Ecorodovias: vitória em leilão animou? Ação dispara 7% após primeira reação negativa

A oferta vencedora da Ecorodovias envolveu desconto de 19% sobre a tarifa básica de pedágio definida em edital.

Lara Rizério

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Infraestrutura (Foto: Divulgação)
Infraestrutura (Foto: Divulgação)

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O grupo Ecorodovias (ECOR3) ficou com o contrato de concessão de 30 anos da Rota das Gerais, trecho rodoviário de 735 quilômetros de estradas federais em Minas Gerais, após leilão realizado na B3, nesta terça-feira.

A oferta vencedora da Ecorodovias envolveu desconto de 19% sobre a tarifa básica de pedágio definida em edital. O projeto tem previsão de investimento de R$7,3 bilhões que inclui 187 quilômetros de duplicações de faixa e 160 quilômetros de faixas adicionais, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Ao contrário do último leilãoem que saiu vencedora e que seus papéis ECOR3 desabaram, as ações da Ecorodovias registram ganhos. Após chegarem a subir mais de 10%, as ações fecharam a sessão desta quarta-feira (1) com ganhos de 7,35%, a R$ 9,05.

Num primeiro momento, na reta final do pregão de ontem, contudo, a reação foi negativa. As ações, que haviam subido 6,8% antes do leilão, fecharam o dia com alta de apenas 2%, apresentando desempenho inferior ao Ibovespa, que fechou com ganhos de cerca de 2,7%.

Para o Bradesco BBI, o desempenho inicial negativo foi exagerado, refletindo mais a percepção de risco do que os potenciais ganhos em tráfego e opex estimados pela gestão.

O BBI, contudo, ressalta que o projeto possui características estruturais positivas, como mecanismos de compartilhamento de risco de demanda, cobertura de 90% para evasão no free flow, reclassificação tarifária após entregas de obras relevantes e compartilhamento de risco de capex para licenças ambientais e desapropriações.

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Em teleconferência, a companhia destacou projeções de tráfego 8,1% acima do modelo governamental (no comparativo anual), capex 23% superior por preços atualizados de insumos, opex (despesas operacionais) 21% menor devido a sinergias com ativos vizinhos e estrutura de capital com alavancagem de 90/10 (dívida/capital).

O Bradesco BBI acredita que a incorporação de Rota das Gerais ao portfólio é positiva, sustentada por uma TIR (taxa interna de retorno) real alavancada de 19% e sinergias operacionais relevantes.

Os analistas apontam que os riscos existem —principalmente a complexidade adicional de capex em um ambiente de preços elevados de insumos e incertezas, como as associadas ao petróleo —mas há fatores mitigadores importantes, como o reequilíbrio contratual em eventos de força maior e o fato de que a companhia já ajustou suas premissas de insumo no lance apresentado. O banco mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 16,00 para o fim de 2026.

O Santander também considera este um desdobramento positivo para a empresa, visto que esse ativo conecta a Ecovias Norte Minas e a Ecovias Rio Minas, com potencial de crescimento relacionado ao tráfego e às sinergias em geral. “Vale ressaltar que esse ativo não compromete a alavancagem da empresa no futuro, permanecendo abaixo do limite de 4,75 vezes o Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] ajustado dos últimos doze meses”, apontou.

O Itaú BBA reforçou recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), com o projeto parecendo mais atraente do que inicialmente previsto (a administração projeta um TIR real alavancado de 18,7%). Nesse contexto, destaca apenas um pequeno obstáculo: a potencial venda de uma participação adicional de 8,2% pela CR Almeida, cujo período de bloqueio expira em 4 de abril. “Nos níveis atuais, a ECOR negocia com um TIR nominal de 17%, com 80% do valor da empresa representado por dívida, posicionando-a como um dos veículos mais atraentes em nossa cobertura para se beneficiar de uma potencial melhora no cenário macroeconômico”, avalia.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.