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SÃO PAULO – No dia 17 de agosto, o Federal Reserve cortou a taxa de redesconto dos EUA em 50 pontos-base. A iniciativa foi interpretada por alguns analistas como um forte indício de queda subseqüente na taxa básica de juro do país.
Embora essa expectativa tenha contribuído para a recuperação do mercado, sua propagação pode implicar uma interpretação sem o devido rigor. Isto é, omitindo os efeitos positivos derivados diretamente da medida concreta.
A decisão monetária focada na chamada janela de redesconto tem uma justificativa própria, sem correlação necessária com mudanças na Fed Funds Rate. É o que nos dizem os economistas do Fed de Nova York.
Decisão ótima
Um estudo publicado por Antoine Martin e James Chapman explica que, em condições peculiares de mercado, a alteração na taxa de redesconto – referência para empréstimos concedidos pelo BC às instituições financeiras – é uma decisão ótima.
Tal argumento é válido sempre que o mercado de crédito interbancário apresenta restrições significativas de liquidez, tal qual nos piores dias da crise do subprime.
Nesse contexto, os bancos comerciais não podem depender do mercado aberto e precisam da ajuda direta do Fed para garantir suas linhas de financiamento. Ao fornecer esse auxílio, o BC alivia o impacto negativo sobre os agentes financeiros.
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Parcimônia frente às incertezas
Segundo os economistas do Fed, o uso da janela de redesconto também se prova sensato em um cenário de incertezas, em que o Banco Central não consegue estimar o montante exato de liquidez a ser injetado no mercado.
Diante de informações incompletas e assimétricas, as autoridades monetárias tendem a evitar operações em mercado aberto, pois as chances de um aporte desmedido aumentam significativamente.
Ganha sentido, portanto, a postura defensiva representada pela ferramenta do redesconto, em que as instituições financeiras vão até o BC e emprestam a uma taxa prefixada.