Eike pode comprar Bradespar visando a Vale, diz Folha; Link acha “pouco provável”

Jornal noticia aporte à holding do banco e revela indícios a favor; contudo, corretora vê aquisição como "sonho megalomaníaco"

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SÃO PAULO – Conhecido por sua ousadia nos negócios, o empresário Eike Batista negocia com o Bradesco a compra da Bradespar – holding do Bradesco -, que detém parte do controle da mineradora Vale, conforme noticiado no periódico Folha de S. Paulo.

Segundo o jornal, o empresário esteve na sede da instituição paulista no último dia 19, a fim de entregar ao presidente do Bradesco Lazaro Brandão uma proposta de compra da Bradespar.

O valor poderá superar a casa dos R$ 9 bilhões, dada a oferta que Eike terá que realizar aos acionistas minoritários da Bradespar, caso as negociações entre as partes se concretizem.

Pouco provável, mas não impossível

Em meio ao panorama, a Link Investimentos divulgou relatório sobre o aporte, no qual acredita ser pouco provável a compra da Bradespar. “Não vemos o interesse do Eike em gastar quase R$ 10 bilhões para controlar a Vale, a menos que seja um sonho megalomaníaco dele”, observam os analistas. Além disso, “a Bradespar vem administrando muito bem a mineradora, e trazendo bons frutos ao Bradesco.

No entanto, a corretora ressalta que esse boato está há “um bom tempo no mercado”, o que leva a máxima de “onde há fumaça, deve haver fogo”. Conforme os cálculos da Link, Eike teria que investir cerca de R$ 35,00 por ação da Bradespar, a um prêmio de 20%. Dados o tag along de 100% para as ações ordinárias e de 80% para as preferenciais, o montante total poderia superar a casa dos R$ 10 milhões.

Sem pistas concretas, os analistas mantêm a recomendação de compra para Vale e também para a Bradespar, embora o upside da holding seja menor que o da mineradora.

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Aval

Por outro lado, de acordo com a reportagem do jornal, o empresário carioca consultou o presidente Lula, o governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral e os presidentes do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e da Previ, Luciano Coutinho e Sérgio Rosa, respectivamente, para avaliar o negócio. Todos foram favoráveis ao aporte de Eike.

Ademais, vale lembrar que o pai do empresário, Eliezer Batista, foi presidente da Vale em 1961 e entre 1979 e 1986, o que reforça a ligação entre Eike e a mineradora. À época da criação da MMX, Eike denominava a companhia, de forma reservada, de “mini-Vale”. Além disso, com o controle da Vale, o empresário poderia incorporar a MMX e a LLX, de logística.

Por último, uma entrada de Eike na Vale poderia colocar em risco o cargo de Roger Agnelli, atual presidente da companhia.