Efeito psicológico do corte no rating dos EUA é maior que o efeito real

País pode demorar entre 9 e 18 anos para recuperar AAA; medida da S&P só contribuiu para piorar a percepção negativa da economia

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SÃO PAULO – Os efeitos psicológicos do rebaixamento do rating norte-americano realizado pela Standard & Poor’s na sexta-feira (5) são maiores que os efeitos reais da medida tomada pela agência de classificação de risco, afirma José Fernando Restrepo, da InterBolsa. 

Segundo ele, a situação deverá se estender, sendo necessários de nove a 18 anos para que o país recupere o rating AAA. Além disso, para o analista, a situação deverá provocar uma maior volatilidade e aversão ao risco entre os investidores, embora o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, tenha afirmado que isso não muda nada. 

Corte impacta câmbio
O clima mais pessimista no mercado global fará com que o dólar registre perdas em relação a moedas consideradas como refúgios, como o iene e o franco suíço, mas se valorize frente a moedas de países emergentes, como o real, por conta da aversão ao risco. 

Além do mais, Restrepo avalia que o corte no rating dos EUA trará dois impactos na função do dólar mundialmente. Primeiro, fará com que investidores procurem ativos não denominados em dólares, aumentando a demanda por outras moedas, e segundo, haverá uma mudança no sistema de reservas mundias, que poderão caminhar para um sistema com múltiplas moedas. 

Mercado acionário
As ações serão mais impactadas, segundo Restrepo,  pela volatilidade e aversão ao risco. Além disso, haverá uma mudança de postura por parte de investidores, que buscarão grandes pagadores de dividendos diante das baixas rentabilidades dos Treasuries. 

Contudo, isso aumenta as expectativas frente à um novo pacote de Quantative Easing por parte do Fed, que poderia ser anunciado na próxima reunião da autoridade monetária norte-americana, que acontece nesta segunda e terça-feira (9), o que beneficiaria o mercado dos EUA através da injeção de mais dólares na economia do país, aliviando em partes o clima de cautela por  lá. 

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Além disso, a fuga dos investidores desse tipo de ativo fará com que eles se movimentam atrás de metais preciosos e commodities agrícolas, ao passo que commodities energéticas apresentarão queda por conta das preocupações com a economia, segundo a InterBolsa.

Dificuldades Econômicas
A consultoria Rosenberg, por sua vez, avalia que o corte no rating dos Estados Unidos só agrava um cenário que já estava deteriorado. O congresso teve sua parte de culpa, por conta do “show de horrores”, como classificado pela consultoria, que foi a aprovação do limite da dívida norte-americana – expôndo a precariedade da situação fiscal do país.

Restrepo concorda com essa percepção, afirmando que isso aumenta a incertezas acerca da economia mundial, expondo sua debilidade. Para ele, outros países com qualificação AAA poderão perder essa nota em breve. Para a Rosenberg, as medidas prometidas pelo G-7 (grupo das sete nações desenvolvidas mais importantes do planeta) terão de ser estruturais, diminuindo as dívidas frente ao PIB (Produto Interno Bruto) no médio e longo prazos para que a situação melhore. 

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O Brasil deverá estar em condições melhores que a maioria dos países, na chance de uma recessão nos Estados Unidos. Contudo, salienta a consultoria, isso seria como estar na primeira classe de um navio afundando.