Efeito mais preocupante da crise financeira internacional é no comércio, diz Lula

Em reunião do G-20 neste sábado, Lula disse que G-7 sozinho não irá resolver o problema e pede reforma no FMI

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SÃO PAULO – O presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, disse neste sábado (8) que um dos efeitos mais preocupantes da crise financeira internacional é sentido no comércio. Lula discursou durante a reunião do G-20 que é realizada em São Paulo com a presença de representantes dos países mais ricos do mundo.

Segundo ele, a falta de financiamento externo poderá levar a problemas de balanços de pagamentos nos países. “Mesmo os países mais preparados, como o Brasil, estão sofrendo com a falta de empréstimos”, porém, reafirmou compromisso de rebater os efeitos no País e manter investimentos estatais. “O Governo não permitirá que o nosso crescimento seja comprometido”, afirmou.

Em coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira (7), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Governo irá perseguir um crescimento de 4% em 2009. Nesta semana, o FMI (Fundo Monetário Internacional) revisou a projeção de crescimento do País para 3%. A expectativa anterior era de 3,5%.

“Estamos assegurando que o nosso sistema bancário continue apresentando níveis adequados de liquidez”, afirmou. Para ele, ainda é necessário compreender os efeitos nas economias emergentes. Em relatório divulgado na sexta-feira, o Banco Mundial avaliou que os países em desenvolvimento estão se aproximando de uma “zona de perigo”.

Ao lado de Mantega (esquerda) e Meirelles (direita), Lula pede reforma no FMI

Reformas nas organizações

Lula disse ao lado de presidentes de bancos centrais e ministros de finanças, que é preciso aumentar a participação dos países em desenvolvimento nos mecanismos decisórios da economia mundial, como o FMI, ou criar novos. “É a vida de seres humanos que está em jogo. As crises são momentos na história que se abrem oportunidades para mudanças”.

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“As lições da crise de 29 devem servir de alerta para todos nós”, disse. Para ele, medidas unilaterais só prolongaram os efeitos da recessão e da desconfiança. O presidente também pediu mais esforços na conclusão da rodada Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio). Mantega disse na sexta-feira que o Brasil está disposto a pagar pela contribuição maior que terá que fornecer ao conseguir mais cotas.

Para ele, a atual configuração do Fundo representa o panorama da economia nos anos 1940 e 1950. “Hoje a representação é minoritária”, reiterou. Lula disse que no encontro do G-20 a ser realizado em Washington no próximo sábado os países poderão avançar mais no diagnóstico da crise e divulgar decisões.

“Não podemos, não devemos, e não temos o direito de falhar”, finalizou Lula. É esperado que no domingo o G-20 divulgue nota sobre as decisões da reunião.