Destaques da Bolsa

Educacionais disparam até 9% com Fies, holding da Vale salta 6% e só 9 ações do Ibovespa caem

Confira os principais destaques do noticiário desta terça-feira (18)

SÃO PAULO – O Ibovespa teve mais um dia positivo nesta terça-feira (18), com alta de quase 1,7%, a 63.782 pontos, atingindo o maior patamar desde abril de 2012. O benchmark seguiu os mercados internacionais e foi puxado por ações ligadas a commodities. As ações da Petrobras, Vale, Bradespar e siderúrgicas dispararam até 6% nesta sessão. Do lado negativo, apenas 9 das 58 ações do índice registraram queda. 

As ações das educacionais também subiram forte hoje, após o Congresso aprovar um crédito de R$ 702,5 milhões para o Fies. A maior alta do setor era cotada fora do Ibovespa. As ações da Anima fecharam na máxima do dia, com alta de 8,86%, a R$ 14,00. 

Já a Eletrobras ganharam força na reta final da sessão, após a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovar um valor de R$ 2,58 bilhões como indenização à Eletronorte, subsidiária da estatal, pela renovação antecipada no final de 2012 de contratos de concessão da empresa para transmissão de eletricidade.

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Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira:

Educacionais
As ações de Kroton (KROT3, R$ 16,58, +4,28%) e Estácio (ESTC3, R$ 19,85, +4,42%) e Anima (ANIM3, R$ 14,00, +8,86%) dispararam nesta tarde, após o Congresso aprovar 
um crédito de R$ 702,5 milhões para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Em votação simbólica, deputados e senadores deram sinal verde para que os recursos sejam destinados ao Fies.

O montante destinado a Fies servirá para atender despesas com serviços prestados pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, a título de administração da carteira de contratos de financiamento do fundo.

Cerca de 1,5 milhão de contratos deverão ser aditados neste segundo semestre, envolvendo um investimento da ordem de R$ 8,6 bilhões, já garantidos no orçamento do Ministério da Educação, afirmou o órgão.

Gol (GOLL4, R$ 7,35, +1,66%)
As ações da Gol tiveram um dia de alta na Bolsa. Em entrevista para a Bloomberg, o presidente da Câmara Rodrigo Maia afirmou que a proposta do governo de abrir 100% do setor da aviação civil para investidores estrangeiros coloca em risco empresas aéreas brasileiras. “Tinha se consensuado um aumento para 49%. O governo, de forma equivocada, pediu que Congresso aprovasse 100%”, disse Maia. “Não tem motivo de ir a 100% sem compreender qual seria o impacto de uma empresa americana entrar no Brasil. A proposta de 49% está ‘pacificada’ na Câmara, e o ‘Senado aprovaria também’“, disse Maia para a agência.

“A gente perdeu oportunidade de resolver outros problemas, que têm a ver com custo de passagem, questão do combustível, franquia de bagagem e tarifa de conexão”, destacou. Segundo Maia, o governo encaminhará nova proposta para o setor.

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Petrobras  (PETR3; R$ 18,79, +2,06%; PETR4, R$ 17,42, +3,08%)
As ações da Petrobras subiram forte nesta sessão, em continuidade à disparada da véspera e seguindo o desempenho dos preços do petróleo. O contrato do petróleo WTI fechou em alta de 0,7%, a US$ 50,29 o barril. 

No radar da empresa, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou na segunda-feira a venda de 100% das ações da Nansei Seikyu (NSS), empresa localizada na ilha de Okinawa, no Japão, por 129,285 milhões de dólares, para a Taiyo Oil Company, informou a companhia em um fato relevante. A NSS tem uma refinaria com capacidade para processar 100 mil barris por dia de petróleo, 36 tanques que armazenam 9,5 milhões de barris de petróleo e derivados, além de três píeres para carga e descarga de navios e uma monobóia. Atualmente a refinaria e a monobóia estão hibernadas. Conforme aponta o Itaú BBA, apesar de pequena, a venda é positiva por três razões: i) a companhia está desivestindo de ativos non-core; ii) a NSS gerou perdas significativas para a Petrobras no passado e iii) os ativos estão deslocados dos lugares onde se situam os ativos principais da companhia. 

Já segundo o Valor Econômico, enquanto a Petrobras reduziu em 25% a previsão de investimentos no novo plano de negócios 2017-2021, para US$ 74 bilhões, a BR Distribuidora, subsidiária da estatal e um dos principais ativos do plano de desinvestimentos da companhia, prevê ampliar em 22,4% o volume de desembolsos no mesmo período, para R$ 2,5 bilhões. Ainda sobre a BR Distribuidora, segundo o mesmo jornal, o Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) e o Carrefour receberam prospectos da subsidiária para participar do processo competitivo de aquisição de fatia da empresa, com um braço de varejo formado pela BR Mania. Ainda podem estar no páreo, caso as conversas avancem, fundos de investimentos que também foram acionados pela BR. Contudo, destaca o jornal, o envio dos documentos para fundos e empresas não implica, necessariamente, no desejo de adquirir o ativo. 

