Economia volta a conviver com pequenos distúrbios, que podem virar ameaça

Como nos subprimes, grandes problemas começam com fenômenos às vezes ignorados; Natixis lista alguns casos atuais

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SÃO PAULO – Bem diferente do desfecho, o início das crises costuma passar despercebido aos olhos do mercado. Foi o que aconteceu na maioria delas, até por isso que não foram evitadas ou minimizadas. Alguns pequenos choques da economia podem parecer insignificantes ao ponto de serem ignorados, mas não deixam de oferecer consequências drásticas quando elevados de magnitude.

O momento parece ideal para avaliar esta premissa, pois o próprio subprime é exemplo de um choque aparentemente restrito, mas que acabou em efeitos desastrosos. “O tamanho inicial do subprime foi pequeno”, reforça a equipe do banco francês Natixis. A preocupação com estes pequenos choques da economia então fica de lição da crise atual.

Ainda assim, há todo um processo para transformar uma pequena discrepância, ou ameaça isolada, em risco sistêmico. Neste caso mais recente, a proporção que o problema dos subprimes tomou aponta para questões como o grau de alavancagem que os emprestadores estavam expostos e a própria securitização dos contratos, que transformou empréstimos em títulos precificados pelo mercado.

Novas ameaças

Exposta a fatores multiplicadores, as pequenas ameaças começam a tomar proporções de uma grande crise. Logo após um desfecho dramático, o mercado começa a perceber que pode não ter dado a devida importância ao choque das hipotecas, ou seja, maior atenção a seu desenvolvimento poderia ter levado esta crise a outras consequências, provavelmente menores.

O problema é que estes pequenos choques não são exclusividade de períodos atípicos, ou representam fato isolado. Mesmo após uma crise de grandes proporções, a equipe do Natixis já identifica o surgimento de pequenos focos que podem vir a ameaçar o agregado da economia, caso sejam ignorados.

Salários

O primeiro exemplo apontado é a queda dos salários nominais de maneira abrupta em alguns países, como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Japão – este o caso mais representativo.

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O problema de raízes na fraqueza da atividade econômica acaba por desencadear um processo retro-alimentador, em que os menores salários enfraquecem ainda mais a atividade, que por sua vez representa pressão adicional sobre os salários. Como o princípio de espiral inflacionária, só que com tendência à deflação neste caso.

Carry trade

Outra questão preocupante observada diz respeito às operações de carry trade em meio ao atual ambiente de taxas de juros nos mercados internacionais. O cenário de taxas em níveis significativamente baixos, na avaliação do Natixis, “é muito favorável para os bancos no curto prazo, porém é muito perigoso no longo prazo.”

Com estas operações, os bancos acumulam um considerável risco de liquidez, incorrendo no risco de crise financeira no caso de reversão das políticas monetárias ou contração das condições de liquidez, completa o Natixis.