Economia internacional pode apresentar desaceleração ao longo de 2012

Crise europeia ainda guiará cenário econômico, e emergentes serão os que mais crescerão - mesmo desacelerando

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SÃO PAULO – Após um ano complicado e que teve como principal protagonista a crise da dívida soberana na Zona do Euro, as expectativas para a economia internacional em 2012 não são das melhores. A Europa ainda deve guiar o cenário econômico nos próximos períodos, e caso a situação econômica piore na região, cresce a chance de uma desaceleração mundial ainda maior, afirmam economistas.

As estimativas de aumento do PIB (Produto Interno Bruto) mundial variam, mas estão em torno de 3%. Enquanto os EUA apresentam uma leve recuperação, espera-se uma estagnação na Zona do Euro, até com breves períodos de recessão.

Enquanto isso, os países emergentes tendem a seguir impulsionando o mercado internacional, com um crescimento em torno de 5%, devido ao forte aquecimento do mercado interno. Apesar de certa independência dos emergentes em relação aos países desenvolvidos, eles ainda se mostram bastante conectados. A maior parte dos economistas prevê uma desaceleração forte da China, mas com um crescimento robusto na casa dos 8%, guiando a economia mundial.

Estados Unidos em recuperação, ainda que moderada
Segundo os principais analistas do mercado, os EUA devem apresentar uma recuperação de seu crescimento em 2012. Porém, ainda não será suficiente para compensar o baixo ritmo da economia norte-americana desde o início da crise econômica que eclodiu em setembro de 2008 com a quebra do banco Lehman Brothers.

Para diversos especialistas, como o economista da MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros, os Estados Unidos devem apresentar um cenário razoavelmente positivo, em meio ao ambiente macroeconômico desfavorável. Três fatores podem puxar para baixo a atividade norte-americana: o endividamento público; o segmento imobiliário, com um problema de crédito ainda muito forte, e o setor financeiro. 

Para o economista, o setor de serviços será ainda o impulsionador do mercado em 2012. Porém, afirma, caso haja uma piora da situação europeia, os EUA também serão seriamente afetados, gerando uma pressão enorme sobre o crédito e complicando ainda mais a situação do sistema bancário.

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Para o Wells Fargo, o consumo continuará restrito nos EUA. Isso ocorrerá devido aos passos lentos do mercado de trabalho, além do aumento apenas marginal da renda da população. A expectativa da instituição para o crescimento do PIB é de 2% em 2012.

Segundo o Standard Bank, o PIB dos EUA deve avançar de 1,5% a 2% em 2012, enquanto a inflação deve ficar por volta de 2% – permitindo à autoridade monetária dos EUA criar medidas de afrouxamento monetário. A inflação também será moderada na visão do Wells Fargo, com a diminuição dos preços da energia em meio a um cenário de desaceleração da economia global.

Setor público precisa reduzir déficit
Em 2012, o governo dos EUA deve moderar o tamanho do déficit orçamentário, com o crescimento da receita em modesta retomada à medida que o País também se recupere. Devido aos passos lentos com que esse crescimento pode ocorrer, ainda deve levar muitos anos para que a economia norte-americana apresente níveis de receita equivalentes aos patamares do período pré-crise, aponta o Wells Fargo.

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O crescimento dos gastos públicos está em linha com o ritmo de melhora da economia norte-americana, o que leva o banco a acreditar que o governo não será responsável por impulsionar o crescimento econômico em 2012.

Fraca expansão do mercado de trabalho
A falta de coordenação entre a oferta e a demanda pode ser o maior desafio para a estabilização do mercado de trabalho. Para o economista do Citigroup, Robert Diclemente, apesar dos lucros consistentes, a resistência das empresas em aumentar seus investimentos em expansão contribuem para a manutenção de elevadas taxas de desemprego. Segundo ele, isso ocorre devido ao ambiente político e econômico ainda incerto para os próximos períodos.

Para DiClemente, a expansão lenta e desigual na economia dos EUA deve prosseguir nos próximos dois anos. “A amplitude e a força da recuperação estão se realizando através de desequilíbrios persistentes em setores-chave, com possível instabilidade financeira e, no campo político, com questões ainda a serem resolvidas”, pondera.

