isso, a agência de classificação de risco Moody’s reafirmou o rating Baa1 da companhia, mas alterou sua perspectiva de positiva para estável, refletindo a expectativa também estável para o governo e a improbabilidade de ação positiva no rating soberano no curto-médio prazo do País. Por conta disso, eles destacam preferência pela ABI dentro do setor, com recomendação outperform. Diante disso, os papéis ABEV3 fecharam a semana a R$ 15,85, com desvalorização de 2,76%.

Já no caso da Vale (VALE3; VALE5), a posição ruim na semana ocorreu após a forte queda deste pregão, que acompanharam o desempenho dos ADRs (American Depositary Receipts) na bolsa dos EUA na última quinta-feira (12). Além da pressão com a queda do preço do minério de ferro na China, duas instituições cortaram suas recomendações para a companhia.

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A primeira foi o Santander, que rebaixou a recomendação dos ADRs da Vale de “compra” para “manutenção”. A tendência de deterioração dos resultados e retornos da companhia devem continuar, o que reflete a queda dos preços do minério de ferro, observaram os analistas do banco, em relatório. Depois foi a vez do Morgan Stanley, que também rebaixou suas expectativas para os preços de minério de ferro para o segundo semestre a US$ 95 a tonelada e reduziu a recomendação dos ativos da brasileira de compra para neutra.

Veja as maiores quedas da semana no Ibovespa:

Ação Cotação Desempenho na semana
Ambev ON R$ 15,85 -2,76%
Duratex ON R$ 9,21 -2,75%
Vale ON R$ 28,60 -2,62%
Eletrobras ON R$ 6,99 -2,24%
Fibria ON R$ 21,85 -2,15%

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.