Ainda sobre a Petrobras, mais uma notícia sobre desinvestimentos da estatal. Na sexta, a estatal afirmou que as negociações com a Ultrapar (UGPA3) para a venda da Liguigás estavam avançadas. Contudo, o jornal Folha de S. Paulo afirma que, se o negócio for concluído, aumento ainda mais a concentração no mercado do combustível, que é alvo de investigações de formação de cartel. Caso conclua a operação, avaliada pelo mercado em cerca de R$ 3 bilhões, o grupo Ultra ficará com 45% do mercado brasileiro. A expectativa do mercado é que o negócio enfrente resistências nos órgãos de defesa da concorrência. Por fim, os olhos dos investidores da estatal estão na Câmara, que retoma análise de emendas ao projeto que retira exclusividade da Petrobras como operadora do pré-sal.

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 18,77, +2,91%;VALE5, R$ 17,35, +2,60%), Bradespar (BRAP4, R$ 11,37, +5,77%) – holding que detém participação na mineradora – e de siderúrgicas registraram ganhos fortes em meio ao dia de euforia do mercado, apesar do dia de estabilidade do minério de ferro. A commodity negociada em Qingdao registrou leve alta de 0,05%, a US$ 58,41 a tonelada métrica. Gerdau (GGBR4, R$ 10,02, +5,03%), Bradespar (BRAP4, R$ 11,37, +5,77%) Usiminas (USIM5, R$ 3,65, +1,96%) e CSN (CSNA3, R$ 10,61, +3,01%), registraram ganhos superiores a 2%. 

No radar das siderúrgicas, devido a uma greve de metalúrgicos iniciada no dia 13 de outubro, a fábrica da Gerdau em São José dos Campos (SP) está parcialmente parada. Nesta segunda-feira, o sindicato divulgou nota à imprensa na qual destaca que a Gerdau está adotando “um forte esquema de repressão contra os metalúrgicos”.

Já segundo a Folha, a Gerdau investiu cerca de R$ 75 milhões em dois projetos para diminuir os custos da empresa em suas linhas de produção e, dessa forma, melhorar a margem de lucro. Um dos projetos  consiste em monitorar os equipamentos com sensores. 

Via Varejo (VVAR11, R$ 8,27, -4,39%)
As ações da Via Varejo viraram para queda nesta tarde, após a Família Klein, acionista minoritária da companhia, comentar que não recebeu qualquer proposta por sua fatia na rede varejista controlada pela francesa Casino. Em comunicado, a família afirmou que a participação na empresa “não está à venda”. Juntamente, a Via Varejo 
informou nesta tarde que não tem conhecimento sobre nenhum ato que possa justificar as oscilações registradas com suas units. O comunicado da varejista foi divulgado em resposta ao questionamento da BM&FBovespa sobre a movimentação atípica recente dos seus papéis. Nesta sessão, as units chegaram a subir 9,60%, a R$ 9,48, na máxima do dia, acumulando nos últimos três pregões valorização de 35%. 

A euforia ocorreu em meio às informações da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, de que o grupo alemão gigante do varejo Steinhoff negocia a compra de participação da família Klein na Via Varejo, em uma transação que pode chegar a R$ 1,5 bilhão. Os Klein controlam a Via Varejo ao lado do grupo Casino. Vale destacar que as units da Via Varejo subiram 20% nos últimos dois pregões, sem que houvesse nenhuma notícia relevante para a companhia. 

Embraer (EMBR3, R$ 15,85, +3,59%)
As ações da Embraer também registraram ganhos. 
A companhia teve a recomendação para os seus ADRs (American Depositary Receipts) elevada de market perform (desempenho em linha com a média do mercado) para outperform (desempenho acima da média do mercado) pela Cowen, com preço-alvo de US$ 24,00 por papel.  

Even (EVEN3, R$ 4,28, +3,13%)
Após abrir em queda, as ações da Even passaram a subir. Na noite de ontem, a companhia divulgou prévia operacional. A empresa apontou que seus lançamentos totais mais do que dobraram no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo R$ 400,2 milhões. Considerando apenas a parcela própria da incorporadora, houve alta de 175%, para R$ 386 milhões. Enquanto isso, as vendas próprias caíram 26%, para R$ 206 milhões. No fim do trimestre, o banco de terrenos da companhia correspondia ao VGV (Valor Geral de Vendas) potencial de R$ 5,3 bilhões.

Em relatório, o BTG Pactual destacou que os números da prévia foram desapontadores, com as vendas abaixo do esperado apesar do aumento nos lançamentos. “Nós mantivemos recomendação neutra para os papéis uma vez que acreditamos que o retorno não justifica um re-rating ainda”, apontam os analistas. 

MRV Engenharia (MRVE3, R$ 12,60, +2,69%)
Os papéis da MRV Engenharia subiram após a companhia divulgar a prévia operacional do terceiro trimestre, mas registram ganhos nas últimas horas do pregão. A construtora registrou uma alta de 4,4% nas vendas de imóveis no terceiro trimestre sobre o mesmo período do ano passado, a R$ 1,37 bilhão. Os cancelamentos de contratos de clientes recuaram 25% no mesmo período, para cerca de R$ 316 milhões, o equivalente a 2.058 unidades. Já os lançamentos de imóveis da empresa tiveram baixa de 21,5% na mesma comparação, a R$ 821 milhões.

A empresa afirmou que os números do período foram impactados pela greve de um mês dos bancários, que durou até o início de outubro. “Aproximadamente 2 mil unidades deixaram de ser repassadas para os bancos durante a greve bancária, causando um forte impacto no recebimento”, afirmou a construtora e incorporadora em relatório sobre o desempenho operacional.

Apesar disso, a MRV apurou vendas líquidas de 6.948 imóveis no terceiro trimestre, ante 6.704 no segundo trimestre e 5.518 entre julho e setembro de 2015. A MRV, voltada a imóveis econômicos, informou que está vendo “primeiros sinais de retomada da confiança do nosso consumidor” e que as condições para compra continuam inalteradas, com disponibilidade de crédito. O Itaú BBA destacou esperar reação levemente negativa a vendas “em linha”, apontando que a greve dos bancos teve efeito maior que antecipado.

Qualicorp (QUAL3, R$ 19,80, -0,25%)
As ações da Qualicorp tiveram mais um dia de queda após despencarem 4,11% na véspera. No radar dos investidores está a preocupação com a saúde financeira da Unimed Rio e seus impactos na carteira de beneficiados administrada pela Qualicorp.

Energias do Brasil (ENBR3, R$ 15,44, -1,15%)
As ações da Energias do Brasil caíram nesta sessão. 
A EDP empresa divulgou os dados referentes ao mercado de energia da companhia no terceiro trimestre de 2016. Nas suas distribuidoras, EDP Bandeirante e EDP Escelsa, houve uma queda de 5% no volume de energia, para 5,878 milhões de MWh. O número de clientes das distribuidoras saiu de 3,217 milhões para 3,299 milhões, crescimento de 2,5% em 12 meses.

Segundo o Santander, o fraco desempenho no segmento de distribuição deve ser parcialmente compensado pelo volume positivo de geração (ajudado pelo início das operações da HPP Cachoeira do Caldeirão e a consolidação da unidade de Pecém). 

Papel e celulose
As ações do setor de papel e celulose subiram hoje, com Suzano (SUZB5, R$ 10,32, +0,78%), Fibria (FIBR3, R$ 23,63, +1,81%) e Klabin (KLBN11, R$ 16,52, +0,73%). Destaque hoje para os dados do Foex, com os preços da celulose. “
Depois de alguns meses reportando queda, hoje o Foex na China aumentou 1,46% w/w para US$ 491,60, enquanto que na Europa os preços ficaram praticamente estáveis (queda de 0,2%) a US$ 654,80. Ainda é muito cedo para afirmar que isso indica uma reversão na tendência, mas vale continuar acompanhando os preços nas próximas semanas”, destaca o Credit Suisse.

Eletrobras (ELET3, R$ 22,60, +6,15%; ELET6, R$ 26,22, +3,72%)
A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira um valor de 2,58 bilhões de reais como indenização à Eletronorte, subsidiária da estatal Eletrobras, pela renovação antecipada no final de 2012 de contratos de concessão da empresa para transmissão de eletricidade.

Na época, o governo se comprometeu a pagar às empresas indenizações por investimentos feitos nas linhas de energia e ainda não amortizados quando da renovação dos contratos. Esses valores serão pago às elétricas em parcelas a partir do segundo semestre de 2017.

JHSF (JHSF3, R$ 1,79, -3,24%)
As ações da JHSF caíram após euforia “sem motivo” na véspera, quando fecharam o pregão em alta de 10%. Uma notícia no final do pregão pode ter contribuído para o sentimento negativo. Segundo o site O Antagonista, a JHSF, que apareceu na Acrônimo repassando propina para Fernando Pimental, foi mencionada também na delação do investidor Paulo Gazani Jr, que é investigado na Operação Acrônimo.