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SÃO PAULO – O primeiro-ministro britânico Gordon Brown enfrenta problemas que vão além do menor desempenho econômico do Reino Unido. Se não bastassem as preocupações com a crise e a chegada da recessão, o câmbio também se tornou alvo de críticas, colocando em xeque a competência do dirigente em contornar situações difíceis.
Após atingir o menor nível dos últimos 23 anos, o patamar da libra esterlina vem sendo interpretada como um reflexo do enfraquecimento geral da economia, piorando a popularidade de Brown. “Isso é visto como se o país estivesse ruindo, como se ele estivesse desaparecendo”, afirmou Jonh Thurso, um dos democratas do Parlamento.
Tempos ruins
Idéia parecida também é defendida por alguns economistas, que já apontam que a queda da moeda está atrelada ao menor papel que o Reino Unido ocupa na dinâmica econômica mundial. Jim Rogers, chairman da Roger Holdings, por exemplo, afirmou que a cotação reflete o colapso do sistema fianceiro e a baixa produção de petróleo no Mar do Norte.
Em entrevista dada à Bloomberg no dia 20 de janeiro, Jim alegou que a moeda está sendo pressionada pois o Reino Unido “já não tem mais muito o que vender para o mundo”, além de contar com “dívidas estupendas”. Três dias depois, Gordon Brown foi à BBC para defender sua política econômica e ressaltar que ela não é feita por “especuladores”.
Desde novembro de 2007, quando era negociada a US$ 2,11, a libra esterlina vem perdendo força em relação a boa parte das divisas estrangeiras, sobretudo euro e dólar. Na sexta-feira (23), a cotação tocou o menor nível desde 1985, após o governo confirmar recessão no segundo semestre de 2008. Há pouco, ela beirava os US$ 1,35.
Pouca munição
Mesmo observando atentamente a trajetória de queda, o primeiro-ministro conta com poucas ferramentas para corrigir a moeda, trilhando caminhos em um cenário bastante desafiador. Com a menor taxa de juro desde 1694, o Reino Unido ainda enfrenta resquícios da crise e prevê um déficit de 9,6% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2010 – o maior de toda a União Europeia.