Ecopetrol oferece R$ 23 por ação da Brava: proposta é justa?

Oferta pode abrir oportunidade de trade tático para investidor, mas analistas alertam para o futuro da companhia sob controle colombiano

Paulo Barros

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Décio Oddone (ao centro) e a diretoria-executiva da Brava Energia em toque simbólico da campainha na B3, em setembro de 2024 (Crédito: InfoMoney)
Décio Oddone (ao centro) e a diretoria-executiva da Brava Energia em toque simbólico da campainha na B3, em setembro de 2024 (Crédito: InfoMoney)

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A Ecopetrol registrou na CVM a oferta pública de aquisição (OPA) para comprar até 25% das ações ordinárias da Brava Energia (BRAV3) a R$ 23 por papel, com leilão marcado para 25 de junho na B3. Para o investidor que tem o papel na carteira, a operação abre uma janela de curto prazo, mas levanta interrogações sobre o futuro da companhia sob controle colombiano. Entenda, a seguir, quais são as principais conclusões que se pode tirar da oferta.

Como funciona a OPA nesse caso

Uma OPA é um convite formal de compra de ações a um preço fixo. A Ecopetrol Investimentos do Brasil quer adquirir até 116,1 milhões de papéis da Brava, cerca de 25% do capital total, pagando R$ 23 por ação, prêmio de aproximadamente 15% sobre o fechamento de segunda-feira (25), de R$ 19,93. A oferta tem natureza pro rata: se a demanda superar o volume disponível, cada acionista conseguirá vender apenas uma parte proporcional de sua posição a R$ 23, e o restante permanece em carteira ao preço de mercado.

Paralelamente, a Ecopetrol já firmou um acordo privado com os grupos QG, Jive e Yellowstone para comprar uma fatia adicional de cerca de 26% do capital a R$ 24 por papel. O acordo só se concretiza se a OPA for bem-sucedida, e as duas etapas serão liquidadas simultaneamente. Com isso, a Ecopetrol chegará a 51% da Brava, que permanece listada na B3.

Prêmio modesto

O prêmio de controle embutido na operação é considerado modesto pelos analistas: a diferença de R$ 1 entre o preço do acordo privado (R$ 24) e o da OPA pública (R$ 23) representa apenas 4%.

As diretrizes estratégicas anunciadas pela Ecopetrol incluem a aplicação de técnicas para aumentar a recuperação de petróleo em campos maduros, manutenção e expansão da produção e reservas atuais da Brava e potencial redução do custo de dívida da companhia com o uso do perfil de crédito mais robusto da controladora.

A colombiana também se comprometeu a manter a Brava listada no Novo Mercado por pelo menos um ano.

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Janela de arbitragem (mas não para qualquer um)

O BTG Pactual identifica uma oportunidade tática para investidores que comprarem BRAV3 próximo de R$ 20 (nesta tarde, é negociada a R$ 19,75) e participarem da OPA a R$ 23. Com liquidação prevista para 7 de julho, o banco estima uma taxa interna de retorno (TIR, medida de rentabilidade anualizada) de até 68%. O cálculo parte da premissa de que grandes institucionais, como o Bradesco, não devem aderir à oferta, elevando o percentual de alocação para os demais acionistas a uma faixa de 40% a 45% das posições.

Esse tipo de arbitragem, porém, é mais adequada a investidores profissionais e com alta tolerância a risco. A OPA está condicionada à aprovação do Cade, protocolada em 8 de maio e ainda em análise, e à obtenção de autorizações junto a debenturistas da companhia. Se alguma dessas condições não for cumprida, o acionista fica com o papel sem ter recebido o preço da oferta.

Incertezas de longo prazo

Para quem pensa além da OPA, o cenário é menos claro. As projeções do Goldman Sachs sugerem uma companhia com geração de caixa robusta e múltiplos de valuation comprimidos nos próximos anos, o que pode indicar que o papel negocia a um preço baixo em relação ao potencial da empresa. O banco, porém, não emite julgamento explícito sobre o preço da oferta por estar envolvido na transação.

O Bradesco BBI avalia que a operação apresenta implicações mistas. O banco reconhece que a Ecopetrol traz expertise operacional e potencial de sinergias, mas levanta dúvidas sobre a disciplina de capital da estatal colombiana, cuja estrutura de custos vem crescendo, além de incertezas sobre a continuidade da gestão da Brava e seu papel na estratégia de longo prazo do novo controlador.

O conselho de administração da Brava ainda analisa os termos da oferta e deve emitir opinião formal dentro de 15 dias.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos