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O estrangeiro voltou para a Bolsa brasileira em julho muito por conta do reequilíbrio de carteiras, saindo das ações de Inteligência Artificial (IA) para os papéis conhecidos como HALO (Heavy Assets, Low Obsolescence). A sigla caracteriza empresas com muitos ativos físicos e baixo risco de saírem do mapa por conta da IA.
Por mais que o cenário seja de volatilidade e idas e vindas para as ações de IA, O Goldman Sachs aponta que a América Latina pode se beneficiar da estratégia de investidores globais de reduzirem a concentração em empresas de tecnologia e inteligência artificial dentro da estratégia HALO, colando assim diversas companhias brasileiras entre suas principais recomendações na região.
A tese parte da avaliação de que empresas intensivas em ativos tangíveis, como petróleo, energia elétrica, saneamento, infraestrutura, telecomunicações, commodities e propriedades imobiliárias, podem oferecer maior proteção em um ambiente marcado por juros reais elevados, tensões geopolíticas e riscos relacionados à concentração excessiva em ações ligadas à inteligência artificial. Segundo o banco, os papéis HALO vêm superando as empresas mais dependentes de tecnologia desde 2025 em várias regiões do mundo.
Para o Goldman, a América Latina reúne características especialmente favoráveis para essa estratégia. A região é grande exportadora de commodities, possui relevância estratégica na produção global de petróleo e oferece avaliações consideradas atrativas. O MSCI Latam negocia a cerca de 9,5 vezes lucro projetado para os próximos 12 meses, abaixo de sua média histórica e com desconto em relação a mercados como Estados Unidos e Europa.
Entre as ações brasileiras, o destaque mais evidente ficou para o setor de petróleo. O Goldman reiterou recomendação de compra para Petrobras (PETR3; PETR4) e PRIO (PRIO3), afirmando que ambas negociam a múltiplos atrativos e apresentam elevada geração de caixa. No caso da Petrobras, o banco vê potencial sustentado por crescimento de produção, melhora do ambiente de refino e governança mais favorável, estimando rendimento de fluxo de caixa livre de 18% em 2027. Já a PRIO foi destacada pelo fluxo de caixa livre projetado de 23% e pela forte geração de valor aos acionistas.
No segmento de utilities, o banco colocou Sabesp (SBSP3), Equatorial (EQTL3) e Axia (AXIA3) entre suas ações preferidas. A avaliação é de que essas empresas combinam ativos de alta qualidade, proteção contra inflação e potencial de valorização em um cenário de normalização dos juros reais no Brasil. O Goldman ressalta que as utilities brasileiras têm histórico de desempenho superior ao MSCI Emergentes na última década.
O banco também demonstrou preferência por empresas brasileiras de commodities. Entre elas está Suzano (SUZB3), apontada como a principal escolha do setor de celulose graças à sua posição global de baixo custo e ao fluxo de caixa considerado atrativo. Em siderurgia, as preferências incluem Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5), ambas avaliadas como opções descontadas dentro do universo latino-americano de materiais básicos.
No setor de alimentos, a principal recomendação do Goldman é a MBRF (MBRF3). Os analistas destacam que a companhia opera uma plataforma global de proteínas com ativos difíceis de replicar, incluindo frigoríficos, centros de distribuição, fábricas de ração e infraestrutura logística espalhada pelo Brasil, Estados Unidos e Oriente Médio. A instituição vê a empresa como uma das maiores beneficiárias do crescimento estrutural do consumo global de proteínas.
Outra ação brasileira destacada foi a Rede D’Or (RDOR3). O Goldman argumenta que a maior rede hospitalar privada do país se encaixa perfeitamente no conceito HALO por depender de ativos físicos de longa duração e por possuir uma expansão relevante de capacidade nos próximos anos. A expectativa é que a companhia adicione cerca de 2.700 leitos até 2028, ampliando sua alavancagem operacional.
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No mercado imobiliário, a preferência recai sobre Multiplan (MULT3), dona de shopping centers considerados escassos e difíceis de replicar nas principais capitais brasileiras. O banco projeta crescimento médio anual de 11% do fluxo de caixa por ação entre 2025 e 2027, ritmo superior ao observado em pares globais. Entre as incorporadoras residenciais, Cyrela (CYRE3), Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) aparecem entre as ações com recomendação de compra.
Embora a tese favoreça diversos nomes brasileiros, o Goldman alerta para riscos como queda dos preços das commodities, juros mais altos nos Estados Unidos, mudanças políticas na região e um eventual retorno do apetite global por empresas ligadas à inteligência artificial. Ainda assim, o banco avalia que a combinação de ativos físicos, geração de caixa e valuations descontados torna as ações latino-americanas, especialmente as brasileiras, uma alternativa atraente para investidores que buscam diversificação em relação ao mercado de tecnologia.
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Confira as 14 principais ações brasileiras destacadas pelo Goldman Sachs:
Petrobras (PETR4)
PRIO (PRIO3)
Sabesp (SBSP3)
Equatorial (EQTL3)
Axia (AXIA3)
Suzano (SUZB3)
Gerdau (GGBR4)
Usiminas (USIM5)
MBRF (MBRF3)
Rede D’Or (RDOR3)
Multiplan (MULT3)
Cyrela (CYRE3)
Cury (CURY3)
Direcional (DIRR3)
