Economistas refutam “Novo Normal” e esperam recuperação rápida

Crescimento nos EUA retornaria de forma robusta já no próximo ano, como o previsto por Bernanke e sua equipe

Publicidade

SÃO PAULO – A economia norte-americana possui força suficiente para retomar um robusto crescimento já no próximo ano, da mesma forma que a recuperação notada em recessões anteriores, afirmaram economistas consultados pela Bloomberg, que refutam a tese do “Novo Normal”, proposta pela gestora de recursos Pimco.

Em relatório publicado em maio deste ano, Mohamed El-Erian, CEO e Co-CIO da Pimco, propôs que a economia dos EUA passaria por um período, que durará entre 3 a 5 anos, de um leve crescimento de 2% ou menos por anos. E, de forma relativa com o que o mundo viu, o sistema financeiro será “desalavancado”, “desglobalizado” e “re-regulado”.

Entretanto, para James Glassman, economista sênior do JPMorgan, “sempre que caímos de um precipício para um buraco fundo no passado, a economia tem, por um período, a tendência de retornar ao crescimento de forma bem rápida”, disse. A perspectiva do banco é de que um crescimento de entre 3% a 4% pode ser pouco nos próximos trimestres devido a uma demanda reprimida.

Desemprego

A expectativa do JPMorgan está alinhada com a crença de uma recuperação da economia em “V”, ou seja, uma rápida retomada. A divergência entre as duas visões reforça o dilema dos formadores de política monetária que precisam decidir entre manter o nível de estímulo fiscal e monetário recorde, ou desacelerar os gastos para conter uma possível aceleração dos preços.

Outro ponto que levanta grande discussão é a do desemprego. Para El-Erian, o desemprego deverá chegar a 10% pela primeira vez desde 1983 e então manter-se em um nível elevado por anos. Argumento contestado por Glassman. “O que eu mais contesto nesta ideia do Novo Normal é a de que estamos travados e temos que aceitar um alto desemprego – se você olhar ao Fed, eles estão fazendo tudo para enfrentar isso”, afirmou.

Retomada

Desde o início da recessão, em dezembro de 2007, a economia norte-americana perdeu 6,7 milhões de vagas. A questão também é argumentada por Laurence Meyer, ex-presidente do Fed de St. Louis. Para ele, não há nenhuma evidência de que a taxa de desemprego com a inflação estável pode ser maior. Meyer espera que o PIB salte 3,6% em 2010 e 3,9% em 2011.

Continua depois da publicidade

As retomadas das últimas duas recessões foram mais fracas do que as das últimas décadas. Depois da recessão de 2001, a economia expandiu apenas 1,6% em 2002 e 2,5% no ano seguinte. A recessão de 1990-1991 foi seguida de um crescimento de 3,3% em 1992 e de 2,7% em 1993. Por outro lado, depois da recessão de 1981-1982, o PIB avançou 4,5%, saltando para 7,2% em 1984.

Na última decisão de política monetária, há dois dias, Ben Bernanke e sua equipe do Federal Reserve anunciaram que a economia está “se nivelando”.