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Apesar do crédito ao consumidor ter aumentado, ainda que vagarosamente – representando uma melhoria da situação econômica do país – os indicadores de estresse das instituições financeiras ainda são muito elevados. Além disso, o contágio da crise da dívida soberana na Zona do Euro pode alimentar a desconfiança e gerar problemas para o país do mesmo modo que a crise do subprime, avalia DiClemente.

A Zona do Euro deve apresentar um crescimento baixo em 2012, com uma possível contração. Porém, mesmo em meio à crise – evidenciando as disparidades entre as economias que compõem o grupo de países que possuem essa mesma moeda – a probabilidade de uma ruptura entre as nações está descartada, afirma a MCM Consultores.

A chave para o crescimento da região é o setor financeiro, acreditam os analistas do Standard Bank, Jeremy Stevens e Steve Barrow. Para os analistas, as condições de empréstimo estão mais difíceis para as grandes empresas, com o governo aumentando cada vez mais as exigências para o aumento de capital. 

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Segundo o economista Mendonça de Barros, o continente europeu deve seguir como a maior preocupação do mercado no próximo ano. “A Europa está passando por um período de gigantesca falta de liquidez. Por isso, o mercado tem tanto medo de um evento de crédito”, afirmou.

Para o economista, o cenário mais provável para o Velho Continente em 2012 é a combinação de um ajuste fiscal com uma maior monetização por parte do BCE (Banco Central Europeu), que deve flexibilizar sua rígida política monetária. Outro cenário possível é de um maior ajuste fiscal dos países situados no sul da Europa, aliado ao maior federalismo fiscal.

Já a MCM Consultores projeta que a Europa terá crescimento de apenas 0,5% em 2012, em função dos ajustes fiscais em vigência e da deterioração das expectativas dos agentes econômicos.

Por sua vez, o economista-chefe do Citigroup, Willem Buiter, acredita em um contração do crescimento do PIB da região. “Nós esperamos uma queda no PIB de 1,2% em 2012, ante expectativa de declínio de 0,3% na última previsão. Quatro meses atrás, esperávamos uma alta de 1,2% do PIB na região”, afirmou, ressaltando as expectativas negativas baixistas para o crescimento da economia europeia.

Segundo o economista do Deutsche Bank, Jun Ma, o PIB chinês apresentará desaceleração em 2012, para 8,3%, após um avanço esperado de 9,1% em 2011. Para Ma, a economia do país será caracterizada por um período desinflacionário, que pode exigir uma política de flexibilização monetária no primeiro semestre do ano.

Com um gasto fiscal modesto no próximo ano, as prioridades devem se dirigir aos projetos de infraestrutura, aos benefícios para as pequenas e médias empresas e às medidas para estímulo do consumo. Segundo o economista do Deutsche, a China pode precisar ainda de um pacote para estímulo à construção de casas.

Os analistas do Standard Bank também acreditam que a probabilidade de crescimento de dois dígitos praticamente se dissolveu para o próximo ano. Para eles, as chances da China ter um crescimento abaixo de 7% em algum dos trimestres de 2012 também aumentaram significativamente.

“À parte da possibilidade de crescimento mesmo na ocorrência de um choque externo, caso o investimento caia, a China terá sérios problemas pois o resto da economia mundial precisará crescer duas vezes mais rápido para compensar a lacuna que esse país pode deixar”.

A situação sugere que a qualidade do crescimento chinês irá se deteriorar, levando o governo a tomar medidas para melhorar a qualidade e reduzir proporcionalmente o volume de investimentos e exportações. “Isso pode evidenciar a alocação inadequada que já se espalha por toda a economia, testando a agilidade dos políticos chineses em 2012″, diz o Standard Bank.

Confira as estimativas para o crescimento do PIB em 2012:

Países e regiões / Instituições  MCM Consultores  Citigroup Standard Bank  Wells Fargo
Mundo 2,7% 2,5% – 3,2%
EUA 2,5% 1,9% 1,2% 2%
Zona do Euro 0,5% -1,2% 0,2% -0,1%
China 8,2% 8,4% 8% 8,2%
          Países emergentes                 –    6%           –       5,3%


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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.