Edifícios multiuso podem ser solução para trânsito

Construções que reúnem lazer, serviços, escritório e residência em um só lugar impedem grandes deslocamentos e melhoram o trânsito, diz arquiteto

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SÃO PAULO – Em alguns bairros da cidade de São Paulo, principalmente na zona central, complexos multiuso tornam-se alternativas que facilitam a vida das pessoas. Edifícios que reúnem residências, escritórios, lojas, estabelecimentos de serviços e de lazer em um só lugar também contribuem para diminuir o trânsito na cidade.

“A população de baixa renda foi obrigada a ocupar os terrenos na periferia mais baratos e, agora, tem de se deslocar por grandes distâncias até o trabalho, gerando a crise no sistema de transportes”, explica o arquiteto Augusto França Neto.

“Nesses ‘bairros dormitórios’, como Itaquera, Guaianazes e Vila Maria, em outros bairros de classe média e alta faltam equipamentos urbanos, infraestrutura de serviços, lazer e comércio, o que também obriga ao deslocamento”, analisa o arquiteto. Resultado: trânsito.

Uma possível solução

Neto acredita que edifícios multiuso ajudam a reverter esse resultado negativo para a cidade. Ele credita parte do caos da cidade à lei de zoneamento, que restringiu diversos bairros somente ao uso industrial, comercial ou residencial.

“Com o tempo, esse modelo de função única para alguns bairros provocou uma concentração de atividades geradoras de emprego na região sudoeste”, considera. “Ao mesmo tempo levou à decadência as zonas centrais e ao crescimento da periferia, gerando um grande desiquilíbrio na cidade”.

Neto fez um estudo sobre os edifícios multiuso – “Edifícios multiuso e open malls: soluções para metrópoles contemporâneas” – e atestou que eles são alternativa para suprir a demanda por infraestrutura, sem necessidade de deslocamento das pessoas.

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Com isso, segundo o arquiteto, diminui-se o problema do trânsito, pois essas construções aproximam lazer, serviços e habitação em um só lugar. “Este tipo de equipamento urbano voltou a ser discutido e adotado ultimamente pela premência que as cidades têm de resolver problemas de mobilidade de seus cidadãos”, considera Neto.

O arquiteto apresentará seu estudo na 9ª Conferência Internacional dos Lares, que reunirá representantes do setor imobiliário e estudiosos entre os dias 13 e 15 de outubro, em São Paulo.